sexta-feira, 15 de julho de 2016

MULHERES AO PODER ?!


Onde acharei um pico alto ou tronco de árvore para fugir destes subterrâneos cavernoso e ululantes à minha volta? O areal de Nice já é mortalha ensopada em sangue inocente. E em cada maré desta praia redonda  em que se tornou o planeta há sempre um mar vermelho de dor, um mediterrâneo de medo e desolação.
Para onde irei?
Pois, em breves palavras, di-lo-ei sem sombra do vulcão de críticas que possa suscitar. Vou no encalce do doce cheiro de Mulher, da sua intuição persuasiva, enfim, como Umberto Eco, – mais que do nome – correrei atrás  do “Perfume da Rosa”. Essa nova  brisa, suave mas poderosa, já desce das colinas, entra pelas portas e janelas que habitamos, sobe as escadas da plebe e alcança o trono real. Como a um talismã inamovível não lhe poderemos fugir.
Preferia ficar por aqui, numa alegoria deliciante de fim-de-semana. Mas terei de decifrá-la. Refiro-me a essa onda que envolve o mundo e que reflecte a chegada da Mulher ao pódio do Poder. Não pela força das “quotas de paridade”, nem pela simpatia subtil que amolece os homens, mas por mérito próprio. As notícias que correm mundo  informam que mais duas mulheres estão prestes a juntar-se a essa plêiade feminina que terá a seus pés os destinos de nações.   Falo da britânica  Theresa May e da norte-americana Hillary Clinton, prestes a tomarem o leme desses magnatas da economia, o Reino Unido e os Estados Unidos da América.
Lembro-me de alguém, um dia,ter   expresso um voto histórico, embora escarnecido e vilipendiado por  certos pigmeus: “Como eu gostaria de ver o mundo governado por poetas”!... Da mesma forma, questionaria perante os analistas: Como é que seria o mundo governado por mulheres?
Queiramos ou não, é essa a boa-nova que cintila no horizonte. Brevemente, uma importante soma da humanidade prestar-lhes-á vassalagem, ter-se-á finado a supremacia machista do Poder.
Mas a ascensão feminina às mais altas instâncias da governação fica coroada de êxito com a nomeação de uma Mulher como vice porta-voz do Vaticano. É ela, uma madrilena, jornalista, Paloma Garcia Ovejero, de 40 anos de idade.  Os jornais de todo o mundo têm garbo em estampar em 1ª página o título :”Uma mulher entre a cúpula do Vaticano”.  Se, de um lado, se enaltece a juventude congénita de um octogenário Papa, releva-se, por outro,  a visão aberta de Paloma, em dois registo da sua primeira entrevista:” Por que razão as principais notícias da Igreja nos media hão-de ser sempre os seus pecados?... Creio que há que pôr-se um pouco de rock and rol na comunicação vaticana”.
É esta a nova aragem que trazem as Mulheres para este fim-de-semana, encharcado em sangue. Sei que, a par das guerras cruéis que nos sufocam, também fervem as “guerras de género”, assunto que merece tratamento adequado noutra altura. Mas deixem-me, por hoje, respirar o “perfume de Rosa” com que a condição feminina vai inundando o planeta.
Um mundo governado por mulheres!
Seja bem-vindo, de braço dado com os homens, e vista de optimismo, sensibilidade e amor os cemitérios a céu-aberto que o  rasto de outros tem deixado por herança.   

15.Jul.16

Martins Júnior