terça-feira, 13 de março de 2018

81 ANOS… E A CONDUZIR EM CONTRA-MÃO !!!


      Ousaria dizer que hoje é o Dia Internacional do Homem! De um Homem, protótipo de todos os outros e do melhor e mais digno que o Ser Humano é capaz de alcançar.
         Por isso, em 13 de Março, tudo quanto é fala, escrita ou sopro de espírito traz-nos a boa nova que alivia os ombros deprimidos da humanidade: Faz hoje cinco anos que chegou à Europa  o “Homem que veio do fim do mundo”!   Escusa repetir os atributos que enchem jornais e telejornais de todo o mundo. Basta-me assinalar o que tornou Jorge argentino no maior Homem da história actual: Remar contra a corrente, CONDUZIR EM CONTRA-MÃO!
         Ele é bem a prova demonstrativa do enviesado código de estrada em que o mundo se perde e estrangula. Disse-o claramente o embaixador da Argentina em Portugal: “Ao revistarmos o último quinquénio, observamos que, desafortunadamente, a sua actuação esteve em contraciclo com a disposição da comunidade internacional. Enquanto o concerto das nações se deixou amarrotar pelos sofismas isolacionistas, no Vaticano, pelas mãos do Sumo Pontífice, a intervenção internacional recuperou um lugar cimeiro”. E cita diversos casos: Cuba e Estados Unidos, Colômbia,  e, no diálogo inter-religioso, o encontro com o patriarca de Moscovo, a visita a Al-Azhar, principal instituição teológica do Islão sunita, Lampedusa, os refugiados, os sem-abrigo, os monges budistas. “Em contraponto com  os que ainda olham para as alterações climáticas como um capricho científico,  ele elevou , na encíclica Laudato Si, o lugar da ecologia na doutrina social da Igreja.
         Nas duas largas páginas que lhe dedica o jornal Le Monde, a jornalista Cécile Chambraud recorta uma afirmação revolucionária, inaudita, sobretudo num chefe da Igreja, quando ele se refere aos que resistem aos corajosos impulsos da caminhada e preferem instalar-se no imobilismo parasitário da instituição: “Afrontar (ferir) essa resistência é o sinal de que estamos no caminho certo. De outro modo, o diabo pouco se importaria com a nossa oposição”. Nenhum estratega político teria dito melhor. Não chegam as vagas intenções, os paliativos à beira de uma sociedade moribunda. O afrontamento é o caminho, desde que ideologicamente bem construído. Por isso que Francisco insiste que “para uma verdadeira reforma, é preciso acima de tudo mudar ‘os corações’, isto é, as mentalidades - tarefa tão ambiciosa quanto difícil de medir.” E aqui temos a essencial revolução cultural, também na esfera da religião. Aos detractores (escandalosamente, os que se sentam ao seu lado, cardeais, bispos, monsenhores) ele não os poupa, dizendo: ”As críticas só podem vir daqueles que querem ficar fechados no seu quarto, com a convicção pueril que têm a verdade no bolso”.
         Muitos outros passos de gigante tem dado. Compete-nos avaliar os resultados. “Tão difíceis de medir”! – ele já o disse. Os resultados somos nós, a nossa mentalidade.
         A propósito do Ano “33” que estamos a viver nesta localidade, são muitas as vozes amigas, não residentes, que interrogam: “Se esse Homem é assim tão bom e se o que vocês fazem está conforme às ideias dele, porque é que não lhe escrevem a contar a vossa história, que ele talvez nem saiba”?
          Boa sugestão. Mas… podemos nós imaginar o peso enorme dos problemas, angústias, preocupações – da Igreja, do clero, de todo o mundo – que esse Homem carrega, todo o dia e toda a noite?... Que importância terá uma porção de Povo cristão, sediado na ruralidade da Ribeira Seca, um Povo que vive em paz, na sua fé, na sua alegria, embora marginalizado pela aliança Igreja/Governo, desde 1974?... Para nós, o maior conforto é imitá-lo, na sua luta pela mudança de mentalidades e no abraço com o seu Cristo e com a comunidade.
         Por muito que o Papa se esforce, a Igreja oficial não muda se não forem os cristãos básicos, nós também  que formamos a verdadeira Igreja total. Também outro pensamento nos anima e faz crescer: Se Francisco Papa fosse um simples pároco de aldeia e ensinasse as mesmas ideias e as mesmas mensagens, não restem dúvidas que ele já teria sido excluído, suspenso e excomungado pela Igreja oficial de Roma, como de resto é público e notório no Vaticano. A este propósito, passo a palavra ao Prof. Dr. Anselmo Borges: “O Papa Francisco tem 81 anos e já disse que não sai a pontapé“, enfrentando assim os seus grandes inimigos que tem lá dentro do Vaticano”. Mas também já disse que quando não puder, resignará”.
           Parabéns ao Homem de Deus e do Povo!

         13.Mar.18
         Martins Júnior