terça-feira, 9 de agosto de 2016

“DOMINAI A TERRA”. Prevenir ante que remediar


Quem de entre nós não sente o lume bravio a torcer-lhe os braços e a cabeça?!.
Por mais alto e belo que eu escrevesse nesta hora, tudo vergaria às garras das chamas que consomem a Ilha. Nem tão pouco fixarei aqui qualquer imagem, não me comparasse ao facínora Nero perante Roma a arder.
Apenas um instante para apertar o peito e enregelar-me nesta contradição: a Terra, o Ar, o Fogo e a Água, os quatro elementos constitutivos da vida, desde as crenças do Budismo e do Hinduísmo, transformados agora em tenazes de tortura, armas fatais para nós, beneficiários do planeta.
No coração da Madeira, “cantinho do céu”, cravou-se  a cratera do inferno!
E oiço no mais íntimo de mim mesmo o mandato do Génesis entregue ao Homem pelo Supremo Arquitecto: “Tomai  a Terra, cultivai-a e dominai-a”.
A montante antes que a jusante!
Todo o nosso, sempre escasso, mas reconhecido LOUVOR, deste mundo e do outro, para  aqueles que passaram e passam noites e dias no afã ininterrupto  –  “mais que prometia a força humana” –  para dominar em 2010 e 2016 as quatro pujantes fontes da vida: a Água, o Fogo, o Ar e a Terra!
E para nós, os que habitamos a faixa leste da Ilha, mais precisamente conterrâneos de Machico e Ribeira Seca, aonde não chegou ainda o furor cíclico dos elementos,  o meu grito enérgico, eco do mandato bíblico: “Dominai a Terra”. Dominai o Fogo. A montante antes que a jusante. Prevenindo antes que remediando!

09.Ago.16

Martins Júnior