terça-feira, 17 de novembro de 2015

HISTÓRIAS ANTIGAS QUE AS VISITAS NÃO CONTAM



Como nos ensina a oralidade popular, se “o mal ou o bem à face vem”,  ficámos sem saber, ao menos pelo semblante cavernoso de Cavaco,  se o “Sr. Silva” sempre descobriu aqui a “pólvora” para formar o arsenal do próximo governo de “iniciativa presidencial”. Aguardemos  se cumpre ou não a incógnita que deixei na minha última exposição. Agora, o que fica de pé é o passeio alegre de uma múmia ambulante que aqui veio deliciar-se com a criação dos peixinhos em cativeiro, medir o tamanho da banana madeirense, cheirar a farinha de batata doce (todos o ouvimos na comunicação social) e  tilintar os garfos em jantares pagos por nós. Tudo isto, enquanto o país inteiro está parado --- espera aí, sentado --- com orçamentos congelados, planos na gaveta, iniciativas e obras na barriga de aluguer, empresas em sinal intermitente e, sobretudo, a economia, o Povo sem poder seguir viagem.
    Perante a magnitude dos problemas em equação e o clamor de todo o país, , quer à esquerda quer à direita, o nosso “conselheiro Acácio” atira à frente, como um buldózer, o maxilar inferior e abre caminho para emitir uns monossílabos entaramelados, tais como “eu sei, eu sei muito bem”…ou “eu estive, em 1987, cinco meses num governo de gestão”. É preciso haver um madeirense bobo para envergonhar a nossa ilha e suportar “bobagens” destas. Aplicar em tempos do século XXI receitas do século passado! Preciso é também ser um acabado exemplar do bota-de-elástico salazarento a quem nem faltava o mesmo tique de falsete enfatuado. Deve ser a sina da Madeira: servir de “albergue espanhol” a presidentes fora-de-prazo, já desde os tempos do ditador Fulgêncio Baptista, de Américo Tomás e Marcelo Caetano…
Quero com isto dizer que Cavaco, primeiro tinha de dar conta da sua responsabilidade, a de dar posse a um novo governo de Portugal, seja ele qual for, e depois teria todo o tempo do Natal e Ano Novo para espraiar-se na ilha e andar a cumprimentar com o chapéu alheio, em almoçaradas e inaugurações quantas quisesse. Assim, é usar e abusar da nossa condição de ilhéus perante todos os portugueses.
Mas quero com isto dizer mais. De entre todos os governantes e Presidentes da República, Cavaco foi o que mais maltratou a Região. Recordo, para quem desconheça, que foi ele, enquanto Primeiro Ministro, que  obrigou a Madeira a pagar “já” a dívida a Lisboa, através do  leonino e famigerado  “Protocolo de Reequilíbrio Financeiro”. Aí encontrou no presidente do governo regional de então  um aliado tão insensível e implacável como ele, ao ponto de forçar as Câmaras, todas PSD,  a assinar “de cruz” o referido Protocolo, em virtude do qual ficaram as míseras tesourarias dos municípios madeirenses obrigadas a pagar as obras inauguradas pelo governo regional. Uma única houve que se recusou, a do Ponta do Sol. Posso dar o meu testemunho pessoal do quanto foi penoso para o concelho de Machico ter direito a receber 33.000 contos  mensais por via da Lei das Finanças Locais e,  feita retenção na fonte  já em Lisboa, recebia apenas 1/3, ou seja 11.000 contos que nem chegavam para pagar salários!  Tudo isto me caiu em cima das costas nos dois mandatos à frente da Câmara Municipal de Machico, totalizando a soma de 1 milhão e 800 mil contos,  isto é, em moeda actual 9 milhões de euros. Não foi Vasco Gonçalves nem Mário Soares nem Guterres. Foi o Senhor Cavaco Silva, conluiado com o antigo inquilino da Quinta Vigia. Foi também nessa altura que, perante os meus protestos contra aquilo que consubstanciava uma grave intromissão na autonomia administrativa e financeira dos municípios, sim, foi então que o quase vitalício ocupante da Quinta esbracejou e aos quatro ventos proclamou como dogma: “Cavaco Silva é um bom madeirense, o Pe. Martins é um reles cubano”!
Enfim, cenas herói-cómicas de uma ópera bufa que é preciso recordar  e  descrever como “persona não grata” quem deveria ter chegado cá e pedir perdão pela extorsão que fez aos municípios madeirenses.
Não é, pois, gratuita ou partidária a atitude adversa que nutro pelo visitante na hora do “canto do cisne”. Vem de longe, com justificados motivos, pelo mal que nos fez.  E vem de perto, pela mais cega incongruência do seu  argumentário.  Na Madeira, botou palavra e exigiu de todos os países europeus uma resposta à altura sobre os trágicos acontecimentos ocorridos em Paris. E definiu, de dedo em riste: “uma resposta rápida”!
E, para Portugal, que é nosso e não é seu, que pasmada resposta anda a remexer?... Mexa-se e dê a “resposta rápida” que o Povo urge.
Da minha parte, com os dois “dias ímpares” , apenas pretendo observar que  o “bom madeirense Cavaco” está enganado se pensa  ver em cada conterrâneo nosso o carinhoso sorriso das cagarras que visitou nas Selvagens.

 17,Nov.15
Martins Júnior