terça-feira, 11 de abril de 2017

“SEMANA MAIOR” - DE SOBRESSALTO E PROTESTO!


Não tem mais que sete dias. E cada um  com as mesmas horas dos dias comuns. No entanto, chamam-lhe a “Semana Maior”. O ano passado, chamei-lhe a semana do protesto. E do sobressalto. E, por isso,  a “Semana Maior”. Porque ela não se limita à narrativa que vai de Domingo a Domingo. Vem de longe, de muito longe. Mesmo na época  em que tudo se passou, o plano da tragédia não se congeminou numa semana.  Tinha, no mínimo, três anos de fermentação. E talvez mais: trinta anos, desde a noite em que os Magos do Oriente vaticinaram que aquela Criança  nascera para ser rei de Judá. Por mais Largos  e Halleluias  de Haendel , por mais Árias de Bach, por mais solene que seja a dramaturgia dos ritos litúrgicos,  não me sai do pensamento a trama satânica que a hipocrisia do Templo e a cobardia do Tribunal do Império urdiram, na clandestinidade do povo hebreu.
         É por isso que, para mim,  na Semana Maior, são  tão escassas as palavras  quanto profundo o abismo do protesto. O protagonista mais poderoso da Ideia e da Acção não merecia tamanha derrota. E nós, também não.
         Oh quanto me destroem as majestosas encenações dos templos, pinceladas fúteis do que foi o grande sarcasmo contra O Mestre! E as  não  menos  contraditórias peregrinações aos santuários para “ver” a Semana Santa.  “Ver”…o quê? Um dos maiores, senão o maior, crime da História?!
         Aquilo não é para se ver, sem se entrar em sobressalto.
         O Cristo histórico não suporta o teatro dos homens. E o Cristo de hoje só espera os nossos braços, a nossa voz, o nosso vigor para bradar contra os novos poderes, herdeiros dos de outrora. E agir! Tenho para mim que Ele, “sempre em agonia até ao fim  do mundo”, (Blaise Pascal) mais estima a nossa visão vigilante -  debruçada  sobre as estações dolorosas que todos os dias passam diante dos nossos olhos, por vezes, indiferentes – do que a contemplação estática, improdutiva, das estações do Calvário.
Porque é intemporal o pensamento do Padre Vieira, que citei no ano transacto, trago-o  de novo,  como quem faz a síntese perfeita:  
 “As imagens de Jesus  Crucificado que estão nas igrejas são imagens falsas, porque não padecem nem sofrem. Imagens verdadeiras de Jesus são os pobres, os doentes, (hoje diria ´’os refugiados), esses sim é que padecem” .
É assim a minha Semana Maior!

         11.Abr.17

         Martins Júnior