domingo, 9 de abril de 2017

POPULISTA… O MESTRE? JAMAIS! – O DIA ÍMPAR DA FORÇA DO POVO


Ao fim de um domingo de festas, cortejos, espectáculos, campeonatos, se ainda houver um recanto íntimo de onde se possa visionar a agitação dos factos e deles extrair uma cabal interpretação, aqui vos deixo uma proposta.
         É de palmas e de tenras folhagens verdes que me rodeio e inspiro. Porque hoje é o seu dia – o Domingo de Ramos, um  momento episódico passado lá longe num tempo e num espaço fora do nosso alcance e que se tornou viral, espectacular, explorado ao sabor de interesses que não foram os originais.
         Situando-nos no cenário de então e compulsando os escritos coevos, o caso é simples de contar. Um homem de trinta e três anos, líder e educador de uma  espiritualidade  transparente – O Mestre J:Cristo – tinha a absoluta certeza de que os seus dias estavam por um fio. As classes dominadoras da finança e os intocáveis ‘gurus’ da religião oficial ultimavam as linhas estratégicas  para  liquidá-lO.  Os rumores e as ameaças verbais que, de veladas passaram ostensivamente a provocações directas, não deixavam margem para dúvida.. “Ele deixou de aparecer tão abertamente em público”, dizem os textos. Armas e exércitos não os tinha, poder financeiro muito menos, aliados nas altas esferas oficiais também não. Mas era preciso fazer tremer as estruturas do poder maquiavélico que dominava a Palestina e que maquinava assassiná-lO.
         Uma ideia avassaladora saiu do povo miúdo, à qual Ele, pela primeira e única vez, deu assentimento. E foi num domingo, pela manhã. Andou a mensagem de boca em boca (hoje seria pela net) e depressa juntou-se a multidão vinda dos quatro pontos cardeais da Judeia, numa explosão de alegria que mais parecia um ‘tsunami’  imparável sobre a cidade capital, Jerusalém. Espontaneamente, velhos e novos, homens e mulheres, crianças saltitantes, atapetavam o chão dos caminhos com mantos e mantilhas, ramos verdes, o que havia à mão. A meio da multidão, Ele seguia, manso e firme. Seu trono era um jumentinho emprestado por um vizinho de uma aldeia próxima. Os manifestantes enchiam a cidade de vivas, hossanas  e cantares ao seu Mestre e Líder. No seu íntimo (assim me pareço ouvir) um desabafo pairava desafiando os poderosos: ‘Vós tendes exércitos, carros de combate, palácios, tesouros. Não tenho onde reclinar a cabeça, mas sou mais forte que todos vós, a minha força é este Povo que vós explorais impiedosamente, mas que hoje sai à rua, unido,  vitorioso e livre’. Dizem os textos que a cidade tremeu “alvoroçou-se”. E com ela, os fariseus, os Pilatos, os Herodes, os sumos-sacerdotes Anás e Caifás.  Nem as sentinelas pretorianas, nem o exército romano, nem os guardas do Templo, ninguém  Lhe tocou. “Com medo do Povo” explica o relato bíblico. E quando enviaram emissários para que  mandasse calar e dispersar aquela gente, Ele respondeu com o vigor desafiante da sua palavra: “Se eles se calarem, levantar-se-ão contra vós as pedras da calçada”
E foi a Festa da Liberdade, foi o poder do Povo, que venceu a ditadura sacro-profana de Jerusalém! Foi o Dia Ímpar! Não falta, por aí, quem malevolamente alcunhe Cristo de “Populista”. Nada mais falso. Ele incarnava todo o Povo e transportava-o aos ombros. Era o sublime escravo do Povo para salvá-lo em toda a plenitude.
A quem me acompanha nesta viagem, proponho um simples exercício de comparação. Que estranho paralelo!  Tão diversa a paisagem, tão contraditória! Dignitários religiosos revestidos de capas bordadas a filigrana, altas patentes governamentais e militares (vi eu hoje pela TV, no monumento da Batalha), tudo formalista, artificioso, senão mesmo embusteiro. Domingo de Ramos não é festa para sumidades eclesiásticas nem para os brasonados ‘quarteleiros’ dos paióis. Pelo contrário: foi contra os corifeus da religião oficial e contra os imperadores  das armas  que o Povo se manifestou, ao lado do seu Mestre.    
Em Domingo de Ramos, é Cristo o Protagonista --- e seu co-protagonista o Povo autêntico, a caminho da  libertação. E sempre que um Povo se une e se manifesta em defesa da Verdade e da Justiça, aí se renova o Domingo de Palmas!

09.Abr.17

Martins Júnior