segunda-feira, 9 de novembro de 2015

PRIMAVERAS NO OUTONO


       São de sol e azul os dias primeiros deste Novembro em flor. E é nessa onda aberta que me apetece surfar. Não para falar do clima que a tradição  chama “verão de São Martinho”,  mas para trazer à varanda da tarde três acenos de primavera que nos chegam, de perto e de longe. No meio de nuvens negras como aquelas que cada vez mais escurecem os nossos ecrãs domésticos,  é bom e é saudável encher os pulmões de ar fresco, sobretudo quando ele sopra de desertos longínquos…
O primeiro veio de Myanmar, antiga Birmânia, onde uma mulher, prisioneira da ditadura durante 21 anos, acaba de  ganhar as primeiras eleições livres do seu país  e abriu o caminho para ascender à cadeira de Primeiro Ministro.        É uma epopeia de luta e martírio a sua vida de 70 anos de idade. Defensora dos Direitos Humanos, foi galardoada em 1991 com o Prémio Nobel da Paz, mas impedida de o receber pessoalmente, o que só veio a concretizar-se   em 2012, após a libertação da prisão militar.  Lição de vida e bandeira de esperança para todos os resistentes como ela! Por muito que   custe subir a montanha é lá o lugar vitorioso do nosso Povo.
         A segunda aragem primaveril, lufada de ar puro sobre os antros da podridão, vem de Roma. Pensarão os puritanos do embuste “sagrado” que se trata de um escândalo indigno de apresentar-se à luz do dia. Mas não. Pelo contrário, fez-se luz nos hipócritas aposentos do Tesouro do Vaticano, onde campeia a corrupção, contra a qual tanto se tem batido o Papa Francisco, ao ponto de ver-se rodeado de lobos rapaces, travestidos de cardeais.  Os dois livros recém-publicados abrirão os olhos ao povo crédulo que nem imagina que as “esmolas”  que dão à Igreja não revertem para os pobres mas correm sigilosamente  para os cofres particulares, neste caso para os grandes bancos e para acções em companhias petrolíferas.  
O terceiro sopro de Primavera chega-nos da enigmática Singapura, onde dois povos irmãos, mas desavindos desde 1949, deram as mãos, quando os dois presidentes, Xi Jinping, da China, e Ma Ying-jeou, de Taiwan, puseram fim a quase sete décadas de hostilidades fratricidas.  Exemplo de conquista democrática dos valores que seguram a nação, os dois governantes descobriram o conteúdo da velha máxima: “É a união que faz a força”.
Não obstante a aluvião  das desventura que todos os dias nos atacam  os olhos e a alma, é consolador e construtivo para o corpo e para o espírito sentir passar pelo rosto a brisa suave de notícias positivas. No mesmo feixe de optimismo saudável,  junto a Aliança “Povo- MFE” (Movimento das Forças de Esquerda) que neste outono português nos brinda com a nova atmosfera política de merecida Primavera.

9.Nov.15

Martins Júnior