sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A CATEDRAL DA PAZ NA ACADEMIA DO NOBEL



Ui!... O  turbilhão de boas-novas que neste dia alagam de optimismo o portal das nossas casas e pedem para entrar nos nossos blog´s, os meus e os de todos os outros companheiros desta viagem comunicacional. De entre o fenómeno Guterres (que deixarei para outra altura até aos sucessos do Portugal desportivo, escolho hoje para estrela da manhã o Nobel da Paz atribuído ao Povo Colombiano  na pessoa do seu presidente, Juan Manuel  Santos.
Já, na hora própria, me congratulara efusivamente neste mesmo lugar, aguardando que o acordo assinado pelo presidente e pelo comandante “Timochenko”  visse a sua plena consagração no referendo popular, o que não aconteceu, embora por escassa minoria de votos Desoladamente, quem veio a ganhar foi o “Não”, em virtude da grande abstenção dos colombianas que, certamente, tinham como seguro o acordo firmada pelos dois líderes beligerantes.
Mas até nesta, de todo, inesperada decepção,  se avoluma o esforço heróico dos dois homens que desenterraram a Paz dos escombros sangrentos de 52 anos de luta armada. Feito memorável, agora reconhecido pela Academia. De fora, ficaram os sedentos de sangue humano, os carrascos da vingança, escravos ainda da Lei de Talião – “dente por dente, olho por olho”.
A brisa suave e pacífica que começa a soprar em países da América Latina, também fará a sua marcha triunfal em toda a Colômbia. Pouco a pouco – porque nada há mais difícil de ganhar que o conflito de mentalidades e gerações. Mas infalivelmente alcançará o tão almejado Monte Tabor!
No entanto, ninguém esquece que um acordo não é um monólogo de um actor, só,  em palco. Falta o outro polo para que se faça luz. Neste entendimento que, de resto, nem carece de demonstração, ouso aqui observar que o magno areópago norueguês ressentir-se-á, sem dizê-lo, da ausência de alguém que, por mérito próprio, deverá lá estar: o líder das FARC, comandante “Timochenko”, construtor ex aequo,  com Juan Manuel  Santos, do grande Monumento da Paz Colombiana. Tenho a certeza de que  a eventual não-convocatória daquele para a solene entregue do Nobel, por protocolares motivações da diplomacia internacional e para não ferir susceptibilidades atávicas, será prontamente aceite  pelo próprio, tendo em vista  um Bem Maior, a PAZ – gesto que mais e mais engrandece a estatura política e civilizacional do “comandante”.   
Devo, ainda assim, recordar um caso precedente, ocorrido naquele mesmo salão,  quando idêntico galardão fora entregue conjuntamente ao Bispo Ximenes Belo e ao comandante da guerrilha operacional, Xanana Gusmão,  nas montanhas de Timor Lorosae. Porque a Paz só é possível pelo encontro e pelo abraço mútuo entre as duas partes litigantes.
O mais importante e o que ficará eternamente para Memória Futura é que a Paz triunfou sobre a guerra. E, tal como em Portugal – assim o esperamos – da ponta das espingardas não sairão mais balas fratricidas, mas cravos vermelhos de um  imenso “Abril” Colombiano.

 07.Out.16

Martins Júnior