quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

“BLACK & WHITE” – REQUIEM POR UMA CASA QUE FOI BRANCA!


Chegada a manhã de 20 de Janeiro, morreram as noites brancas. Começa  o dia negro de luto transitório. O verde das pradarias foi esmagado pela ‘buldózer’ que tudo seca e amarelece até à raiz dos cabelos.
O avejão das cavernas remotas reveste-se de couraças marteladas e com o ferro em brasa  no bico pontiagudo destrói as pontes, vomita  nos rios e aquíferos  das nascentes  e, em vez das sebes floridas entre pátrias, faz emergir tremendos muros de betão ciclópico.
Não será mais América abraçando todo o mundo. Será o planeta enfardado, agrilhoado nos ’bunkers’ do Capitólio.
Nos portões da Casa Branca não haverá mais o riso das crianças nem a ternura de uns olhos repousantes de Mulher  nem os braços de um Homem do tamanho do mundo, tocando os dois hemisférios no coração de quem lhe bate à porta. Só restará um robot disforme de granadas nos punhos,  monstruoso produto do bronze  fundido em falências repetidas e barras de ouro, cheirando ao sangue, suor e lágrimas de vítimas anónimas.
Não mais se ouvirão os pássaros nos jardins circundante porque , apavorados, terão fugido para longe. E ninguém mais caminhará seguro nas alamedas copadas.
Virá o tempo em que já não serão precisos talibãs  da Al-Qaeda  para abater a  majestosa arquitectura da Casa Branca. Ela implodirá às mãos do próprio inquilino, derrubado pelo justo clamor das multidões traídas.
Adeus Casa Branca.
Só foste Branca quando habitada pela família migrante, negra de pele, mas de coração feito de todas as cores do arco-íris.
Adeus Casa Branca.
Ficarás agora de luto pesado, nos alçados e nas janelas,  quando aí entrar um branco de cor ausente.
Até aquele dia em que as auroras boreais possam voar até  à Pátria de todos os povos, construída nos alicerces da Declaração Universal dos Direitos Humanos.        

19.Jan.17

Martins Júnior