sábado, 23 de julho de 2016

A CADA SÁBADO A SUA FESTA E A CADA DOMINGO O SEU CANTAR




 Porque Sábado é  dia de ter direitos!  Direito ao lazer e ao prazer após os sete dias da criação. Direito de ter festa. Há-as ruidosas como metralhadoras e há-as sobredouradas de lantejoulas fugazes. Há-as, ainda, opulentas do barroco musical e rococó amaneirado na decoração, na liturgia, no requinte do protocolo.
         Hoje, apenas canto a Festa do Povo na centralidade dos eventos felizes. Tem duas faces bivalves a nossa Festa: aquela, interiorizada, que começa com a chamada a reflexão comunitária  do Perdão e a outra, efusiva e vistosa,  para exteriorizar o prazer conquistado ao longo da semana.
         É essa a nossa Festa. Começou pela evocação assumida da interioridade inata que há em nós e  leva incondicionalmente aos actos do Perdão, porque sem Perdão não Festa!  Foi o dia de sexta, 22 de Julho. A outra é a festa franqueada e fresca que nos dá asas para voar e voz para cantar. Cantámos hoje, na grande cimeira solidária entre crianças, jovens e adultos. A tuna fez jorrar de mãos frágeis, inocentes, pulsões profundas de júbilo contagiante, através da grande Ode à Alegria. As canções e bailados intergeracionais – pais e filhos no mesmo embalo “doce e ledo” – continuam a ser o pão e o vinho de quem desbrava a vida sem rodeios nem fronteiras.  A Eucaristia de Sábado prolonga-se até ao cantar de Domingo, rediviva em 24 na celebração festiva, às 18 horas, altura em que o grande pedagogo da espiritualidade, o Padre José Luis Rodrigues, dirigirá a mensagem ao Povo.
         Entre a tradição e a modernidade – eis o traço característico das nossas festas. No amplo adro da Ribeira Seca, o nosso salão de festas,
cheiinho como a maçã do Paraíso, respira-se a alma pura das gentes e recupera-se a vitamina poderosa contra as viroses supervenientes.    
 “Porque hoje  é Sábado”… temos esse direito!

         23.Jul.16   
Martins Júnior