quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

DO VATICANO… À MADEIRA


“Nosso Mundo, Vasto Mundo”!
Não podia encontrar melhor prelúdio do que o título da obra do grande teólogo Yves Congar – “Nosso Mundo, Vasto Mundo” – para tentar compor um hino triunfal a todos aqueles que fazem  da consciência o seu estandarte e do seu peito uma bandeira  na grande marcha da história ao serviço da Verdade e do Bem, seja nos himalaias soberanos, seja nos humildes recônditos da aldeia.  Porque os grandes feitos e os grandes líderes tanto podem emergir na extensão do Vasto Mundo, como podem florir no terro escasso  do “Nosso Mundo”, por mais remoto que pareça.
Referi-me, há uma semana, à estatura moral do Papa Francisco, à sua coragem inquebrável e ao desassombro do seu magistério de Pedagogo e Guia do Homem contemporâneo, usando  por única estratégia o regresso às origens, ao Evangelho do Cristo histórico. E por isso, à imagem do Mestre, tem sido  malsinado pelos inquilinos purpurados do Vaticano, até ao cúmulo de ficarem indiferentes (senão cúmplices) de cartazes ofensivos nos espaços públicos da cidade de Roma.
Na monarquia mais estranha da instituição católica  (e em todas as outras religiões) quem enfrenta o dogmatismo vigente paga-lhe tributo. E a factura exigida é a humilhação, o opróbrio público, o ostracismo, o martírio enfim. E o mais estranho, ainda,  e contra-natura  é que os autores do crime são os familiares, os de dentro de casa, os que comem à mesma mesa. Por outras palavras, os correligionários, participantes da mesma crença, mais dogmatistas que o dogma, mais papistas que o Papa, mais evangelistas que o Evangelho. Já o Nosso Cristo alertara: “Vai haver quem vos mate, pensando que está fazendo um serviço a Deus”. Digam-no os muçulmanos. E digam-no os bispos cruéis da Inquisição. E digam-no os cegos, fanáticos tribunais eclesiásticos. “Perdoai-lhes, Senhor, não sabem o que fazem”. Mas fazem sangue e afogam a voz dos inocentes.
No entanto, “podem prender-me a mim, mas a Verdade é que não pode ficar presa nem encadeada” – clamou Paulo Apóstolo perante o tribunal. No mesmo tom, Policarpo, António Vieira, Luther King, Óscar Romero e tantos outros, “Felizes por serem perseguidos por amor da Justiça”.
 Vêm estas palavras a propósito das acintosos  comentários  dirigidos, um dia destes no ‘facebook’, ao Padre José Luís Rodrigues, por comunicadores que se apresentam como arraigados defensores da Religião, chegando ao desplante de o apelidaram de ‘demónio’, conforme desabafo do próprio.
E porquê?... Porque o Padre JOSÉ LUIS RODRIGUES é um pedagogo, um mestre, um guia que tem a coragem de sair à rua, através das redes sociais, serve à mesa do seu suculento “Banquete da Palavra” todos quantos têm fome e sede da Verdade, desdobra publicamente as novas descobertas de outros pensadores, as vivências e as ressonâncias de tantos homens e mulheres que corajosamente desbravam as florestas do obscurantismo para que a luz transbordante do conhecimento penetre em cada um de nós. E acima de tudo, um homem de acção, intrépido, coerente e consequente. Dele bem poderia dizer  o nosso clássico Sá de Miranda aquilo mesmo  que, no século XVI, escreveu em Carta a D.João III:
 “Homem d´um só parecer/ dum só rosto e d´uma só fé/ d’antes quebrar que torcer/ Outra coisa pode ser/ Mas da corte homem não é”. (Hoje diria: “Mas da cúria homem não é”)…
Contrariamente aos detractores, “iluminados” pelas trevas da ignorância,  ele tem o merecido apreço de milhares de leitores que o seguem atentamente e já não passam um só dia sem alcançar a nascente da água da sabedoria que generosamente flui da sua escrita. Da minha parte e da parte da população da Ribeira Seca, jamais esqueceremos a sua surpreendente coragem em denunciar o atentado da diocese quando,  em 8 de Maio de 2010,  o responsável eclesiástico não deixou que a Imagem Peregrina entrasse no adro e na igreja desta porção do Povo de Deus. Agradecemos a sua disponibilidade sincera em participar e ensinar à nossa gente a Palavra nas celebrações festivas do Orago. Gesto nobre, eminentemente cristão, como o fez o falecido escritor Padre Alfredo Vieira de Freitas, como o fazem o Padre Tavares Figueira, o Prof. Dr. Pe. Anselmo Borges, o benemérito Padre Jardim Moreira, o teólogo Frei Bento Domingues, o Padre Armando Rodrigues.
No meio da apagada mediocridade da paisagem diocesana, a começar pela cúpula, a Madeira pode justamente ufanar-se de ter alguém que possui a estatura de  Moisés para subir à montanha e daí lançar sementes de estrelas e “canções ao vento que passa”!
Padre JOSÉ LUÍS RODRIGUES!  Que nunca a voz lhe doa nem essas mãos afrouxem na tribuna da palavra e no estendal da escrita! Ao Papa Francisco também o contestam. E ao Nosso Cristo os donos da religião disseram que tinha o demónio no corpo. O Povo esclarecido é quem vai segurar o inspirado “chef” do “BANQUETE DA PALAVRA”!

 09.Fev.17

Martins Júnior