quinta-feira, 19 de março de 2015

ODE PEQUENA PARA UM POVO TÃO GRANDE







Tendo ocorrido ontem o 30º aniversário da vitória do Povo da Ribeira Seca sobre a bárbara ocupação do seu Templo pelas forças policiais, durante 18 dias e 18 noites, às ordens do Bispo da Diocese e do Governo da Madeira, dedico este Canto Pequeno a tão Grande Feito:

Vieram os lobos primeiro
Sangue de verniz
No pelo e nas unhas
Sem falas nenhumas
Devoraram num triz
Chaves, portas e gonzos
Do Templo do Povo
Mas a sua alma
NÃO!!


Vieram depois abutres
Beberam o pão
E o vinho novo
Do altar sagrado
Mas a sua fé
NÂO

 Vieram negrejandas garras
De bárbaros salteadores
Mais feros que uns etarras
Arrancaram as luzernas
Que alumiavam o chão
Do Povo sem luz
Mas o sol que havia dentro dele
NÂO!

Vieram padres da Inquisição
No corpo e nas armas
Da soldadesca sem culpa
Em tortura e de arrastão
Homens jovens mulheres
Atirados à prisão
Só pelo crime
Do amor sublime
Àquilo que é seu
A mim podes prender-me
Diziam
Mas o Povo com razão
Não vais prender
NÂO!


Romanos mercenários
De faixa vermelha
Estranguladores
Daquela materna centelha
Que amor se chama
Maldita raça da pérfida moirama
Não deixaram que a Mãe
Pudesse ver e beijar
Os filhos que tem
Na prisão injusta
Por Herodes e Anás
Por Pilatos e Caifás
Roubareis o beijo e o pão
Mas aquele brilho
Entre Mãe e Filho
Isso nunca
NÃO!


Trinta anos dobrados
Trinta cânticos moldados
De luta
E fogo novo
Bebendo a cicuta
Da taça peçonhenta
Que os facínoras preparam
Para afogar o Povo nessa tormenta
Mas nem Vigia nem Mitra
Nem Roma nem Meca
Apagarão a História
E o facho da Vitória
De um Povo – RIBEIRA SECA!

19.Mar.2015
Martins Júnior