quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

"É A VOSSA HORA"!


Cada vida tem o seu pico de glória. E cada morte também.
Mas entre uma e outra estala, como lousa tumular,  a inexorável incógnita: “Desse brilho meteórico, o que é que ficou”?

Sic transit gloria mundi  –  era o ritual da sagração dos Papas: “Assim passa a gloria do mundo”, enquanto o cardeal ajudante incendiava uma trança de estopa branca sobre uma salva de ouro.

Rolou a pedra derradeira sobre o monumento encimado por três jactos luminosos traduzidos simplesmente em três palavras: “FAMÍLIA BARROSO SOARES”.
O Apartamento da “Rua João Soares”, ao Campo Grande, transladou-se para o jardim das memórias que tem por estranho título: “CEMITÉRIO DOS PRAZERES”.

Fechar-se-ão as páginas do  Livro dos Pesares, secar-se-ão os rios de tinta nas rotativas dos jornais, apagar-se-ão os holofotes dos emissores televisivos.

E de tudo, tudo,   que restará, enfim?...  O silêncio?... A pedra marmórea e fria?... As  rosas amarelas, as rosas e os cravos vermelhos  emurchecidos e mudos, como órfãos abandonados,  curtidos de saudade?...

Heróis, sábios, génios e artistas – cada pátria tem os seus. Acompanhando Mário Soares, seguiram o mesmo trilho Daniel Serrão, Zygmunt Baum, Akbar Hachémi  Rahsandjani,. E logo antes,  Leonard Cohen.

De que valeu a pena tê-los, se deles restou apenas  a memória, que um dia será longínqua e que “se esfuma como a brancura da espuma que morre na areia”? …

Mas valeu a pena!
Porque deles ficará para sempre o grito -  canto e  mandato:
“Sede vós  e fazei  dos vossos filhos – novos “Serrão”, novos “Zygmunt”, novos “Rafsandjani”, novos “Cohen”, novos “Soares”.
"Agora é a vossa Hora". 
A tua Hora!
Para tanto, basta que “ponhas tudo quanto és no mínimo que fizeres”!

11.Dez.17
Martins Júnior