segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

MENSAGEM DE ANO NOVO



Transbordam em catadupa as mensagens de Ano Novo e as redes sociais são os caudais onde elas fluem com toda a emoção e liberdade. Da minha parte, entendi ser meu dever saudar a Festa da Vida que simbolicamente recomeça, ao dobrar a folha do calendário. Com as melhores expectativas para todos, aqui vai a síntese do pensamento expresso, de viva voz,  na nossa assembleia comunitária.

31.Dez.17-01.Jan.18

Martins Júnior

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017 - MORRER A RIR…

O tempo, já sem tempo, não dá tréguas ao tempo. É o fim da jornada e o árbitro, que também é tempo, já tem nos dentes o apito para o final da partida. As escorralhas que sobram de todo esse tempo só dão para agarrar as nesgas caídas no espaço fora de nós. De modo que já não há tempo para olhar dentro, talvez nem sequer para pousar um instante no galho de uma linha escrita.
Por isso, acompanho a euforia diletante dos ‘fogos fátuos’ que nos levam pelos corredores terminais do ano que já foi novo, há 365 dias. Então, é ver e ouvir os produtos que a rua, a rádio, os jornais volantes nos atiram aos pés, de preferência os que nos divertem e fazem rir. Por exemplo, os inquéritos, tipo à-queima-roupa, sobre os acontecimentos marcantes do ano. É uma embaralhada sopa de letras, para não dizer uma salada norte-coreana, o resultado imediato. Para uns, são as tragédias e os incêndios, para outros é o Mário Centeno, para o ‘grosso da manada’ é o Cristiano da bola, E, pasme-se, ouvi eu o testemunho de quem escolheu como figura do ano, nem mais nem menos, Donald Trump, “um valente patriota americano que luta pelo seu país”…
Cá no burgo ilhéu, o matutino, que já  encolheu o nome de baptismo, fez uma sondagem intimista aos seus jornalistas e colaboradores (leia-se, aos membros confessos da loja) para indagar quais os três maiores deste ano regional da graça. E quem seria o “primus inter pares”? Ora, quem havia de ser? Logo, logo, o dono da loja. Bruxo!... Não há almoços grátis. Tudo se paga!
Num outro correio que em cada manhã chega às bancas (ele, também regional) salta-nos um apreciável caderno oficial, encimado por estas solenes parangonas: “OBRAS NA SAÚDE E PELA SAÚDE DAS NOSSAS GENTES”.        Enquanto folheio os oito linguados impressos, deparo-me com esta literatura originalíssima, porque futuríssima: “Antigo quartel será espaço polivalente… Centro de Saúde do Arco terá melhores condições…Centro de Saúde da Nazaré vai ser ampliado… Centro de Saúde de Porto Santo será reabilitado em fevereiro… Centro de Saúde do Curral será renovado… Os Marmeleiros serão renovados por fora e por dentro”… (Tome nota: primeiro por fora e só depois por dentro). E outras do mesmo teor. Mais incisivas e persuasíveis, porém,  são as notícias sobre o nossos Hospital: “Bloco Operatório, alvo de profundas alterações (e, no texto, esclarece: “em abril de 2019”)… Na mesma página: “Bloco de Obstetrícia avança em janeiro”… Mais: “Novo Hospital da Madeira será Revolucionário no País”… Só que, noutra página, ao alto, vem o pré-aviso: “Projecto do Hospital lançado em março”. Na gramática regional, só há  verbos no futuro. Notável!
Faut-il rire de tout?- dedicava o periódico “Le 1” o seu último texto à questão ”Se se deve rir de tudo?” Neste caso, a resposta é afirmativa. Só deixa de sê-lo quando se chega à conclusão de que toda esta ‘diarreia’ publicitária, rocambolesca e furtiva como o “fogo da noite do São Silvestre”,  é paga com o dinheiro dos madeirenses. Enfim, só dá para isto o ‘cantar do cisne’ em 2017! Como também dá para embrulhar em papel pardo os recentes decretos da República sobre o financiamento dos partidos, aproveitando agora  a barafunda estonteante da Festa. Tal qual se passa com as eleições para as lideranças partidárias. Lá e cá, onde saltam da cartola charadas e risadas como esta: “Afinal, Quem leva quem ao colo? O protegido ou o protector, o ventríloquo ou o orador, o original ou a fotocópia”?... A nível nacional, as partes em confronto já provaram falar por conta própria, marcando um debate televisivo. É a melhor estratégia para evitar que o ridículo cubra o ‘enterro’ de 2017.
  Entretanto, a sentença já é sobejamente conhecida: ”Rir é o melhor remédio”.
      29.Dez.17

Martins Júnior

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

FRANCISCO: ESCRITOR DE GEMA – “a ternura revolucionária”

                                                 

              “Já que está em corte, não posso deixar passar”. Tomo esta quase interjeição tirada das típicas partidas de cartas que fazem parte do menu familiar das  nossas oitavas da Festa, para justificar a motivação irrecusável da presente missiva. É que longe de mim estava olhar o Papa Francisco por esta frecha singular: a estilística literária dos seus escritos. E caíram-me no ‘sapatinho’ duas jóias lapidadas, cinzeladas. delicadamente  polidas pela mão do químico argentino. Para quem se  habituou  a  mergulhar no fundo ideológico das suas intervenções, esta ‘prenda’ ganhou  uma surpresa saltitante que não pode ficar em branco.
         Trabalhar com mestria a metáfora, burilar a adjectivação com elegância e propriedade terminológica, explorar a antítese, agregar sinestesias – são predicados raros, conferidos apenas aos privilegiados da arte literária. Encontramo-los no “contentamento descontente” e no “fogo que arde sem se ver” de Camões, no “espinho doce da saudade” de Garrett ou no “verde macio” de Eça e em todos os grandes cultores da língua. Eles têm momentos indizíveis de ascese, os quais só por si próprios identificam o génio criativo do escritor, apanágio dos poetas.
Pois bem: foi isso mesmo que detectei nas duas jóias caídas das mãos do Papa Francisco. A primeira: “Fazer qualquer reforma no Vaticano é como pretender limpar a estátua da Esfinge do Egipto com uma escova de dentes”. Letal e  fatal! A segunda: “Contemplar e entender a ternura revolucionária do presépio”
            Ternura revolucionária! Fico-me, hoje, por esta  segunda inspiração. Que beleza conceptual e formal! A justaposição de realidades antitéticas  - ternura e revolução, berço infantil e afrontamento bélico, canção de embalar e grito libertador – tudo converge para a ogiva perfeita que mistura a sensibilidade mais serena com a mais dinâmica  militância de acção. Ecoam aos meus ouvidos a definição clássica do processo educativo e da condução dos povos - fortiter ac suaviter – com firme suavidade. Ou ainda o veredicto do marechal Costa Gomes, aquando da Revolução dos Cravos, “a legalidade revolucionária”.
         Ultrapassando a preciosidade da forma e entrando no fundo ideológico do Papa Francisco, razões tem ele para agitar a consciência social dos nossos tempos e denunciar a “descaracterização do Natal”, fenómeno que se tornou viral, senão mesmo vazio e contraditório. Chega de olhar apenas o “Bebé numas palhinhas estendido, numas palhinhas deitado”. Nele está o Grande Caminheiro, abrindo as portas do futuro comum, os “Caminhos de Belém”. Nele, o Reformador da Humanidade. Nele, o Homem Livre que pagou com o sangue a factura da sua Liberdade. Diante do presépio, batem no meu peito as palavras de Louis Pasteur (cito-as em todos os baptismos): “Diante de uma criança sinto-me cheio de ternura por aquilo que ela é, mas cheio de respeito por aquilo que poderá vir a ser mais tarde”.
         Papa Francisco, em dois vocábulos, sintetiza a grande enciclopédia inscrita na gruta da natividade: Ternura Revolucionária. Duas palavras que valem uma encíclica. E que encerram a convocatória de mobilização universal em defesa da nossa Causa Comum!

         27.Dez.17
         Martins Júnior

        

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

O MAIOR LIVRO BRANCO DA HISTÓRIA

                                                      

       Uma gruta escura, perdida no breu das montanhas, abriu-se em leque e tornou-se Livro – o maior da história – nascente primeira de todos os rios que fertilizam o universo: a Sabedoria, a Luz, a Liberdade/Igualdade, a Ecologia, a Esperança e o Perdão – a síntese de todos os caminhos.
Foi para isto que se fez Natal.
É para isto que hoje fazemos Natal.
Os Caminhos de Belém também passam pela Ribeira Seca.
BOAS FESTAS!

25.Dez.17

Martins Júnior

sábado, 23 de dezembro de 2017

OS 7 RAMOS, OS 7 RIOS, AS 7 ESTRELAS, OS 7 CAMINHOS QUE SAEM DA FURNA!

                                                     

À mão de quem cava a terra e a semeia peço uma raiz genuína e poderosa que se abra em ramos prenhes de flores e frutos. Sejam cinco ou mais, mas pelo menos sete os braços do tronco-rei.
Ao artista  do futuro rogo um projecto monumental que alcance o Setestrelo galáctico que marca a oiro a abóbada celeste.
Do rochedo gigante que retém dentro as nascentes polares espero águas mil, transportadas pelos sete rios do Apocalipse.
Ao ourives de antanho encomendaria o candelabro de sete braços iluminando a história de todos os tempos.
A todo o guardador da Vida eu pediria tudo o que busquei nesta viagem à furna de Belém. E vi sair de lá caminhos infinitos que se entrelaçam em sete ramos. E são: O Conhecimento, a Luz, a Liberdade, a Igualdade, a “Casa Comum” que todos partilhamos, a Esperança e, no cume da montanha, o Perdão que se dissolve em Amor e Paz.
 No presépio da Ribeira Seca espelham-se os Caminhos de Belém. Porque eles também passam por aqui. Na madrugada de 24 de Dezembro, ao soarem as campainhas do espírito, (as de bronze ficam caladas),  marcando as seis da manhã, chegaremos ao monte mais alto: a Festa do Perdão. Mais alto, porque sem a Festa do Perdão nunca haverá Festa de Natal.
Benvindos! Que saiamos todos Felizes!

23.Dez.17
Martins Júnior


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

SEMPRE EM VIAGEM PELOS CAMINHOS DE BELÉM

                                          

São estes os dias de caminhar. Até para aqueles que fazem, nesta altura, a sempre espantosa viagem sem regresso. O meu amigo Gaudêncio Figueira ampliou a lista de convidados para a grande consoada sem ementa. E todos caminhamos, em passo descontraído ou açudado, para as bandas de Belém.
Na vanguarda, o Bandeirante-Bambino traz na mão o bordão de caminheiro e na mente o ‘Gps’ para o mundo. Já o vimos abrindo o Caminho do Conhecimento e, através deste, o Caminho da Luz. “Ele, a Luz que ilumina tos os que vêm a este mundo”! Conhecimento e Luz partilham o parto da dignidade humana, consubstanciada na encruzilhada desses dois caminhos: a Liberdade. Mais que ninguém, Ele aprendeu desde a nascença ‘quanta custa a Liberdade’ e por ela sacrificou a própria vida. “Vim ao mundo para libertar do medo e da escravidão todos os oprimidos da terra”. Ele o disse.
No quarto dia das ‘missas do parto’ vividas neste lugar das “Furnas do Cavalum”, o Grande Caminheiro conduziu-nos à almejada (e nunca alcançada) planície da Igualdade e da Fraternidade. Muito antes dos ideólogos da Revolução Francesa, em 1789, o ‘Gigante-Menino’ já definira o rumo: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. Assim o disse e assim o fez. Ele “que não sabia filosofia e não consta que tivesse biblioteca”.
A nossa viagem continua pelos Caminhos de Belém.
 21.Dez.17
Martins Júnior


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

QUANDO A MORTE É RENASCENÇA…

                                                  

Na semana que nos separa do 25 de Dezembro, o Dia de Todos os Natais da Vida, um HOMEM intemporal voltou ao regaço quente e doce da Mãe-Terra. Não lhe chamarei os nomes mais polidos, nem lhe farei o justo panegírico do protocolo fúnebre. Ele merece-o, mas  dispensa-o. Tão pouco derramarei uma lágrima sobre a lousa tumular. Porque missão cumprida é vitória alcançada. Dele “falou” , há seiscentos anos, Sá de Miranda:

Homem dum só parecer
Dum só rosto e de uma só fé
De antes quebrar que torcer
Outra coisa pode ser
Mas de corte homem não é”

São assim aqueles que da morte se libertam!
Queres fazê-lo renascer e trazê-lo de volta?...
Faz o mesmo. Façamos o mesmo. “De um só rosto e de uma só fé, de antes quebrar que torcer”. “Homem da corte” é que não, nunca! É assim que ele fica sempre connosco!
Interrompo hoje a mensagem do” Grande Caminheiro” de Belém, para sentir mais fundo  a mão  generosa  de um amigo apertando a minha.
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19.Dez.17

Martins Júnior