segunda-feira, 11 de maio de 2015

QUANDO VIRÃO À LUZ AS ACTAS DO CONGRESSO DOS 500 ANOS DA DIOCESE?


Sei, como se estivesse a ver, que a sobremesa que hoje vos trago talvez não faça parte do menu do nosso melhor apetite. Porque preferimos encher os olhos de novos figurinos na “passerelle”, aguardando sempre o que vem a seguir. Mas o tema de hoje é de quem não se contenta com “ver a banda passar”.  Nem com o desfile de exóticos  manequins. Pelo contrário, trata-se de fixar a síntese essencial no meio do turbilhão mais ou menos folclórico das sucessivas modas que nos divertem.
Lembram-se do espectáculo em cena durante três anos de anúncios publicitários, enormes cartazes nas torres das igrejas, entrevistas de gente grada, tudo para entrar na ribalta um velho de longas barbas brancas denominado “Congresso dos 500 anos da Diocese do Funchal”, em 2014 ? E as míticas sumidades do intelecto e da catolicidade que viriam  transformar a ilha no areópago da capital mundial  da lusofonia cristã, levantando ao alto a Diocese-Mãe, prolifero seio  de todas as cristandades a descobrir  no aquém e além mar!  E a roda viva na cidade, entre a Reitoria da Universidade, a Igreja dos Jesuítas, o Teatro Municipal, a Sala de Congressos do casino,  a todo o vapor, animado até pela avalanche dos professores e professoras dispensados das aulas pelo governo regional!
E o que ficou, o que irá ficar de tanta azáfama de pôr a cidade à roda?... Para responder, recordo e recorto a mesma pergunta  feita pelo  Rev. Dr. Rui Osório, no “Jornal de Notícias” do Porto,  aquando da triunfalista  embaixada de 300 jovens portugueses  ao Congresso Internacional da Juventude no Brasil em 2013.   Nada, além do espectáculo!
Aqui, porém, os encenadores comprometeram-se a fixar em livro a épica narrativa, a qual, segundo o porta-voz secretário do bispo, apoiado no presidente das comemorações, Prof. Eduardo Franco, veria  a luz do dia no “período recorde de três meses”, isto é, em Dezembro de 2014. Fomos aguardando, de 2014 para 2015, do Natal para a Páscoa, da Páscoa, certamente até ao verão, enfim, já lá vão oito meses de expectativa.
Não está em causa a maior ou menor morosidade no cumprimento da  espectacular promessa, até porque o mesmo presidente tem em cima dos ombros a publicação do encomiástico Dicionário da Madeira. Pela minha parte, estou  ansioso pela publicação, mesmo que serôdia, das “Actas do Congresso”, até para confirmar (ou não) o que me foi dado observar durante as múltiplas sessões, algumas delas mais apropriadas para a Feira do Livro (que, coincidentemente, decorria nesta cidade)  e ver em letra irrevogável a conclusão a que cheguei: O Congresso não foi dos 500 anos, mas dos 400 ou mesmo 300 anos da Diocese, tal a preocupação de fixarem-se as dissertações nos séculos distantes da realidade mais próxima da história da Diocese,  com a premeditada e notória imposição de fugir às questões de um passado mais ou menos recente, como a  degradante reedição da  “Santa Aliança”  entre Governo e Igreja, antes e depois do “25 de Abril” na Madeira.
 Disse que nada me incomoda a morosidade da publicação. O que mais confrange  é constatar que uma hierarquia, supostamente representativa de uma “Igreja em Missão” e que se quer ponderada e séria, se deixe enrolar na vertigem dos fogos fátuos das organizações-empresas mundanas, auto-iludindo-se com os foguetes do arraial publicitário e das lantejoulas carnavalescas no cortejo da Santa Madre Igreja de Cristo! Quando se fizer o historial indesmentível da Diocese, quem sabe se tudo não se reduzirá a uma sofisticada feira de vaidades, bafios fiteiros para encobrir vazios malcheirosos ou, pelo menos, inúteis. E numa “Igreja em Missão”, a inutilidade é traição ao Cristo dinâmico, transformador da História.
Venham daí as “Actas do Congresso”! Mui gratos ficaremos.

11.Maio.2015

Martins Júnior