domingo, 21 de janeiro de 2018

1961 – 1974: ENTRE A NOITE DE HOJE E O DIA DE AMANHÃ VÃO 13 LONGOS ANOS!

                                            

À saída do porto de Curaçau,  os nervos  cortam-se no olhar furtivo dos 23 elementos da Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação, embarcados juntamente com os 612 passageiros, quase todos americanos, e 350 tripulantes. O cérebro da arrojada operação, um distinto oficial do exército português, 66 anos de idade, Henrique Galvão, comanda em absoluta clandestinidade os movimentos, Dentro do navio “Santa Maria” o coração batia-lhe mais forte. Longa esta noite de 21 para 22 de Janeiro! Na casa das máquinas, Camilo Mortágua, dá o primeiro alarme. É então que estala a notícia: o navio, um dos maiores da Companhia Colonial de Navegação, passa a chamar-se “Santa Liberdade” e o seu destino é  Luanda, onde teria início a grande marcha para  derrubar o regime de Oliveira Salazar, sediado em Lisboa.
Alevantado e nobre era o sonho, o de libertar o Povo Português das garras opressoras do fascismo vigente! Mas circunstâncias adversas fizeram abortar o plano. E o caminho dos corajosos autores voltou a repetir-se: o exílio.
                                                

Porque a memória dos homens é escassa, trago hoje a reminiscência  dos 57 anos, entretanto transcorridos - amaldiçoados pelo regime, alcandorados pelos verdadeiros patriotas e esquecidos por muitos. É verdade que o brilhante capitão Henrique Galvão não conseguiu ver o sol da manhã que tanto almejara. Ele e os seus companheiros de luta. Mas foi então que começou a tremer o império da ditadura até cair de vez em 1974. O plano daquela noite de 1961 continuou  clandestinamente nos trágicos efeitos da guerra colonial, nos quartéis, nas universidade, nas fábricas.
Nunca é vã a utopia, desde que ponhamos nela o melhor do nosso afã!

21.Jan.18
Martins Júnior