quinta-feira, 7 de junho de 2018

A SAÚDE URBANA CONTRA OS MUROS QUE OPRIMEM !


                                                       

Hoje sou forçado a mudar de registo. Da multiplicidade inspiradora, saída do Dia do Ambiente, manda a consciência cívica, individual e colectiva, que faça hoje uma deriva obrigatória para, precisamente em nome do Ambiente e da Ecologia, sacudir energicamente o enxurro de aleivosias e insultos públicos que expeliram certas goelas, (digo goelas, porque dotadas de poder discricionário)  atiradas ontem ao rosto dos funchalenses e, ao fim e ao cabo, de todos os madeirenses.
Não perco tempo a pesar  a gordura ou a medir o esqueleto desse paquiderme-gibóia monstruosa vindo de uma selva de ‘massa. ignorância e sofreguidão’ e atirada ali para as bandas do Ribeiro Seco. O que só por si se mostra não carece de demonstração.
Mas o que mais atordoa o pacato transeunte da avenida é o desplante de três  exuberantes títeres da praça pública – desplante mais descomunal que o próprio monstro armado – ao querer convencer-nos da lógica e da justiça do injustificável. Argumentos nenhuns: só o livre e desbragado alvedrio do seu real bestunto. “É assim, porque sim, porque eu assumo, porque eu mando e porque eu quero”. E, à falta de argumentos, puxa-se à corda o inimigo externo: “Se for um de fora achavam bem, mas se for de um madeirense já acham mal”. Que farrapo de argumentação! Seria caso para perguntar onde é que estão esses monstros feitos pelos ‘de fora’.
Conterrâneos meus, voltámos ao músculo e ao berro de há décadas?... Querem os mesmos voltar a embrutecer-nos e a embotar-nos a sensibilidade cívica e ambiental?... Para onde caminhamos nós? E para onde caminharão as novas gerações?...
Mais ridícula e, essa sim, embrutecida foi a charada de quem cantou em ritmo binário: “Se fosse comigo, não aprovava isto”. E logo a seguir, OS PARABÉNS; “Ainda bem que deixou  a Calheta e veio para o Funchal”. (Palmas, muito bem!). Estão a escancarar risadas de quem? De nós ou de si próprios? Gravem o disco e rebobinem a fita! Oiçam-se.
O dinheiro não é tudo, E mesmo que seja ouro, não matem a galinha dos ovos de ouro!
Fico-me por aqui, mas a indignação não. Continua. Em nome do Ambiente, da respiração, da saúde urbana, contra a opressão dos muros da cidade! Falo, porque sou cidadão, madeirense, transeunte. E também, pelo modesto “saber de experiência feito”, em tempos que já lá vão. Jamais esquecerei aquela  resposta lapidar de um munícipe quando um certo empresário pretendia construir um (chamemos assim) pequeno paquiderme-gibóia e argumentava em seu favor: “o dinheiro é meu, faço dele o que quiser”, ao que o cidadão reclamante respondeu: “O dinheiro é teu, mas o ambiente é nosso, o ar é de todos, o sol é de todos”. E foi este o veredicto que venceu.
Que cidade e que cidades deixaremos aos vindouros?!

07-Jun-18
Martins Júnior