segunda-feira, 25 de abril de 2016

SEM LEGENDA E SEM PALAVRAS


Inclina o rosto sobre a areia que demarca a fímbria do mar. Com a ponta do dedo desenha um círculo. Enche-o de cravos vermelhos. Depois,  faz de cada corola um acorde e de cada pétala uma voz suave e plena, caída do ar que respiras. Aí tens Abril em Machico, no paralelo maior que o atravessa – o 25!
Se quiseres, pega no círculo, do tamanho de um punho fechado, e amplia-o, fá-lo crescer até ficar igual ao globo terrestre. Fica com a certeza, porém, que pode vir o mar em maré cheia, vaga sobre vaga … e não haverá onda capaz de apagar a  obra de arte que desenhaste na areia.
Foi assim o Dia Memorável do ano 42 transcorrido e  transcrito na concha azul da nossa baía!


A zona ribeirinha abriu os braços e apertou ao peito gentes das cinco freguesias do concelho, de todas as idades e de todos os desejos libertadores, de ontem, de hoje e de amanhã. No chão antigo, na copa das árvores seculares, na brisa marinha e, sobretudo, no brilho dos olhos, regurgitavam canções da Primavera dos Cravos, desde a “Grândola-Vila Morena” até ao “Machico-Terra de Abril”.
         Viu-se, ouviu-se, sentiu-se Abril em terras de Tristão Vaz!
          E tanto basta, para dispensar palavras que, mesmo as não usadas, seriam palavras gastas. Deixem que eu me perca e sonhe como uma criança no berço de outrora. O berço que, juntos, fizemos! Que Machico construiu!



                                     Ó Terra Nova, raiz de um mundo novo
                                    Gente de luta mas formosa e gentil
                                    Tu serás sempre a voz do nosso Povo
                                   Machico sempre - sempre Terra de Abril

25.Abr.16
Martins Júnior