quinta-feira, 7 de setembro de 2017

EM CANTO E VERSO TAMBÉM SE CONTRÓI UM CENTRO DE SAÚDE

 “Pelo sonho é que vamos”,  E pelo cantar nos levantamos.
É por isso que nesta semana, a canção é a nossa estrada. Foi por ela que os nossos avós caminharam e com ela ergueram bandeiras que hoje são realidades concretas ao serviço da comunidade. Na programação da nossa Festa, 9 e 10 de Setembro, respigámos sons antigos que não só suavizaram as carências de outrora, mas ousaram afrontá-las e esconjurá-las, chamando à razão os responsáveis pela res publica.  E  quem tem acompanhado o Senso&Consenso destes dias já se deu de contas do empenho pró-activo com que há mais de quatro décadas os habitantes deste parco agregado populacional viveu, sofreu e lutou pela solução das assimetrias de que eram vítimas as gerações atiradas para a periferia e para a ruralidade. A sua praça era o palco e a sua  arma era a canção
Hoje, acabámos o ensaio de uma das peças mais marcantes dessa época, altura em que Machico não tinha “Centro de Saúde em condições”. Os serviços de assistência médica e medicamentosa eram prestados no antigo “Sítio da Queimada”, Água de Pena, no extremo limite do concelho, num prédio pertencente ao Bairro dos Pescadores, entretanto deficientemente adaptado para o efeito. Além da marginalização a que eram votados os camponeses, estes eram obrigados a deslocar-se “lá longe” ao dito sítio.
Dessa triste realidade nasceu a canção que os filhos e os netos prepararam para a Festa, em memória e gratidão pelo esforço militante que pais e avós manifestaram, contestando a situação e, em certa escala, apressando os governantes a construir o Centro de Saúde que hoje Machico possui.
Se é verdade o ditado antigo ridendo castigo mores, não é menos verdade que cantando construímos um mundo melhor. Eis, pois, a transcrição da saudável mensagem de uma luta que viu o sucesso almejar


“Quando o nosso Povo sai à rua
É a vida que recomeça de novo
Quem canta põe a vida mais alegre e mais bonita
Quem canta dá saúde a todo o Povo

Coitada esta gente camponesa
Que até na doença é desprezada
Os novos e velhinhos se adoecem cá no campo
Só tem longe o ‘Centro da Queimada’

O que mais pena dá são as crianças
Que esperam tantas horas p'rá vacina
Um abuso tão grande contra quem é pequenino
O Povo não aprova nem assina

Por isso a gente exige e com razão
Aquilo que se disse tantas vezes
Um Centro de Saúde em condições para Machico
E postos naturais p’raos camponeses

Esta nossa paróquia mesmo pobre
Emprestou o salão para enfermagem
Lutámos pelo Centro de Saúde e hoje o temos
Machico parabéns nesta homenagem

 REFRÃO

Vem tronco em flor
Povo que te levantas
Conta a tua dor
Nos versos que hoje cantas
O Povo em Festa
Canta mas não se ilude
Quer ter e com razão
O Centro de Saúde”

O7.Set.17

Martins Júnior