domingo, 21 de dezembro de 2014

SALVEMOS O PAPA, SALVEMOS A “ALEGRIA DO EVANGELHO”, SALVEMOS O NATAL FUTURO

Bem sei que nestes dias de azáfama pré-natalícia não há lugar nem minuto para longas divagações. Mas não ficarei bem comigo próprio se não partilhar convosco um ponto alto da nossa preparação para o Natal, o qual compendia a conclusão do que hoje foi visto e comentado na nossa Missa do Parto. Já tive ocasião de informar que na ementa da nossa mesa eucarística cabem as tradições, os cânticos de outrora, as quadras ao desafio no adro após a cerimónia litúrgica, os doces e licores. Mas o que não pode faltar é a marcação de uma ideia enriquecedora que vá mais além do folclore cíclico desta estação. Neste ano, a ideia marcante foi a leitura, pelos participantes na cerimónia, da mensagem “Evangelii Gaudium” do Papa Francisco. E tem sido uma verdadeira descoberta sentir na assembleia como que o clarão de um relâmpago libertador em cada página do texto. Quando são sábias e concretas as palavras o povo sabe escutá-las e ponderá-las. De facto, uma coisa é ouvir uma palestra em ambiente académico sobre o pensamento de Francisco Papa, outra é captá-las na fonte pela voz de homens e mulheres, ao vivo, durante o decorrer do acto. E que força, que beleza, que coragem, que mergulho ao dentro da vida! Foi preciso chegar à varanda do século XXI para saber que um Papa tanto sobe ao Olimpo do pensamento humano-divino  como desce até à profundidade telúrica da nossa condição. Tudo ali está, como nunca antes se ouvira. Ali se juntam teses de teologia e filosofia, constatações e perspectivas da ciência económica, ali se consigna um manual de pedagogia política! Ao estilo  da famosa Summa Theológica de Tomás de Aquino, bem pode falar-se de uma Universitas Summa este feixe luminoso chamado “A Alegria do Evangelho”.
Mas o mais importante é o desbravar da densa floresta da sociedade em que vivemos. Ele afronta os casos e, como um bandeirante,  avança, peito aberto, na vanguarda da denúncia e do compromisso. E aqui reside não apenas a solução mas também um problema de futuro: ele não aponta, faz o trabalho da mina, escava, abre a esplanada, mexe com as imutáveis estruturas, feito como Isaías para “derrubar e construir”. Qual o patrão que vai à frente numa manifestação de trabalhadores?... Ou qual o arquitecto ou engenheiro que mete as mãos na massa e faz o trabalho do pedreiro ou do servente?... Francisco Papa!
É por isso que, no seio da máfia vaticana e financeira, há quem queira liquidá-lo. É que ele está a fazer as tarefas que competiam aos bispos e cardeais, mas não as fazem, remetendo-se a um silêncio cúmplice em que no embrulho da “virtude” se esconde a mais vil cobardia. Quem poderá salvar o Papa? Só o povo, só os cristãos! Porque das hierarquias “beatíficas” nada há esperar senão os anátemas de Anás, Caifás e Herodes contra o Menino de Belém. O povo tem de tomar nas mãos o poder de iniciativa rumo à conquista da “Alegria”.

É verdade que estamos na trégua fagueira do Natal, onde tudo se veste da mais terna brancura da Paz. Mas perante a transparência matinal deste Homem que as trevas “vermelhas” dos purpurados querem afogar, parece que o único caminho de salvação é afastar, senão mesmo “derrubar dos seus tronos” (Lc.1,52) esses “arcanjos”  do obscurantismo e da escravidão. É uma boa campanha para salvar o Papa, a Alegria, o Natal. Mas sempre com “as armas da Luz”  (Paulo, Romanos, 13,12).

21.Dez.14

Martins Júnior