sábado, 5 de maio de 2018

TODOS OS DIAS NUM SÓ DIA !


                                        
Qual é o dia do ano que não seja Dia da Mãe?
E qual é a hora do dia, o minuto e o segundo que lhe não pertençam?
Todos os dias e todos os instantes são dela. Como um verbo total, a Mãe conjuga-se em todos os tempos e modos.
Hoje, trago-a daquele extenso tempo vivido em Mocímboa da Praia, Moçambique, há mais de 50 anos, no forçado exílio da guerra colonial. De regresso a casa, a tristeza da solidão longínqua fez-se prazer intimista, junto dela, ao som festivo das notas do piano.
Transcrevo, pois, a canção de outrora, a qual  será dita amanhã, Dia da Mãe, na apresentação da colectânea:  “Poemas Iguais aos Dias Desiguais”.


SAUDADES   DE  MÃE


Nunca te vi tão perto,
Como agora,
Neste deserto,
Onde tudo é longe e onde a alma chora…
Nunca te vi tão grande e branca e bela
Como neste céu,
Onde cada estrela
É mais uma saudade que vela!...
É a ti que eu chamo e canto
Ó minha mãe…
A ti que me deste o sol e o pão
Com o sangue e com o pranto
Que arrancaste ao coração…

Hoje é o regresso
Ao berço antigo
Que a toda a hora vem comigo…
E sinto que a tua face
É como o sol que renasce
Em cada curva do caminho!
És sempre linda, és sempre nova,

Ó minha mãe,
Como a trova
Que a minha alma sonhou e não soube dizer.

Como outrora,
És sempre essa alvorada
Que vai abrindo, vida fora,
A fundura abissal da minha estrada!

06.Mai.18
Martins Júnior