domingo, 29 de novembro de 2015

VIGÍLIA E SAUDADE DE 30 DE NOVEMBRO --- VINDE E VEDE!


Hoje é tempo de vigília. De espera por alguém que traz na mão o facho olímpico da Ideia regeneradora de todo mundo habitado: de ontem, de hoje, de sempre. Propositadamente conjugo o verbo no presente --- “traz na mão” --- porque  é de ontem, de hoje e de sempre aquele que esperamos surgir na madrugada de 30 de Novembro.
Foi em 1773. No sitio dos Moinhos, entre Banda d’Além e Graça, freguesia de Machico, “em pobre, sim, mas paternal morada” viu “a primeira luz do sol sereno” o Nosso Camões ou Camões Pequeno, como então lhe chamaram ---  de nome próprio Francisco Álvares de Nóbrega. O sudário exangue que foi toda a sua vida será amanhã evocado no Salão de Actividades da Junta de Freguesia, numa iniciativa desta autarquia e da “E-FAN, Estudos Nobricenses”, a associação que tem desenvolvido estudos vários sobre Francisco Álvares de Nóbrega, sobretudo a partir de 2006, aquando das comemorações do bicentenário da sua morte, aos 33 anos de idade.
A mensagem deste  Senso&Consenso  tem por objectivo único convocar, ou longe ou perto, quem se sinta movido pelos ideais que determinaram a trajectória, a um tempo, gloriosa e dolorosa deste nosso ilustre conterrâneo, os eternos ideais da Liberdade, Igualdade e Fraternidade que, oriundos da Revolução Francesa, viajaram triunfalmente até aos mares da Madeira. Por eles deu a vida. Injustiçado e preso nas masmorras do Limoeiro, sob os ferros da Inquisição, ele conservou sempre a aura interior da paz dos justos e os louros dos poetas de outrora
No palpitante drama histórico Frei Luis de Sousa  de Almeida Garrett, o velho aio Telmo,  debruçado sobre a campa de Luis Vaz de Camões exprimiu nestes termos o seu maior panegirico e a sua mais profunda mágoa: “AQUI JAZ A MAIOR ALMA QUE DEITOU PORTUGAL”. Do mesmo modo, nesta vigília de homenagem e encantamento, apraz-me repetir com toda a justiça: AQUI NASCEU A MAIOR ALMA QUE MACHICO DEITOU AO MUNDO”.  
Não se lhe conhece o rosto,  nem sequer o cemitério, em Lisboa,  onde foi anonimamente sepultado. Simbologia perfeita de um homem que bem pode considerar-se Cidadão da História: de ontem, de hoje, de sempre!
Amanhã, a partir das 20 horas,  no local supra-indicado,  teremos o gosto e a saudade de  descobrir as pegadas dos seus passos que. muito antes de nós, traçaram rumos de arte e libertação, como pioneiro dos tempos futuros. Os nossos tempos!

29.Nov.15

Martins Júnior