quarta-feira, 11 de maio de 2016

BATALHÃO DE CRIANÇAS FARDADAS DE AMARELO

             


Por hoje, vou ficar-me pela mera factualidade do quotidiano, prescindindo de palpites, conjecturas ou ideologias. Embora tudo isto seja indissociável da interpretação factual, deixarei os seus conteúdos para análise futura. Sobretudo, porque, no caso em apreço, do que mais se tem falado é de ideologias colaterais em vez de constatar os factos reais.
Refiro-me ao tumulto que se levantou no país inteiro depois que o Ministro da Educação propôs – ainda sem decisão legislativa – acerca do magno problema da bifurcação do ensino em Portugal: o público e o privado. Que caminho a seguir perante duas soluções para um mesmo problema: deverá  o Estado subsidiar escolas privadas na freguesia ou no sítio onde tem a seu cargo escolas públicas?
Vamos aos factos. Aqui em Machico-Freguesia, a partir das zonas exteriores ao perímetro urbano, mais precisamente, Piquinho, Caramanchão, Preces, Maroços,  Ribeira Grande, Ribeira Seca, Poço do Gil. Em toda esta área, funciona uma escola privada e duas públicas. A escola privada possui 146 alunos. Das públicas, uma tem  67 alunos e a outra 73. Feitas as contas, a escola privada ultrapassa o total das duas escolas públicas. No entanto, estas têm capacidade (falo da escola da Ribeira Seca, com oito salas) para receber o dobro dos discentes. Aliás, este estabelecimento foi construído após lutas resistentes da população contra a inércia do governo. É dotada de parques de recreio e desporto, cantina e demais anexos inerentes à função educativa. Mais gravosa é a condição do confortável estabelecimento escolar do Caramanchão-Preces que se encontra encerrado.
E logo sai a primeira pergunta: será legítimo que o Estado deixe ao abandono instalações e equipamentos modelares e vá subsidiar uma – só uma! – escola privada dentro da mesma circunscrição geográfica?... Poderá o Estado atirar ao entulho da  degradação  um imóvel construído com os impostos da população?... Deixa vazias as suas escolas para abarrotar de gente uma – só uma” – escola privada!
Daqui saem aos pulos sérias perguntas, reflexões, futuras  conclusões. Limito-me a transcrever o comentário de uma docente: “As nossas escolas públicas ficam sem alunos porque estes são desviados para aquela escola privada”.
Neste entendimento, deixo  à consideração de quem me lê uma serena, mas imperativa incógnita: “Não estará este caloiro governo regional  a destruir propositadamente a escola pública?... Que interesses estão em jogo nesta contraditória política da educação”?!
         Estamos, pois,  perante duas concepções de ensino: uma do governo da República, outra do governo da Madeira.
Enquanto se esperam respostas, transcrevo episódios que toda a gente viu na TV,  desenfreadas manif´’s  contra  a defesa da escola pública, proposta  pelo Ministério da Educação.   Logo à cabeça, uns exemplares de gente adulta, docentes em evidência, vestidos de amarelo, empunhando valentes cartazes. Gente que até há pouco tempo amaldiçoava  e fugia a tudo o que cheirasse ao suor dos trabalhadores em manifestações públicas!  Na retina ficou-me a imagem daquele homem graúdo, bigode farto à D. Carlos e olhar fulo à moda do Hitler, diante do batalhão de miúdos: “Contra os canhões, marchar, marchar”.
         O mais “enternecedor”, porém, foram os cordões (des)humanos de crianças à chuva e ao vento – e à força – ditando para  as câmaras frases (argumentos!) como este: “Quero estudar nesta escola (particular) porque foi aqui que a minha mãe andou”. Para completar esta “força forçada” dos aprendizes manifestantes, só faltava o toque da massificação mais absurda e inimaginável:  fardar as crianças todas de amarelo, um amarelo esgotado nos armazéns da feira. O anafado  ditador comunista da Coreia do Norte não teria feito melhor às suas tropas acéfalas em parada.
         Perante os factos, cada qual tirará as suas conclusões.
Terei a oportunidade (o direito e o dever) de fazê-lo mais adiante.


11.Mai.16

Martins Júnior