sexta-feira, 29 de setembro de 2017

A “ESCOLA PRIMÁRIA” DA DEMOCRACIA: VIVA!


          Exaustos. Talvez despedaçados de ânimo. Potencialmente esperançosos. Virtualmente felizes. Mas todos – todos! – expectantes como a mulher com as dores do parto iminente. Assim, os entusiásticos beligerantes em cena.
Do outro lado, os verdadeiros atletas da maratona. Os goleadores. Os eleitores. E todos – todos! – empunhando o ceptro da soberania popular.
É duelo ao sol. mas é festa. É refrega, explosão de retóricas altissonantes, vulcanizadas talvez, mas é ‘Grito do Ipiranga’ na afirmação da personalidade colectiva de um Povo que assumidamente pode proclamar: ‘Eu sou o Legislador. Eu sou o Juiz. Eu sou o Poder’.
Passeio ligeiro este que se vive portas adentro. Mas aí por fora, a afirmação soberana invade as ruas, assalta praças, rasga montanhas. Penso no tsunami chamado Catalunha, com epicentro marcado para o mesmo 1 de Outubro.  E na fogueira independentista dos Curdos. No apeamento da xenófoba infantaria pesada do FN em França. E, agora, com o seu recrudescimento na Alemanha saudosista de Hitler. Quer da mesma direcção, quer de sentido contrário, toda esta ebulição tem como denominador comum a identidade genética ou adquirida dos inquilinos deste planeta. É a democracia em pleno, enfim, o genuíno Poder Popular, entendendo-se esta expressão como a realização inteira  da vocação do Homem como Ser Social, Autor e Agente da sua própria construção.
Foi com estes olhos de encantamento e espanto  que segui até hoje o deambular polícromo das “Autárquicas/2017”.  E concluí, uma vez mais, que são estas campanhas ‘domésticas’ o precioso campo experimental  da aprendizagem para a cidadania.  Quem não partilha desta ‘escola primária’ jamais saberá votar em quaisquer outras eleições. Porque nestas, o sujeito-objecto em debate está ali, diante do juiz soberano, o Povo. Está objectivado, à mão de semear e recolher, naquela pessoa, naquele programa. Quem não aprende a optar por aquilo que vê à sua porta, como saberá distinguir o ou os que estão longe, encobertos no biombo de uma lista partidária?
Daí, a minha curiosidade e o meu respeito pelas “Autárquicas”, aguardando com a mesma atitude o barómetro do discernimento de cada  aldeia e de cada cidade. Para os ‘treinadores-candidatos’ que durante dez dias se esforçaram denodadamente por abrir o livro da Verdade aos decisores-goleadores, o meu aplauso e a minha gratidão. E aí vai o meu voto: Seja qual o resultado, sintam-se felizes por terem colaborado no crescimento civilizacional do seu Povo.

29.Set.17
Martins Júnior