domingo, 29 de maio de 2016

“O PERIGO” DA FEBRE AMARELA

     Oxalá não salte para a Madeira. Já por aqui temos a aedes aegypti. Chega de pragas afro-asiáticas!
Deixem-me começar assim, porque a epidemia que empestou Lisboa neste domingo à tarde não merece outro trato. Diz-me como andas e dir-te-ei quem és – assim poderá traduzir-se o sábio ditado popular. Nem pergunto o que andas a fazer, apenas vejo a corda bamba em que te movimentas. É disto que vou ocupar-me  – sem prazer nenhum, muito pelo contrário! – nesta nossa convívio epistolar.
Os corifeus da “tragicomédia” amarela, caída em Lisboa  como um vespeiro, espremem-se no torno do varão  em piruetas  tais que só degradam e arrasam os argumentos que porventura  pudessem apresentar. Vamos desbobinar o filme da sem-vergonha e monitorizar rapidamente os ingredientes inenarráveis deste bosão de falácias e desonestidades que se destroem em cadeia.
A 1ª - a mais abusiva e escandalosa de todas, é fazer das crianças carne para canhão, pondo miúdos e adolescentes como escudos à frente dos adultos vociferários sem destino, num claro descrédito da sua função de educadores. Porque é destes que se trata. E dos seus interesses privados ou corporativos.  Quanto às crianças, elas já estão protegidas, pois  terão sempre a escola garantida no serviço público.  
 A 2º - tem a ver com os milhares de cartas escritas ao Senhor Presidente da República “pelo próprio punho dos meninos” … quando se sabe, por denúncia dos pais, que o texto foi escrito no quadro preto para cada aluno copiar durante a aula.
A 3ª – não merece comentários: “Já os pais destes meninos estudaram aqui, agora são os filhos e também ficamos à espera dos netos para se  matricularem cá” – diz a directora à repórter da TV.  Olha o passarinho amarelado: as dinastias da monarquia colegial!
A 4ª – esta só de garoto insolente:  “O Senhor Presidente da República está do nosso lado” … o que levou Belém a um desmentido formal.
A 5ª – mais uma da mesma ninhada: “O Tribunal de Contas deu-nos razão” --- quando, afinal, se tratou apenas de um parecer de um consultor da instância, mas sem qualquer homologação do mesmo Tribunal.
A 6ª – cheira a magia negra, com manifestantes desfilando em cortejo nocturno e velas – também amarelas – nas mãos,  em honra sabuja à Senhora de Fátima na Cova da Iria! Arrepiante pelo que tem de repugnante: entregar a Nossa Senhora o Ministério da Educação, ou seja, a “5 de Outubro” (Lisboa) recambiada para a Capela dos Pastorinhos”. Incrível!
A 7ª – violentar, ou ao menos, jogar crianças para o turbilhão da manif, frente à AR – crianças do norte de Portugal que nunca tinham vindo a Lisboa e “praxá-las” no meio daquilo que os seus promotores, os adultos piedosos, antes classificavam de gritaria e barbárie. Quem os viu e quem os vê!
A 8ª – muito original: “É a primeira vez que se vê (sic!) em Portugal dezenas de milhares de pessoas a lutar por uma causa”. (Reportagem TV)…  De que estância polar terá vindo este professor-profeta com cara de menino do coro? A amnésia já não é deficiência, é o cúmulo do ridículo!
A 9ª – é um ramalhete, cerejinha amarela num bolo desbotado: os senhores  deputados do PSD e do CDS à frente do “rebanho” na escadaria da AR! Afinal, os parlamentares trouxeram para a rua as bancadas do Parlamento. Belíssimo! Agora falem do Jerónimo, do Louçã, da Catarina… Quem cospe para o ar……….
A 10ª e a 11ª e outras mais. Já me cansa a cabeça e fogem-me os dedos de todo este novelo de “aprendizes de feiticeiro” que, como Maquiavel, não olham a meios para atingir os fins.  Camuflados, dizem defender o superior interesse do aluno, mas no fundo, o que está é a inferior cupidez dos adultos e respectivos privilégios.
Da febre amarela e da cólera-morbus – Livrai-nos, Senhor!  

29.Mai.16
Martins Júnior