sexta-feira, 13 de março de 2015

OS ADEUSES AMANTES E SIAMESES


         Não é com prazer que perco tempo e gás voltando ao mesmo tema, pelo contrário, é com desgosto, contragosto e “des-fado” ocupar-me de cenas que mais são de esquecer que de lembrar. Mas seria uma “enorme perda” para a memória futura este teatrinho de cordel, espécie de cinema mudo,”não há declarações”, do impagável Charlot e que dá pelo nome de despedida do rei, mesmo que saia nu.
         Depois do bispo (e com toda a justiça, porque o homem deve tudo à Igreja que o pôs e impôs no trono) foi a vez do sisudo e “mal amado” Representante da República e, ainda, do, agora anafado e almofadado,  Presidente da Assembleia Legislativa Regional. Que macieza e que hipocrisia o abraço derradeiro de dois amantes siameses! Foi este último que, já lá vão alguns anos, jurara publicamente: “Quando o presidente do governo sair eu também saio”. Mal se percebe, pois, esta liturgia fúnebre para com alguém que, mais dia menos dia, também estará na rua ou nas ilhas Seichelles gozando as “justas” mordomias adquiridas em 37 anos  de fidelíssima companhia. Fidelíssima, ma no tropo, dado que o ainda ocupante do cadeirão da ALR entrou no Parlamento pela mão do Partido Socialista, como simples deputado: eram os tempos do PREC e da Constituição para o socialismo, mas depois,  com a subtileza do réptil, foi-se deixando deslizar  para o PSD e ali ficou embalsamado e perfumado em  secretário regional e, mais tarde,  presidente parlamentar. “Viver não custa, o que custa é saber viver”, já o avisou a filosofia popular.
         Sei lá o que, no recôndito do gabinete, disseram a fome e a vontade de comer. Nem me interessa. Agora, o que me obriga a consciência cívica e política é uma saudação ao futuro Presidente da Assembleia Legislativa Regional. E faço-o, em contra-luz, para que o público, ao  revelar o negativo da fotografia, veja o negrume que durante anos manchou o assento da primeira jila dos órgãos autonomia insular:
         Que o futuro Presidente da ALR não seja:

1. Uma marionete invertebrada nas mãos do inquilino da Quinta Vigia.
2.    Um joguete de um qualquer anão, físico ou mental, mesmo que investido nas funções de líder parlamentar do partido mais votado.
3.    Um corrupto político, de satisfação alarve, que se delicia com os dislates dos deputados do seu partido contra as minorias da Oposição indefesa.
4.    Um cobarde vira-casacas que se faz forte com os fracos e fraco com os fortes.
5.    Um vilão “rural e autoritário” que interpreta como fraqueza a educação comportamental de um deputado da Oposição.
6.    Um enfatuado simulacro da autoridade que precisa de um valente abanão quando um deputado da Oposição o afronta e responde à-letra com a mesma agressividade da Maioria protegida.
7. Um subserviente acocorado que jura fidelidade canina aos desmandos da segunda figura da Autonomia.

         Finalmente, agora pela positiva, que seja vertical, justo, imparcial e julgador em caso de prevaricação de qualquer deputado, quer da Maioria quer da Oposição e faça da Assembleia aquilo que ela constitucionalmente representa: o Primeiro Órgão do governo próprio da Região Autónoma da Madeira.
Se me for permitido, deixo aqui um alvitre ao ora despedinte e futuro ex-ocupante da Quinta: leve consigo ao beija-mão  os seus rapazes, os antigos e os modernos, a quem sempre tratou por “pequenos”, embora de vez em quando os alcunhasse de “delfins” para contentá-los e, depois, queimá-los em lume brando até ao churrasco final. É a vida…
         Caros amigos e amigas, entendamo-nos: o tédio que ressuma deste meu dia ímpar tem o mesmo tamanho que o imenso desejo de ver, a partir de 29 de Março, uma Autonomia renovada, uma vitória de Domingo de Palmas e o prenuncio de uma verdadeira Páscoa sócio-política, económica e cultural para a nossa Região.

13.Mar.2015
Martins Júnior