segunda-feira, 7 de novembro de 2016

NÓS – A MAIORIA - MARIONETAS VÍTIMAS DA MICROCEFALIA DE UMA MINORIA


Tem andado o mundo todo em alerta vermelho, suspenso das eleições de amanhã, nos EUA. E com justificada razão. Não vou terçar armas no duelo dos dois candidatos, porque sobejas têm sido as mensagens informantes sobre tão momentoso acontecimento. Daqui de longe, sem direito a voto, num invisível ponto do mapa, também me preocupo. Mas por razões maiores.
No labirinto do nosso dia-a-dia, afadigamo-nos, corremos, disputamos, fabricamos problemas, esgaçamo-nos até à exaustão pelo nosso quinhão, pelo nosso clube, pela nossa bandeira e então,  quando chegam à nossa beira as urnas de voto, o formigueiro das gentes não descansa, faz rego na casca das árvores, empenha anéis e dedos, argolas e braços, tripa e coração, como se o nosso candidato fosse o maior, como se o nosso partido fosse a salvação do mundo, entronizada na urna.
Magra ilusão, miopia infantil, coisa de pobre!
Dei comigo a pensar e a pesar o logro em que andamos alegremente levados  e  ludibriados. Mas… quem somos nós? Quem nos comanda? Não seremos nós marionetas inconscientes a abanar, a abanar, como essas pás eólicas, singulares e altaneiras,  telecomandadas desde a Holanda?... É este peso que me despe o cérebro e ri-se de mim, ri-se de nós. Afinal, o planeta redondo é redondamente comido à mesa de uns magnatas fartos de estômago, mas mirrados de cabeça atacada pelo “Zika”. São eles a microcefalia qualificada que, com um piparote enfadonho, faz abalar o mundo. Antes, nas arenas subtis da Guerra Fria, estavam as nações sob a espada de Dâmocles nas mãos da América e da Rússia. A economia, o armamento, a ideologia de Estado, a segurança mundial estavam suspensos desse fio mortal que girava entre Moscovo e Washington. Novos focos – poucos -  foram ganhando altura e assento,  sobretudo, as economias emergentes da Índia e da China.  E a incógnita potência, deslocalizada, que chega do Oriente  e  circula, com fome e sede,  nas veias do organismo europeu!  Até a própria Europa, que se apresentou como a sentinela vigilante do Velho Continente, tornou-se uma torre de comando, não para defender, mas  para controlar, à distância, as finanças e a vida dos países, entre estes, os mais indefesos e, por vezes, ingénuos. Que ingénuos, cobardes e  acocorados foram os governantes!
A este propósito, sugiro me acompanhem na leitura do arguto analista da política mundial, Noam Chomsky, através das impressivas páginas do livro que tem por título “QUEM GOVERNA O MUNDO “?
Por muito que esteja a nossa cerca vigiada e o nosso seguro em dia, a verdade é que um espirro nos EUA pode varrer, como um tufão, os povos mais longínquos.Basta lembrar o tenebroso "Lehman Brothers" e os escombros a que reduziu a banca exterior. Vivemos comparados à pacífica Itália, abençoada pela vizinha bênção papal, mas atreita à fúria subterrânea do vulcão iminente. Daí que nos afecte o voto americano, lá longe. Os alemães, estariam eles   cientes dos futuros massacres infligidos ao mundo  quando votaram Hitler? A mesma pergunta  a quem, de  boa  fé, votou no tão ascético quanto cruel Salazar?  E os americanos  já terão feito contas ao futuro – o seu e o nosso -   na hora de votar Hillary ou Trump?... Nem de propósito, hoje o El Mundo transcrevia uma afirmação de Putin: “Se Trump ganhar serão melhores as relações entre Rússia e América”… Sem comentários.
Não vamos perder o sono. Mas não esqueçamos que é uma pequena tribo infectada pelo vírus do “Zika”  que comanda o planeta. É a microcefalia  congénita de uma minoria que contamina e é capaz de matar a grande maioria da humanidade. E é por isso que nos ocupa e preocupa o voto de amanhã nos EUA.
A solução para passarmos “Do Medo à Esperança” é a capacitação de cada país e de cada cidadão em unir-se para ganharmos o direito ao sol que nasce para todos. E não apenas para a microcefalia hereditária.

07.Nov.16

Martins Júnior