quinta-feira, 29 de março de 2018

QUINTA-FEIRA… A MAIOR NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE


                                               

Para apagar o rasto das “quintas-feiras negras” de todos os tempos, surge a Quinta-Feira, a Maior! Começa ao cair da tarde  e não se lhe vê o fim. Ela é a do pão e do vinho, mas é-o também da frustração e da amargura, de suor e sangue. Ela é a do perdão, mas também da traição. Do amor e da vingança. Do triunfo e da tragédia anunciada.

Esta é a tarde e a noite e a manhã que despontarão sempre, num ritmo incessante e cíclico onde nasce e renasce toda a trajectória dos humanos viageiros. A trajectória tem nome e estatura: é a mesa global que circunda o Planeta. Todos têm lugar marcado neste banquete universal. Ninguém é excluído da boda. A ementa é amassada de terra e água e sol criador: é trigo e é bacelo, pão e vinho. Neste repasto sem mordomos brilha a cereja em cima do bolo de aniversário: o abraço total, até para o espião, o ‘amigo’ traidor.
Daria tudo para entrar no coração e nas pupilas do Nazareno, ler a lonjura do seu sonho, ali mutilado, afogado na poça de sangue do seu corpo assassinado menos de 24 horas após a ceia da despedida. O estratega infinito diante dos seus “homens de mão”, doze pobres aprendizes, tímidos, de horizontes fechados!
Por hoje, fixámo-nos na Mesa, no Pão e no Vinho. E no Perdão. Repousámos na interpretação de Francisco Papa, quando abriu a cortina  e anunciou; “A Comunhão deveria ser tomada na mesma mesa comum… E preferencialmente nas duas espécies, pão e vinho”.
                                             
E foi com redobrada emoção que todos os comensais repetiram o mesmo gesto de há quarenta anos: aproximaram-se da mesa, estenderam a mão e tomaram a eucaristia. Da minha parte, realizei um sonho de outrora: pegar o pão  (pão-de-casa, amassado pelas mãos das pessoas e cozido no forno a lenha)  consagrá-lo, parti-lo e comungá-lo. Devo dizer que nunca me senti tão perto da Última Ceia! E o povo cantava:
Pão da terra que Deus cria
Para a nossa refeição
Hoje é vida e alegria
P'ra quem vive em comunhão

No exercício comunitário do perdão, o reconhecimento dos erros e o esforço de catarse interior fizeram toda a assembleia respirar o ar puro da concórdia, acompanhando o refrão:

Com perdão e liberdade
Faz-se a Mesa da Amizade

Mas não acaba aqui a Quinta-Feira, a Maior. É tarde, é noite e é manhã. Sempre. Porque  “Jesus continua em agonia até ao fim dos tempos”! (Blaise Pascal). 
  
  29.Mar.18
Martins Júnior