sábado, 29 de novembro de 2014

“A MINHA PRISÃO É UM REINO” ((Gilbert Cesbron)


Embora seja amanhã o 1º Domingo do Advento, ocorre também o 241º aniversário natalício de Francisco Álvares de Nóbrega, poeta-filósofo, nascido em Machico em 30 de Novembro de 1773 no sítio dos Moinhos, hoje sítio da Graça, e morto em Lisboa, após trágico cativeiro na Cadeia do Limoeiro pela Inquisição, como referi no meu  anterior blog. Porque vejo nele o maior expoente deste concelho e um dos mais exímios sonetistas portugueses ---  sendo até cognominado de “Camões Pequeno” --- por isso, peço-lhe reverente licença para dedicar em verso esta modesta homenagem.



      Entre céu e mar e terra
      Seu berço foi

      A graça infante nascida
      Na “Graça dos Moinhos”
      Juncou de azul e sal e guerra
      Os teus caminhos

      E porque não tem pátria a Ideia
      Apátridas foram os dias intemporais
      As longas nocturnas espirais
      De luta e agonia
      Com que a ilha madrasta
      Avara e nefasta
      Te cobriu
      Desde a ribeira-rio
      Onde nasceste
      Até ao Tejo amaro
      Onde sofrido morreste

      Taumaturgo do verbo
      Da tua prisão
      Fizeste a tua e a nossa liberdade.
      Irmão de Bocage e Camões
      Quebraste os grilhões
      Onde outros algemam a Verdade

      Longe da terra e dos teus que já não tinhas
      Deixaste sereno a vida ingrata
      E sepultaste o monstro antigo
      De vis garras mesquinhas


      Hoje voltas de novo
      Belo, firme, vertical
      Bradando a céus e mar e terra
      Deste teu berço
      Canto imortal


29.Nov.14

Martins Júnior