domingo, 27 de setembro de 2015

ANTE O "NOVO" FANTASMA DA INSTABILIDADE O pior de todos os medos é o medo de ter medo



De que havemos conversar neste domingo último de Setembro senão no domingo primeiro de Outubro. Não tanto pelo circo tumultuante dos artistas na arena política, o que deve polarizar a nossa atenção é a Magna Assembleia dos Portugueses, a realizar-se já em 4 de Outubro, Dia D da libertação de todo um Povo.  É o Parlamento dos parlamentos, no grande triângulo que une o território continental e as regiões insulares. Para lá entrar é preciso deixar fora todos os medos, inclusive o pior de todos, como menciono em subtítulo. Digo isto, porque os caçadores de “bocas” desconexas (leia-se em brasileiro calão, “fofocas”) lembraram-se de espalhar agora o avejão nocturno a que chamam instabilidade governativa. Bastou ter ouvido a António Costa definir-se claramente, (embora politicamente incorrecto, dizem os comentadores de turno)  que não aprovaria um orçamento da coligação que cortasse nas reformas, para logo agitarem o agoiro fatal: o PS, desestabilizador da governação, provocará novas eleições. E quem é o “arcanjo exterminador” que traz essa mensagem do além?
Vale a pena dedicar-lhe um parágrafo.
Não há cena mais ridícula nesta campanha do que ver Paulo Portas afivelar uma tenebrosa carranca, desenhar na testa uma pauta de sete linhas e, qual adamastorzinho do Caldas, vociferar: aí vem a instabilidade governativa, aí vem o medo, o medo, ai o medo… Mas reparemos quem é ele. O desordeiro-mór, o mais atrevido conspirador, aquele que, em meio do mandato, afoga o país com o grito “irrevogável” da demissão, isto é, da queda do governo, do seu próprio governo! Não fora a intervenção do Padrinho Cavaco Silva que voltou a colar a pele dos dois irmãos siameses e o governo da coligação teria caído nessa noite. A troco de quê? De um tacho de lentilhas chamado “vice-primeiro-ministro”. E não há quem lhe solte na cara  uma bombada de escárnio, uma girândola de gargalhadas, perante um provocador nato, irrevogável incorrigível, capaz de deitar abaixo a própria casa onde se refugiou por empréstimo. Não há palavras! Apenas isto: tenho a percepção de que, se a coligação por má ventura ganhasse as eleições, o mesmo “fura-bardos” (aqui, o humor ajuda a ler) não deixaria que o mandato chegasse ao fim. Destrui-la-ia por dentro.
Voltando ao real quotidiano, isto é, à análise fria de todos os cenários possíveis, é minha convicção que o elenco governativo que melhor garante a estabilidade é, inquestionavelmente, o Partido Socialista. Permitam-me justificar. Na incompreensível, mas hipotética vitória da coligação, o seu programa e orçamento teriam os dias contados: António Costa votaria contra, já ele o disse corajosamente. A restante esquerda, CDU/BE/Livre e similares, pelo que se viu no batente da campanha,  não teria outro desfecho coerente. Num segundo cenário, o mais provável e necessário, com o PS no governo, ainda que minoritário, contaria no seu programa e orçamento com a aprovação ou, no mínimo, com a abstenção, das citadas forças partidária. Primeiro, por coerência com um ideário comum no essencial. Depois, por uma questão de decência política, visto que a experiência do chumbo do PEC4, em 2011,  saiu crua e dura ao país, pois foi aí que a esquerda levou ao colo o PSD/CDS até ao trono do poder que espremeu o Povo durante quatro longos anos.
Portanto e não obstante as críticas, tantas vezes infundadas, mas admissíveis numa praxe eleitoral, por parte de certa esquerda “versus” António Costa, a estabilidade política de Portugal estará inelutavelmente na vitória do PS. Eis o meu contributo, susceptível de contradita como qualquer outro, para uma serena reflexão, a partir deste domingo último de Setembro até ao domingo primeiro e decisivo de Outubro.
A terminar, fico a pensar com que estômago voltarão os portugueses a ver o  compulsivo “irrevogável”  naquela pose de olhos maiores que barriga, agitando o papão do medo.  Para amenizar o caso, terei de lembrar-me da rã da fábula, adaptada, de La Fontaine, ameaçando engolir o boi que calmamente pastava à beira do charco.
Mas o dilema é muito sério. A Magna Assembleia do Povo Portugueses, em 4 de Outubro de 2015,  nunca será presidida pelo medo de ter medo. Dos fracos e dos indecisos não reza a história! E não esqueçamos o velho aforismo: A força dos fortes é o medo dos fracos.
27.Set.
Martins Júnior