quinta-feira, 23 de novembro de 2017

SERENATA À CHUVA




Fio de água – o Desejado
Chuva gratuita - a Cobiçada
Mais que todos os tronos e todas as mulheres

Mas tu só chegas quando queres

Nem o grito nu das albufeiras
Nem os lábios gretados dos pomares
Te comoveram

Nem os troados esgares
Com que os humanos ódios
Destroem ares e mares
Te abriram  um só dos capilares

Oh quantas lágrimas terias enxugado
Com a líquida toalha da tua mão
E quantos mortos ressuscitado
Com o sudário do teu pranto

Mas em vão

Porque não desceste
Nem ouviste sequer
As asas sonantes impetrantes
Das púrpuras cardeais
Mais as preces dos ingénuos mortais

Chuva-macho que fecunda
O terro-fêmea que lhe mata a sede
E abre-se em pão azeite e malmequeres

Vem quando quiseres
Como nesta vigília
Cantante miudinha
Em que te escrevo esta balada-mágoa
Molhada no fio de água
Que me deste

23.Nov.17
Martins Júnior