sábado, 7 de novembro de 2015

SAUDAÇÃO E APELO



Tinha  eu preparado esta minha saudação ao deputado Edgar Silva desde o dia em que se apresentou como candidato à Presidência da República Portuguesa. Na minha saudação, porém, estava implícito um outro desiderato de maior envolvência nacional. Hoje, sábado, com redobrado entusiasmo, retomo a iniciativa, pelos motivos que mais abaixo mencionarei.
Num primeiro olhar, seja-me permitido registar --- lamentavelmente, reconheço --- a fraca repercussão na comunicação social regional  daquilo que deveria ter sido  notícia de grande plano: um homem ilhéu, madeirense de gema, escolhido pelos órgãos  da sua formação partidária para aceder, como candidato, à mais alta magistratura da nação. Para mim, este acontecimento insere-se na esteira gloriosa e dinâmica de certos vultos ilhéus na vida política do país, destacando-se, em primeiro lugar, a personalidade ímpar de Manuel de Arriaga que, embora natural dos Açores, foi deputado pelo Funchal em 1883, repercutiu o mandato nos alvores da República, em Abril de 1911 e  culminou o seu estatuto político na primeira eleição democrática pós-1910 como Presidente Eleito da República Portuguesa em 24 de Agosto de 1911. Outro nome ilustre foi Manuel Gregório Pestana Júnior, nascido no Porto Santo em 16 de Agosto de 1886, figura incontornável da luta contra a ditadura, tendo exercido o cargo de ministro das Finanças em 1924. No mesmo roteiro de políticos madeirenses de relevo nacional, vejo ainda o general José Vicente de Freitas, natural da Calheta, que chegou à Presidência do Conselho de Ministros em 1928.
Interpreto, pois, a candidatura de Edgar Silva nesta linha de afirmação da identidade insular promotora da unidade nacional. Creio firmemente que a sua escolha não foi o resultado de exclusão de partes, pelo contrário, constituiu uma prova da sua resistência a um regime opressor e injusto e, por isso, merece a nossa  melhor atenção. Viu-se na sua apresentação pública um político maduro, interventor  (q.b. a um Presidente da República)  que agitará, juntamente com outros que se posicionam no panorama português, uma nova consciência nacional e a necessidade de um voltar de página neste ambiente de promiscuidade, senão mesmo de proteccionismo a um executivo que não hesita em sacrificar o seu Povo para pavonear-se em Bruxelas, à custa do sangue, do suor e até de lágrimas incontidas dos portugueses.
E é precisamente nesta direcção essencial que tinha preparado a minha saudação:  Que o deputado Edgar Silva utilizasse a sua magistratura de influência (que já a possui por mérito próprio)  junto do seu partido afim de que selasse inequivocamente o apoio ao acordo de convergência de Esquerda na construção do novo Portugal que está a nascer. O Povo Português, consubstanciado nos partidos da oposição, votou absolutamente contra a coligação anterior. E nenhum de nós pode deixar perder esta oportunidade única, sob pena de traição à soberania popular. Verdade que já vimos a luz ao fundo do túnel com a manifesta anuência do BE e do PCP, através dos compromissos publicamente assumidos. Mas é estruturalmente imperativo que se não deixe nenhuma brecha por onde se queira introduzir  a enguia matreira do julgamento presidencial para fugir à Constituição  no que se refere à indigitação de um outro Primeiro Ministro. Está chegando a hora de criar a tão almejada   hora da  Aliança  “Povo-MFE” , isto é,  Povo-Movimento das Forças de Esquerda.  Ainda que seja preciso baixar as armas do “fogo amigo”, limar arestas, distribuir faseadamente  no tempo ideais e soluções estratégicas originais. Como já o afirmei, há um bem maior a defender: demonstrar que a Esquerda sabe unir-se mais que a Direita, quando está em causa o supremo interesse do Povo Português.
“Les jeux son faits” ou “os dados estão lançados”,  bem poderia dizer Sartre nesta hora de combate entre mentalidades e metas.  Hesitar é perder.
Se o candidato Edgar Silva promover dentro das suas fileiras este indestrutível “sentimento nacional”, então terá construído os degraus de basalto rijo para que suba a Belém um Timoneiro Ideal que leve a bom porto a “Jangada de Pedra” que é Portugal.

7.Nov.15

Martins Júnior