quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ÀS 87 VIDAS DE ALIPIO DE FREITAS


Hoje não posso deixar passar. É dia de demorar-me, colado à porta do nº 87 desta estranha via-rápida que é a vida, todas as vidas que fazem a história!
É que 87 anos não são mais que a caixa miniatural onde não cabem os limites sem limite de um Homem que se ergue, gigante, “boina de marujo ao lado”, olhos vendados que distinguem a paisagem-longe, inatingível à multidão de retina escancarada.
Alípio de Freitas --- Sacerdote, Profeta e Rei da nova aliança: Terra feita altar --- Palavra feita espada --- Império feito campo liberto, pertença dos proletários do mundo inteiro!  Ele que deu vista aos cegos, acabou perdendo-a para o mundo e abrindo-a para o invisível infinito.
         Bem quisera estar hoje na nossa casa comum – Associação José Afonso – e cantar-te a canção que ele te dedicou. A canção total que começa em Bragança onde nasceste; percorre a ditadura militar no nordeste brasileiro (São Luis do Maranhão) onde Vieira arrancara o mais vibrante “Grito do Ipiranga”, soltou-se para o México, voou para Moçambique e soergeu-se sempre sobre os escombros das prisões, da tortura, do exílio a que sucessivamente  te condenaram. Até que chegou, enfim, a “Alvorada de Abril”.
         Ainda serás capaz de cumprir, assim espero,  o combinado aí na AJA: vir à Madeira içar  o estandarte da liberdade no mastro da luta que perdurará até ao fim dos tempos.
Enquanto não e enquanto procuramos a dura biografia dos teus passos, ficamos com a voz do Zeca no poema cantado que te escreveu:  

Ao lado dos explorados
No combate à opressão
Não me importa que me matem
Outros amigos virão

Diz Alípio à nossa gente:
Quero que saibam aí
Que no Brasil já morreram
Na tortura mais de mil

Um abraço atlântico de parabéns, Alípio, o Grande!

17.Fev.16
Martins Júnior