quinta-feira, 11 de agosto de 2016

PREITO AOS INQUEBRÁVEIS BOMBEIROS



E, com eles, a todos os obreiros na luta de ontem, de hoje e de sempre, contra os incêndios, tanto no terreno, como nos hospitais e centros de acolhimento

Ninguém lhes conhece o rosto
Enfardados como pasto entre o lume e o negrume
Ei-los que avançam a golpes de machado
Contra o portão férreo em brasa
Do forno crematório
Que antes foi horto perfumado

Ninguém lhes sabe nem família nem  casa
Mas rasgam ardentes  destemidos
Os cantos retorcidos
De outros muros
Que antes foram alcova de outros fados
E hoje sepulcros de amores deserdados

Que cega onda estranha
Lhes arranca o coração
Para investir aos fantasmas  da montanha
Colar o corpo ao madeiro em cachão
Hoje  de verde-breu devorador
E antes  dossel e brisa em seu redor

Soldados da Paz
Condenados à guerra
Para salvar a Terra
E quanto nela jaz

E quando vierem as chuvas de outono
As cinzas deslizantes
São as  lágrimas frustrantes
Do bombeiro
Sem nome sem rosto sem trono

Tudo deu para salvar o terro inteiro
E aperta-lhe ao peito
A mágoa sem retorno
De não ter vencido o seu sonho perfeito

Bravo eterno guerrilheiro
A terra te agradece
Como numa prece
Nesta ou noutra primavera
As cinzas darão “flores de verde pinho”
Copadas  verdes  brancas de arminho
Tocando as estrelas do céu

Então
Será esse o teu brasão
Será esse o teu troféu

11.Ago.16
Martins Júnior