terça-feira, 15 de novembro de 2016

DECRETO-LEI: A CANÇÃO NÃO SE DEFINE --- AMA-SE!


Já está na rua o decreto
Em vigor antes de promulgado:
Proibido escrever em todo o lado
Do mais solene ao mais secreto
Sobre quem morre a cantar

Não lhe manches o poema
Não perturbes as pausas longas
Nem lhe mudes a canção

Oh a canção hipnótica  lunar
Essa
Leva-a contigo aonde tu quiseres
Semeia-a lá onde a terra acaba e o céu começa
Perfuma o ar que respiras
Deita-a na tua cama
Aconchega-te os lençóis dos seus versos
E abraça-a, ama-a
Como que ama “Suzanne”
Como quem amou “Marianne”

Acordarás com a canção à tua mesa
Bebe-lhe o sumo
Despe-a inteira
Como quem beija como quem reza
Come-lhe cerejas e tâmaras, rebentos de oliveira.

Oh a canção hipnótica lunar
Por onde desces ao cavername do génesis
Por onde  sobes ao  nirvana
Do intangível Hossana
Do sacrossanto “Halleluiah”

Oh  violino doce de Canção cigana
Segue-a na voz do sonâmbulo vidente
“E dança  dança  até ao fim do amor”
Quanto mais  frio mais quente

Deixa-a entrar e sair
A canção luminosa
“Pela fenda do pardieiro” onde ela mora

E canta o “longo tempo de espera”
So long
“Porque chegou a hora de rir e chorar
E chorar e rir sobre tudo à tua volta”

Com  a  Canção
Estás “pronto a morrer”
Está pronto a viver

À sombra do chapéu
Do romeiro hebreu
Dorme e sonha e canta e grita
Com  o octogenário-criança
Nos braços da terra- mãe
Hydra  Westmount Jerusalém
Saudosa  inalcançada Terra Prometida

15.Nov.16
Martins Júnior