quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

ATÉ QUE ENFIM! COMEÇA A ESCREVER-SE A VERDADEIRA HISTÓRIA DE “MACHICO - TERRA DE ABRIL”


Um dia novo está rasgar o mítico horizonte das terras de Tristão Vaz. Chamo-lhe mítico, porque a sua história tem andado encoberta na névoa de um passado longínquo, desde os alvores da Descoberta, relativamente ao qual os fazedores de estórias nem sempre têm dignificado a inteireza da História desta que foi a primeira capitania da Madeira. E se isto se diz de seis séculos de transcorrência no tempo, com maioria de razão se pode e deve afirmar sobre as quatro décadas nascidas no “25 de Abril” de 1974.         
         Por isso, foi hoje um dia novo, um dia exaltante aquele que, entre as quatro paredes da reitoria da secular “Universidade Jesuíta”, viu nascer “a primeira luz do sol sereno” (diria o “Nosso Camões”, Francisco Álvares de Nóbrega) sobre a verdadeira História de Machico na construção e consolidação da Revolução dos Cravos em Machico e na Madeira, através da apresentação, defesa e classificação da tese de mestrado do Dr. Lino Bernardo Calaça Martins, intitulada “O CENTRO DE INFORMAÇÃO POPULAR–CIP” e o seu lugar de charneira no processo revolucionário das suas gentes, enquanto polo aglutinador das reivindicações de um Povo que, desde muito longe, almejava libertar-se das amarras do absolutismo monárquico e, mais recentemente, da repressão  fascista do, malogradamente chamado,  “Estado Novo”.
         Deixarei para outra oportunidade e outro local a qualidade da prestação do “Candidato a Mestre” para tão-só (e julgo ser tudo o que ele mais anseia) acentuar a amplitude do periscópio através do qual Bernardo Martins capta a realidade dos factos, a diversidade e a riqueza das lutas populares, as muralhas da nova ditadura pós-25 de Abril impostas pelos poderes governamentais e pelos reaccionários do bombismo, enfim, toda a conjuntura  socio-económico-cultural que foi preciso enfrentar e ultrapassar, quase sempre pela iniciativa dos vários sectores profissionais de então, com especial menção para os camponeses, as bordadeiras, os pescadores e operários da construção civil, dando especial relevo à população do Caniçal e da Ribeira Seca.
         Esta é a obra que faltava para a compreensão do fenómeno chamado Machico na alvorada de Abril. Para não desdourar o seu brilho e para não obviar à natural curiosidade dos muitos madeirenses que desejarão tomar contacto directo com o exaustivo e proficiente  trabalho de investigação  do Dr. Bernardo Martins,  (que esperamos ver  publicado brevemente em papel impresso e nas redes sociais) concluo esta boa nova com um efusivo abraço de congratulação,  associando-me aos muitos amigos e intelectuais ligados a Machico que, com a sua presença, renderam justa homenagem ao novo Mestre.

           11.Fev.16
         Martins Júnior