segunda-feira, 23 de outubro de 2017

O FIM DO PRINCÍPIO E O PRINCÍPIO DO FIM – BOA VIAGEM!


Foi hoje o fim do princípio. E, por mais estranho que pareça, foi  o princípio do fim.
Hoje, último dia  da tomada de posse daquele que foi o Dia de Ano Novo para os recém-eleitos do Poder Autárquico! 
Terminou, pois, aquele tempo de espera – e, mais que de espera, de trepidante expectativa – que culminou na eleição de 1 de Outubro de 2017. Fechou-se o tempo do namoro alcançado. Recorto o sabor desta metáfora, propositadamente,  para sintetizar a maré-cheia de sonhos altruístas, as juras viscerais de bem servir o ‘povo constituinte’ e doar-lhe aquela inteira chama  que só  se entrega a quem se ama. Quero crer que a tinta com que subscreveram o termo de posse tem a cor rubra do coração dos respectivos signatários. Isso viu-se no “brilhozinho dos olhos”,  no gesto ansioso, na elegante frescura, até, da indumentária festiva. Quem já passou por cenas idênticas, adivinha a pulsação dos eleitos que sentem nesta hora o mesmo deslumbramento de quem recebe as chaves do novo apartamento e  abre as cortinas virgens das janelas ou desdobra os lençóis do enxoval bordado. Enfim, para os eleitos, a Primavera veio no Outono
Mas hoje é também – e mais impressivamente – o princípio do fim. Apraz-me repetir, porque a sinto em toda a  profundeza,. a paráfrase inspirada em Sérgio Godinho – “Hoje é o primeiro dia do resto do teu mandato”. Quatro longos anos ficam já na próxima estação, ao virar da esquina. Cuidado! Aqueles que, insipientemente, hoje se vangloriam da vitória, não se esqueçam que, daqui a quatro anos,  vão andar novamente  de porta em porta, como pedintes à procura da recompensa ou da esmola de um voto. Daí, a humildade – não a subserviência! – daí, a transparência – não o suborno ou  compadrio! – daí, a justeza e o sacrifício, com gosto, de ser fiel ao 1º de Outubro de 2017.
Sem chamar para aqui o “Velho do Restelo”, talvez seja útil aos empossados interiorizar esta constatação: em nenhum outro plano existencial,  como no da política autárquica, são tão traiçoeiras as luas-de-mel!... Talvez porque ainda me  pesa o topo de algumas vitórias, em tempos duros contra a ditadura insular, incomoda-me e estremeço perante cenários tão desequilibrados de quem, ainda antes de tomar posse, já pensa em abandonar o lugar e atirar-se  como um trapezista de circo   ao arame  para o qual não foi chamado! Mais degradante, porém, é oferecer-se como barriga-de-aluguer em plena via pública!... Francamente, como simples observador, prefiro esconder o rosto e curtir baixinho: Para isto, mais valera ter perdido…
Permitam-me compartilhar o gosto com que acedi ao convite da Junta de Freguesia de Machico  (recordando outros tempos) e sublinhar a sobriedade do protocolo na cerimónia  da tomada de posse, a elevação de conceitos na administração autárquica, o bom gosto decorativo, a participação cívica e, sobretudo, o respeito mútuo entre as formações concorrentes ao acto eleitoral, registando a franca e saudável confraternização entre todos os elementos, o que nos augura um mandato feliz e produtivo.
Em jeito de mensagem, retenho a afirmação do empossado autarca-presidente: “Para nós, ganhar não é apenas triunfar. Para nós, ganhar é cumprir”!
Sejam quais os ventos, Boa Viagem e bom regresso ao nosso  “Cais do Desembarcadouro”, o cais de Tristão Vaz.

23.Out.17

Martins Júnior