domingo, 19 de março de 2017

CANTO BREVE PARA UM GRANDE DIA!


A julgar pelas sentenças periféricas que correm de boca em boca, podemos decidir que, hoje,  o forte torna-se  fraco. No dicionário da gíria, costuma  dizer-se que só aos mais frágeis  se dedica e  institucionaliza o seu “Dia Mundial”. E assim é que conhecemos o Dia da Mulher, o Dia da Mãe, o Dia da Criança, o Dia do Doente de Alzheimer, do Diabético, dos Refugiado e outros afins, todos os que se situam no acampamento das dependências  primárias. Para complemento assertivo, até espalhamos aos quatro ventos que não há o Dia do Homem. Porque ele é o forte, o dominador, o herói. Mas chega o 19 de Março e a excepção impõe-se: Hoje é o Dia do Pai, universalmente difundido, muito embora em datas diferentes. Seja qual a sua origem – Elmesu da Babilónia há 4000 anos ou  o Livro judaico do Ben-Sirá ou ainda a efeméride litúrgica  de São José – o Dia do Pai, ínsito desde sempre no subconsciente humano, talvez encontre a sua genética justificação no olhar atento de Sigmund Freud: “Não conheço nenhuma necessidade tão importante durante a infância como a necessidade de sentir-se protegido por um pai”.
Fica então deslindado o equívoco. O Dia do Pai não o reduz a um estatuto de dependência.  Bem ao contrário, institucionaliza e  leva ao trono a figura tutelar do Progenitor. De fraco passa a forte hasteio e necessário protector.
A partir daqui, cresce e impera no homenageado deste dia o seu estatuto, recomeça a sua saga, por vezes heróica, lado a lado com aquela que dentro de si própria fez o milagre de transformar um espermatozóide num exemplar vivo, pleno, um portador futuro do facho olímpico da história. É nesta trilogia iniciática – pai, mãe, filho – que se projecta a arquitectura de todos os tempos e de todas as latitudes. Nisto consiste a complementaridade do binómio Homem/Mulher, no mesmo pé de igualdade e na mesma força propulsora do amanhã, tornando-os intrinsecamente co-responsáveis na instauração do reino maior do planeta. Li hoje o pensamento que não deveria ser estranho a ninguém: “A co-responsabilidade  entre pai e mãe é uma questão de igualdade de género”. Eis a chave para abrir o tão agitado dilema entre machismo e feminismo. Ademais, é à luz deste cenário que nos fere a sensibilidade – por mais   empedernida que seja – de aceitarmos essa híbrida solução, quando interesseiramente procurada, de reduzir um filho a um mero embrulho registado num ‘correio de aluguer’.
Porque hoje é dia de congratulação, esqueçamos por instantes os  deficitários contra-testemunhos  e ergamos bem alto a bandeira bicolor da paternidade/maternidade originais. Permitam-me que inclua neste feixe proclamatório, o pensamento que hoje conjuntamente pais e mães saborearam no convívio solidário que realizámos em cerimónia comemorativa.  Vem no texto bíblico de Jo.4,37: “Um é o que semeia,  outro é o que ceifa e recolhe”. Os pais de hoje recolhem o que os pais de ontem semearam, com suor, lágrimas e, quantas vezes, com sangue das próprias veias!... Compete-lhes agora fazer a sementeira da saúde, das ideias, das palavras para que amanhã os filhos  possam ceifar e alimentar-se do trigo que os pais de  hoje lançaram à terra!...
Que se prolonguem todo o ano os ecos da canção com que  crianças e adultos abriram a manhã deste 19 de Março:

Viva viva o belo dia
Que nos traz tanta alegria
Vinde todos e cantai
Porque hoje é  o Dia do Pai
      

19.Mar.17
Martins Júnior