sexta-feira, 9 de agosto de 2019

“TODOS OS CAMINHOS VÃO DAR A ROMA-AMOR”


                                                           

É de Amor que continuamos a conversar. E o que hoje trago fica estreitamente junto ao que, de propósito, deixei escrito ontem. Ponto, parágrafo. No final descobrir-se-á o porquê desta opção.
Mas o escopo nuclear do enigma proposto é chegar mais além.
Em palco e na vida, duas personagens – afastadas na crença, mas geminadas no mesmo vértice existencial -  discorreram, declamaram mesmo, sobre o mais belo e transcendente poema: o Amor. Cada qual sentiu-o e tentou defini-lo. Consultando a página anterior, nela sugeria-se que se descobrissem as semelhanças e diferenças entre os dois: Paulo de Tarso, Apóstolo, e o Ateu confesso. E eis que o mistério se dissipa: entre o crente e o descrente não há diferença alguma, só unanimidade de conceitos e programas de acção. Basta cotejar algumas das citações descritas:
“O Amor tudo desculpa, tudo espera, tudo suporta”.(Paulo).
“O Amor é dádiva, amor oblativo, generoso”  (Coimbra de Matos).
“O Amor não é ambicioso, não procura os próprios interesses”. (P.)
“O Amor não é egoísta, é altruísta, traduz uma necessidade gregária, social” (C.M.).
Decifrando o enigma, esclareço que as citações 2.3.6.7.9 pertencem a Paulo de Tarso, na 1ª Carta aos Coríntios, cap.13). As restantes são do Prof. Dr. Coimbra de Matos, in “Do Medo à Esperança”, em co-autoria com Raquel Varela.
Onde pretendo chegar com este exercício de paralelismo ideológico?
Simplesmente a isto: “Há muitas moradas na Casa do Meu Pai” – afirmou um dia o Nazareno. (Jo, XIV, 1-3).E - concluímos nós - se há muitas moradas, há também muitos caminhos para lá chegar. Paulo Apóstolo e Coimbra de Matos, por vias diametralmente opostas, chegaram à mesma vivência, ao mesmo vértice interpretativo da realidade “AMOR”.
Subindo à fonte original desta conclusão, descobrimos que o Ser Humano é o repositório vivo de sentimentos inatos, fabulosas projeções imanentes. Há um fundo comum, ínsito na condição humana, jazidas estruturais de ordem ética, estética, lógica, espiritualista, que importa desvendar e desenvolver, sem ser preciso recorrer a terceiros gurus transcendentais. É sobejamente conhecido o velho axioma da filosofia: Non sunt multiplicanda entia sine necessitate (não devemos multiplicar os entes ou entidades sem necessidade). Aplicando ao caso em apreço, compreendemos bem por que razão chegou Coimbra de Matos à mesma conclusão de Paulo Apóstolo. Porque o Amor está inscrito no ADN da condição humana. O problema é “que poucos dão por isso”, tal como “o binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo”, diria Fernando Pessoa.
Tenho para mim que muito se usa e abusa de Deus, incomodando-O por tudo e por nada. Mais: desconfio até que há quem procure n’Ele aquilo que já possui dentro de si mesmo - e a si mesmo deve exigir. É a inércia, a lei do menor esforço a sobrepor-se à dinâmica da criatividade genética de que somos dotados. Volto a afirmar: a maior glória do Criador é a autonomia da  Sua criatura.
E já que estamos numa maré de afectos estivais (com uma pitada de humor duvidoso) reproduzo aqui o depoimento daquela mulher quarentona, inibida por complexos religiosos e, por isso,  auto-constrangida na sua relação conjugal: “Eu evitava sentir prazer, por pecado. Só comecei a senti-lo intensamente quando alguém (?) me disse que Deus achava bem o meu orgasmo”. Foi no programa televisivo “Prós&Contras”.
Ridicule, mais charmant”!
Festejemos o Amor! Como em Fanhais, da Batalha e Aljubarrota, cantaram Raquel e Beto  a Vitória do Amor, entre poemas e canções, tendo por fundo as mensagens que serviram de mote a esta trilogia do “Senso&Consenso”. Viva o Amor “oblativo, generoso, dádiva suprema”!

09.Jul.19
Martins Júnior
       


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