quinta-feira, 19 de outubro de 2017

MADEIRA E MALTA – ‘GEMINADAS’ NA SEMI-SECULAR RDP/M!


Nas bodas de ouro da Radiodifusão Portuguesa na Ilha da Madeira, chamo uma outra Ilha – a de Malta – para geminá-la com a nossa. Ambas cercadas de mar por todos os lados  e ambas apertadas pela corda férrea que algema as mãos de quem escreve – garrote à solta que amarra a garganta de quem  afronta os corruptores-poluidores do ar que respiramos.
Saúdo DAPHNE CARUANA GALIZIA, jornalista,  53 anos, assassinada em 16 de Outubro, meia-hora depois de ter denunciado a corrupção dos “donos da ilha de Malta”.
No início das comemorações do cinquentenário da RDP/M, evoco a coragem de Daphne e, nela, todos aqueles e aquelas que, entre nós, sentiram o apelo veemente da consciência jornalística e tentaram, mesmo entre soluços e gemidos, despoluir o negro ‘capacete’ com que os poderosos pretendem afogar o pensamento ilhéu. Gloriosa - mas ingrata – a missão de jornalista!... Sobretudo quando a terra é um charco e o império é de sapos!
Saúdo o malogrado JOSÉ MANUEL PAQUETE DE OLIVEIRA que, amanhã, 20, dia do seu aniversário natalício, será homenageado em Lisboa.
Saúdo TOLENTINO DE NÓBREGA, da estirpe das terras de Tristão Vaz, “de antes quebrar que torcer”.
Saúdo os ilustres jornalistas, Mestres da Palavra pública  que, vindos de Lisboa, deixaram ontem e hoje no Teatro Municipal mensagens libertadoras, sem esquecer o realismo atroz dos que se vêem manietados e amordaçados pelo poder dominante, seja o político, financeiro ou ideológico. Retive, entre outras, a verdadeira, mas arrasadora, constatação de Paula Cordeiro: “A cada jornalista que contesta, há uma fila à porta para entrar” .  A conclusão, nem é preciso dizê-la: Como é duro ser Jornalista nesta terra!

19.Out.17
Martins Júnior