terça-feira, 19 de janeiro de 2016

CANTO PERENE JUNTO AO PORTÃO ENTREABERTO…



Do Portão Grande da Saída só se lhe conhece o ranger dos gonzos  com que se entretêm os que, aguardam a sua vez na sala de espera a que chamamos vida .
São lembranças doces, atributos, metáforas, hipérboles, missas, ofícios e discursos – o ruido da praxe que ao viageiro finado já não interessa. Também acompanho o “Coro dos anciãos”, recordando os tempos moçambicanos quando os dois – António advogado e João Juiz, meu irmão -   conviveram na vetusta Lourenço Marques, hoje Maputo.
Recordo o “Padrão Constitucional” que foi   António de Almeida Santos, simultaneamente autor do Estatuto Político administrativo  Provisório da RAM que vigorou entre 1976 e 1991.
Eles partiram, sobraçando  a história que fizeram.
Nós, os candidatos, ficamos com a saudade. E a saudade é a pedra, o tijolo – ou livro ou filho ou  arvore – que ajuntámos ao grande monumento que, por enquanto, habitamos.
Cinco luas passarão cinco décadas rolarão… e da pedra ou do bloco que colocamos nem o nosso nome restará. Mas lá estarão transfigurados, como degraus de uma escada, o livro, o filho, a arvore, a pedra  o tijolo que deixámos antes de transpor o Grande Portão da Saída.
Por isso ficará sempre connosco António de Almeida Santos!

19.Jan.16

Martins Júnior