segunda-feira, 15 de julho de 2019

CANTO NOVO NA VOZ DO POVO!


                                                                      

Chegou, enfim, o “Amanhã” que anteontem tinha eu  anunciado. É caso para dizer e confirmar que não é vã a boa nova dos “Amanhãs que cantam”! E porque foi o Povo da Ribeira Seca o grande protagonista e destinatário dessa vitória, dou a palavra ao mesmo Povo, reproduzindo aqui os versos que Josefina Mendonça, natural e residente nesta localidade, dedicou então ao Prelado Diocesano:

“Boas-Vindas, Senhor Bispo
À nossa simples igreja
A sua nobre visita
Já há muito o povo deseja

O Senhor Padre Martins
O Senhor Bispo Nuno Brás
Vê-los juntos de mãos dadas
Que enorme alegria nos traz

Veio repor a Verdade
O Senhor Bispo Nuno Brás
Agora feita a Justiça
Podemos viver em Paz

Como o nosso Papa Francisco
Nosso guia e protector
Que respeita toda a gente
Não importa raça ou cor

Os nossos pais e avós
Queriam ver este dia
Infelizmente partiram
Sem terem essa alegria

Aqui vêm as crianças
São flores destes jardins
Que há 50 anos cultiva
O Senhor Padre Martins

O nosso muito obrigado
Por nos dar felicidade
À nossa Ribeira Seca
E a toda a comunidade”

15.Jul.19
Martins Júnior

sábado, 13 de julho de 2019

QUANDO O ÍMPAR SE FAZ PAR


                                       

Acontece…
Quando a noite se faz dia. Quando o rio se faz mar. E quando as armas de  guerra se transmutam em oásis de amor e paz.
Hoje é assim neste “Consenso”.
Amanhã, logo verão que a porta ímpar de julho crescente transfigurar-se-á em portão largo,  aberto de par em par!
Até lá!
 13.Jul.19
Martins Júnior     

quinta-feira, 11 de julho de 2019

SOL DE ABRIL NESTE FIM DE SEMANA!


                                                         

Como o Amor, também o “25 de Abril” não tem tempo nem medida!
Há-os de vários tons e variegadas cores. Há-os de tronos e nações. Há-os até  de templos e religiões. Os pesos da balança falham e nem a métrica tridimensional consegue abarcar a amplitude do “25 de Abril”, seja ele  intimista ou colectivo.  Porque o sabor da libertação tem todos os perfumes e paladares que o mundo é capaz de conter.
O Povo de um modesto rincão suburbano da ilha verá uma réstia desse sol aprilino, a partir de 12 de Julho. Será Festa! Em homenagem à Terra-Mãe e que ela produz,.
o Pão e ao Vinho, matéria prima da Eucaristia. Homenagem em linha recta ao Prelado da Diocese, o Bispo Nuno  Brás, que estará presente no templo da Ribeira Seca. Há mais de 50 anos que um vigilante máximo da diocese e Pai da Cristandade madeirense abandonou o Povo Católico daquela localidade.
         Por isso, é Festa!. Primeiro, a Festa do Perdão na sexta-feira, dia 12, sem a qual não poderá haver nenhuma outra. No sábado 13, a partir das 20,30H, a vigília festiva e no domingo, a partir das 17H, a visita do Prelado Diocese, com Eucaristia e Cortejo Processional, seguida de animação lúdico-cultural, preenchida pelas canções originais do reportório do Grupo de Cantares da Ribeira Seca, Machico.
Será Abril renovado para quem o proclamou, o Bispo da diocese e, no mesmo plano, para quem o recebeu, o Povo da Ribeira Seca que aguentou firme e resoluto um ostracismo que durou mais que os quarenta anos que o cativeiro do Egipto.
“Seja bem-vindo quem vier por bem”!

11.Jul.19
Martins Júnior

terça-feira, 9 de julho de 2019

TERRA FÉRTIL!


                                                

Aqui, a terra antiga traz na barriga de jovem-mãe primaveras renovadas. As raízes de outrora, ensopadas em sangue e húmus, cantam as dores de um parto, quase impossível, mas que um dia havia de chegar!
Não são as loas de Tristão e Zargo. Nem de outro herói datado. É o trono do anti-herói que se levanta, silencioso, inexorável e belo.
Porque aqui e agora, herói anónimo é o Povo.
Por isso, desde o alto dos montes até à fundura dos vales, um só grito ressoa: 
“O POVO É QUEM MAIS ORDENA”!

09.Jul.19
Martins Júnior        

domingo, 7 de julho de 2019

UM DOMINGO PARA TODA A SEMANA, PARA TODA A VIDA

                                                                             

Do XIV Domingo comum:
“Alegrai-vos com toda a Jerusalém, vós que a amais. Alegrai-vos com ela, vós que participastes do seu luto”.
Isaías: 66, 10
“Para mim, nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa.
O que tem valor é a nova criatura”.
Paulo: Gálatas, 6, 4~5
                                          *****

Quem mandou a Isaías  que neste domingo falasse para a Ribeira Seca, para a Madeira, para o Mundo?... É que nós amamos a nossa Aldeia-Cidade e durante mais de42 anos  partilhámos  do seu luto. O nosso luto chamou-se luta, acção e canção. Por isso, cantamos com ela.
 E quem ordenou a Paulo de Tarso que viesse justificar a razão da nossa paz e da nossa resistência?... Porque o único valor que importa é manter a
nova criatura que há dentro de nós.
         07.Jul.19
         Martins Júnior

sexta-feira, 5 de julho de 2019

TODO O TEMPO E TODO O MUNDO EM MACHICO!


                                                            

Fosse onde fosse, o que ontem aconteceu em Machico mereceria sempre a subida honra do título: “Todo o Tempo e Todo o Mundo”. Porque é fora de suspeita a realidade factual ali dita e desdobrada perante a magna assembleia de educadores, professores e jovens estudantes ali presentes, envolvidos e abraçados sob o signo em epígrafe.
O brilho da educação e  as suas imensas derivadas apresentaram-se de braço dado com a intuição e a criatividade humanas focalizadas no amplo conceito do “Empreendedorismo”. E o mais impressivo, desconcertante e, ao mesmo tempo, ajustado de tudo foi a dedicatória presente em todo o acontecimento: as crianças em idade escolar. Aliás, foram elas as protagonistas e as destinatárias dos esforços de tantos professores que, ao longo de vários anos, assimilaram a essência da iniciativa e puseram em prática as linhas programáticas do programa. Que bela identidade lhes deram “Brincadoras de Sonhos”.
Ali, ao vivo e pela mão dos seus operacionais assistiu-se à anatomia do ensino, as suas consequências, as suas exigências. Viu-se a educação por dentro, os prós e contras do figurino actual, estático, direi, quase-escolástico, narcísico, talvez autista das escolas tradicionais. Em contraponto, surgiu uma nova face do ensino, de carácter pragmático, caminhando lado-a-lado com a vida, integrando-se nela e com ela fazendo a pareceria perfeita. Neste módulo, o alunos já não é um segregado, fechado numa sala ainda mais segregada, mas um companheiro do saber, contracenando com o conhecimento científico. discutindo com ele e com ele “ganhando competências”, ampliando o espírito crítico através da criatividade inata ou adquirida.
Para nós, adultos, formatados  no apertado escantilhão do ensino dogmático de outrora, custa a entender os dados da “escola nova”, gizada ao ritmo da vida e na ponta de um dedo. É por isso que se torna imperativo incondicional o aproveitamento de todos as componentes e valências da vida em sociedade, incluindo as redes sociais, os ‘tablet’s”, os telemóveis e a sua forma de usá-los. Enfim, um mundo novo, um tempo novo!
Brilhante - e mais que brilhante – substancial e rico foi o elenco de professores intervenientes neste seminário, com obra feita na docência de várias universidades portuguesas e estrangeiras e com trabalhos reproduzidos em livros e revistas da especialidade. Singular, motivadora a exposição do catedrático brasileiro Paulo Eirado Dias Filho. Nota máxima para todos! Não menos cativante foi a narrativa das actividades escolares, a cargo das professoras de estabelecimentos de ensino da Madeira e do Continente (apoiados pelos respectivos municípios ali representados) como num sugestivo filme em que aparecia o talento empreendedor dos alunos. Duas notas dominantes: os programas são direccionados para o futuro das crianças, tornando-as autónomas, auto-confiantes, capazes de superar os obstáculos supervenientes. Concomitante a este propósito,  os prelectores incutiram o verdadeiro conceito do empreendedor, não tanto como empresário de negócios, mas como programador do seu próprio futuro, o seu e o da sociedade envolvente.
Mais um dia pleno: a plenitude da grande família humana que juntou docentes e discentes, crianças e adultos num mesmo sentir, o de construir o futuro. E a plenitude de outros espaços geográficos onde já estão em marcha os  novos paradigmas pedagógicos. Ocorreu-me o pensamento crítico  de Galopim de Carvalho, em recente entrevista, relativamente aos códigos anquilosados da aprendizagem: “Não estamos a educar crianças. Infelizmente estamos apenas a amestrar crianças”.
Parabéns aos dois ilustres madeirenses, Prof. Jacinto Jardim e ao Prof. Eduardo Franco, pelo dinamismo verdadeiramente empreendedor de unir mestres e aprendizes de todo o país nesta inovadora estratégia didáctica. Parabéns à entidade promotora da presente iniciativa, o Município de Machico, na pessoa da Vereadora da Cultura, Mónica Vieira, pela inteligente metodologia com que liderou todo este movimento. Numa altura em que ‘virou’ moda e vício meter tudo ao ‘baralho’ dos “600 anos”, ainda bem que a autarca libertou Machico dessa rede viciada e até ridícula. No entanto, foi incisiva a sua evocação de Tristão e Zargo, para apelar aos “Brincadores de Sonhos”, os jovens e as crianças de hoje, a que se assumam como descobridores e empreendedores de um mundo novo. O seu, o nosso Mundo!

05.Jul.19
Martins Júnior


quarta-feira, 3 de julho de 2019

POVO QUE FAZ, FESTEJA E AGRADECE


                                                            

Como é saudável a transparência dos contrastes! E que  brilho de alma acender una vela no antro da nocturna escuridão. Tal como  ver recrutarem-se à luz do sol nascente os verdes plúmbeos da montanha ou o negrume basso do nosso basalto. Há mais verdade  e cor dentro e fora de nós!
Foi o que me foi dado ver e seguir, passo a passo, nas comemorações do Achamento da Ilha, entre 1 e 2 de Julho.  O dia primeiro apresentou-se opado com recheios de gente de fora – Bem-vindo quem vier por bem -  e adereços de fino artifício. A “glória de mandar, a vã cobiça a que chamamos fama”, diria Camões. O dia segundo, porém, modesto mas pleno, em aberta praça pública e democrática partilha da população de Machico. Sem desdourar o primeiro, manda a verdade dizer que o segundo ganhou-lhe a palma. Porquê?...
A evidência não deixa dúvidas. No 2 de Julho, as gentes de Machico sentiram o pulsar histórico do seu “Dia”. E fizeram a festa, Os poemas, as canções, as emoções. Tudo quanto foi servido à mesa de Tristão e Zargo, 600 anos depois, foi tudo manufacturado, vivido, assimilado pelo povo da terra. Na expressão plástica do baixo-relevo, da autoria de um homem de Machico, o escultor Luis Paixão, condensa de forma iniludível a fidelidade deste Povo fiel à verdade histórica do seu nascimento para os Anais do Tempo.
Insofismável, porém, foi a prova que, em jeito de pré-anúncio, apresentou  o Presidente da Junta de Freguesia ao revelar em primeira mão a decisão de reeditar a colectânea “AQUELE ESPESSO NEGRUME”, uma obra editada em 1982 pela Junta de Freguesia, então presidida por quem escreve estas linhas. Trata-se da recolha de textos dos autores iniciáticos que perpetuaram por escrito a evocação do Grande Feito de 1419. O mérito da obra reside na energia porfiada de um punhado de jovens estudantes que, há 37 anos(!), pesquizaram e reproduziram os primeiros testemunhos de cronistas coevos, desde Francisco Alcoforado, Gomes Eanes de Azurara, João de Barros, Gaspar Frutuoso, Luís Vaz de Camões, a que seguiram poetas e romancista que, nos séculos seguintes, versaram o mesmo tema. Jovens audazes do concelho, rapazes e raparigas que abraçaram entusiasticamente a minha sugestão e  deixaram para o futuro uma autêntica memória científica.
Será, talvez, a coroa que faltava nestas comemorações, a qual saúdo efusivamente na pessoa do Presidente da Junta de Freguesia de Machico, Alberto Olim, com votos de que seja o bandeirante dessa iniciativa, esta sim, feita em Machico, por Machico e para Machico. Um Bem Haja!

03.Jul.19
Martins Júnior