sexta-feira, 21 de abril de 2017

“ESTÁ CHEGANDO A HORA” !


Chegando às vésperas de Abril, as encostas da ilha rescendem a cravos mil, bordejando o dorso das montanhas, descendo até ao azul da baía. Cheira a Abril, desde o vale até ao sol em vértice aberto sobre a terra.  Aos 44 anos, a manhã de outrora toma a veste da ternura e do feitiço que encanta e desencanta,  para tornar-se outra vez horizonte promissor na palma da nossa mão – na mão do Povo Português.
Sinto-o desde sempre, mas neste ano de capicua celebrativa ele surge no verde ramo dos campos com o canto álacre dos pássaros, da brisa corrente que paira no ar. Sinto-o, ao tomar conhecimento de outras paisagens, vilas e aldeias onde está anunciado o pregão de uma era nova. São diversas  - e todas estimáveis – as iniciativas que espontaneamente latejam aqui, acolá e mais além por essa Madeira toda  até atingir as praias do Porto Santo. Foram precisas quatro décadas para que muitas localidades madeirenses quebrassem os traumas do negacionismo político e ganhassem a força capaz de erguer
 o Cravo da Liberdade
A par de outros eventos concomitantes, de ordem cultural e desportiva, vejo com simpatia que as associações de base organizam-se para ‘levantar de novo o esplendor’ de Abril. Sinais dos tempos! E também reacção espontânea contra a alabarda que impuseram ao pescoço de toda uma população, proibindo qualquer comemoração, a nível oficial, da gloriosa data  que emancipou a Madeira da menoridade a que fora submetida durante quase meio século.  Fenomenal o projecto de juntar nesta ilha a “coluna do capitão Salgueiro”, de que fazem parte soldados e graduados madeirenses! Monumento vivo da Revolução dos Cravos, enquanto jornalista do “25 de Abril”, o grande Adelino Gomes, presente na Região.  Recordo com emoção a sua  conferência em Machico, há mais de duas décadas, nesta mesma data. Vai ele agora, nesta nobre cruzada, levar o seu testemunho às escolas do Funchal e à vila da Camacha. Viva!
Porque se trata apenas da ribalta comemorativa, desde logo antevejo em Machico quatro de várias iniciativas programadas: A sessão pública, a céu-aberto, na Praça do Município, em 25 de Abril;  na véspera, a evocação de Zeca Afonso, na vetusta capela de São Roque com intérpretes e baladistas do “Grupo Madeirense de  Fados de Coimbra”; o concerto das “Canções  de Abril”, em 25,  pelo Grupo Coral. E, em 29, o lançamento do livro do Dr. Bernardo Martins, “Machico no 25 de Abril”. A Corrida pela Liberdade, também em 25, entre Machico e Santa Cruz ganha um impulso simbólico ainda maior.
Outras modalidades, mais modestas mas não menos incisivas, acontecem por estes dias, entre os quais a transmissão de conhecimentos sobre “Os difíceis Caminhos da Democracia”, hoje concretizada na Escola Secundária de Santa Cruz, para a qual  fora solicitada a minha modesta prestação. Apreciei a atenção dos alunos de duas turmas do 12º ano, bem como as questões – muito sérias – que me foram colocadas, numa demonstração clara de que a Juventude prepara-se para assumir a condução do seu futuro, até alcançar os horizontes de um Abril  mobilizador da sociedade.
“Levantemo-nos de manhã cedo para ir às vinhas, vejamos já florescem as vides, abre-se a flor, já brotam as romeiras … As mandrágoras dão cheiro e à nossa porta há toda a espécie de frutos, novos e velhos. Eu guardei-os para ti, ó minha amada”!
Este excerto do poema “Cântico dos Cânticos” de Salomão, (7, 12-13), fui  gostosamente pespontar para  exprimir a atmosfera inebriante, mas dinamizadora, que exalam os cravos de Abril. que, nesta hora, alcatifam o chão das nossas casas.
Se a maratona da vida se assemelha à grande corrida do MIUT, ora em curso, então somos prontos a afiançar: Presente! Nós estamos lá! Na crista montanhosa do “25 de Abril”!  

21.Abr.17
Martins Júnior