sexta-feira, 11 de novembro de 2016

AI, POVO, POVO … QUE LAVAS NO RIO…


Em dia de S. Martinho, as pessoas querem tudo, menos linguado de escrita. Porque festa é festa! Mas se por aqui hoje é assim, noutras paragens o cenário é outro: multidões em pânico, outras em raiva incontida, outras ainda prontas a avançar contra os muros, com risco da própria vida
.        Quem viu o Dia Seguinte à eleição do supermilionário americano,  não conseguiu ficar sereno, impassível, perante o desespero de milhares de gente  apinhada em várias cidades, protestando com veemência contra a opção democrática pelo actual líder. Parece que, de repente,  todo o Povo acordou, enfim, aturdido aos gritos, como que dizendo: “Mas como foi possível chegar a isto?... Talvez que entre a multidão houvesse algum abstencionista. A comunicação social informou que muitos americanos, dando crédito às sondagens, excusaram-se de votar. Hillary tinha a vitória garantida.
         Afinal, foi um retundo revés. Certamente bateram no peito e disseram-se intimamente: “O que eu fiz! O que nós fizemos, com a nossa abstenção”! Mas já era tarde demais. Desolada, envergonhada, caída ficou a Estátua da Liberdade. À espera que um dia alguém a erga e lhe restitua o brilho da Vitória.
         Não só nas cidades americanas, mas também em Londres, na votação do Brexit. A população demitiu-se do referendo e o SIM ganhou. Estava desunido o Reino Unido. Movimentações, muitas e ameaçadoras, agitaram a paz fleugmática dos ingleses e o fantasma  da independência da Escócia voltou a alçar-se  em pleno espaço. Com a fundada, embora frágil, expectativa de que estava segura a pertença da Inglaterra ao compromisso europeu, ficaram na praça, na praia, no divã.  E agora? Cuidados redobrados, juras de indignação e protesto. Tarde demais! Resta-lhes a esperança do poder judicial que manda levar ao Parlamento o resultado do referendo, para ratificação em plenário.
O Povo é sempre o mesmo em toda a parte. Na Colômbia, as cúpulas do poder político e das FARC’s  selaram a Paz definitiva, pondo termo a 52 anos de atrocidades mútuas. No entanto – surpresa das surpresas – o referendo, que  se esperava positivo, acabou negativo. Motivo: todos tinham por adquirido o Acordo de Paz, previamente assinado pelas autoridades. E não foram votar. Perderam. Tarde demais!
Sem mais comentários. Lá e cá maus fados há. Aprenderemos a lição?... Enquanto isso, faço minhas (e adapto-as) as palavras do grande poeta Homem de Mello para a voz de Amália, dirigindo-se ao Povo português, também ao Povo ilhéu, enfim, ao Povo universal:

Povo que lavas no rio
E talhas com o teu machado
As tábuas do teu caixão

Não do “meu”, mas do “teu”.
Quantas vezes são as próprias pessoas que talham as tábuas do seu caixão!...
Construamos berços de sonhos e pontes de esperança. A sério! E enquanto é tempo!



11.Nov.16
Martins Júnior