domingo, 17 de julho de 2016

DIA DE ESQUECER… PORQUE É DIA DE LEMBRAR !


Escrevo debruçado à janela deste domingo, 17, olhando a paisagem de segunda, 18 de Julho. E ela, a paisagem, é toda branca. E azul e verde marinho. E ametista e ouro astral. Só “porque um Menino nasceu, foi-nos dado um Príncipe da Paz”, tal como os profetas messiânicos anunciaram ao povo judeu, desesperadamente amarrado ao cepo da guerra e mais desesperadamente sedento da verde planície sem termo.
Não esqueço as magmas abissais onde me deitaram a dormir, prestes a estourarem os miolos de todo o universo. Mas hoje tenho saudade – mais que saudade, sinto a  orgia incontida – de ver estendido à minha frente o lençol de água refrescante nestes dias de sufoco. Deixem-me recostar a cabeça, nem que seja por um dia, na almofada suave e segura a que todos temos direito.
E esse dia abre-se hoje diante dos meus olhos. “Porque um Menino nasceu”. Continuo a citar, sem esforço, sábias inspirações de antigas   canções:  “Não sei que nome te hei-de dar”, ó Dia Singular!…
Quisera transformar em poema, sem rima nem métrica, tudo quanto me acompanha hoje e amanhã, como um bordão de Moisés, nesta escalada até alcançar o inalcançável Monte Sinai, a Promessa de um Mundo Novo. Ficarei embebido em êxtase, contemplando um manto de negritude que , magicamente, tornou  brancos e diáfanos os farrapos de sangue inocente.
Foi-nos dado um Menino!
O Menino chama-se Nelson, nascido em 18 de Julho de 1918. Mandela ou Mandiba deveria ser hoje e amanhã  a abóbada celeste que nos contém,  o chão universal que nos mantém.  O colo saudoso de um coração de mãe. Ai, as inesgotáveis metáforas que eu desejaria criar! Mas de nenhuma delas tem necessidade o gigante de coração de criança. Basta-me ficar vigilante e aberto à eloquência de três citações infinitas:
“”Ninguém nasce odiando uma pessoa pela cor da pele, ou pela sua origem, ou pela sua religião, Para  odiar, as pessoas precisam aprender e se elas aprendem a odiar, também podem aprender a amar”
…………….
“Devemos promover a coragem onde há o medo, promover o acordo onde há conflito e inspirar confiança onde há desespero”.
………….
“Eu sou o capitão das minha alma”!

Vem, de novo, Mandela. Entre hoje e amanhã, calem-se as armas. Anulem-se as sanções Abracem-se as nações.

17.Jul.16

Martins Júnior