sábado, 11 de outubro de 2014

OS DONOS-DA-RELIGIÃO, O PODER QUE JCRISTO MAIS AFRONTOU

                 OS DONOS-DA-RELIGIÃO

 
O PODER QUE JCRISTO MAIS AFRONTOU

 Neste nosso encontro dos dias ímpares, deixei-vos a pergunta: "Qual dos três poderes ou donos (das armas, do dinheiro, da religião) qual deles terá o nosso líder JCristo enfrentado mais acerrimamente?

 Seria sumamente proveitoso que cada um de nós emitisse o seu parecer, sabendo-se que  não é de somenos  importância a razão de ser desta análise. Porque ninguém duvidará, acho eu, que o nosso Cristo não veio fazer umas férias extra-programa nem passear-se em arraialescos andores ou em custódias de ouro e prata. Não foi esse o  seu estilo, por mais que os usurpadores da sua herança teimem em fazê-lo. Nem veio descansar, pois não tinha "uma pedra onde reclinar a cabeça". Toda a sua vida foi marcada por um programa bem claro: a luta firme para que a espécie humana alcançasse o  topo da sua condição, inclusive  a sublimação supranatural. Daí tornar-se imperativo, sem nunca perder de vista, identificar e neutralizar, derrubar mesmo, através de uma acção eminentemente pedagógica, os baluartes, os paiós e os bunkers onde se reúnem os legisladores executivos que cortam o acesso da Pessoa ao topo da sua plena realização: os donos-de-tudo (o capital), os donos-das-armas, os donos-da-religião.

 Passando rapidamente à resposta, não sobrarão dúvidas que o grande poder que o nosso JCristo mais desafiou foi este último: os donos do Templo de Jerusalém, o trono do poder religioso. E a estratégia não falha: podem mirrar um corpo à fome, podem estrangular uma geração pelas armas, mas não há arma que mate a ideia, o sonho, o pensamento, como bem nos ensinou a cantar Manuel Freire:"Não há machado que corte a raiz ao pensamento". E o pensamento, a ideologia fundamentante de toda a exploração humana da época (de sempre!)  tinha o seu bunker no poder religioso sediado no Templo.

 Quem atentamente compulsar os quatro evangelhos, verificará que o afrontamento de JCristo raríssimamente tem por alvo o poder político de então, consignado aos governadores romanos da Judeia, colónia  do Império. Mas aos titulares do poder religioso, suporte da alienação e da escravização do povo (e, por consequência, suporte do poder político) o nosso Cristo era implacável, provocador radical. Diante de Pilatos, até admitiu que o "seu poder lhe vinha do Alto", mas aos Sumos-Sacerdotes, os Pontífices Máximos, não lhes dava um palmo de vantagem, umas vezes por parábolas, como as destes três últimos domingos, outras directamente, catalogando-os de "raça de víboras, sepulcros caiados de branco mas podres por dentro, salteadores assaltantes do Templo, devoradores dos bens dos órfãos e das viúvas".

 Mudam-se os tempos, (atrevo-me a contrariar Luís Vaz de Camões) mas não se mudam as vontades. Ao longo dos séculos, o poder religioso tem dominado o povo ignaro. Descobri-o  há muito tempo e repito: O Vaticano tem-se comportado como a Grande Muralha que não nos deixa ver o rosto do Cristo verdadeiro. Até 2013, enfim, quando apareceu essa nesga de luz, Francisco Papa,  que tem aberto os olhos aos cegos, que tem  desatado a língua aos mudos forçados, que tem feito andar os paralíticos do Pensamento. Só o povo cristão --- não os ridiculamente  auto-proclamados "Príncipes da Igreja" --- poderá ajudá-lo na sua luta, tal como foi o povo marginalizado, "ofendido e humilhado" de outrora,  que segurou o seu líder,  JCristo.