sábado, 11 de setembro de 2021

ELE PASSOU POR AQUI…

                                                                                


… E PARA SEMPRE FICOU NO CORAÇÃO DO POVO DA RIBEIRA SECA!

 

Um encontro perpétuo que o conforta e nos liberta.

Para sempre!

 

11.Set.21

Martins Júnior

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

TORRES DE NOVA YORK –“IMAGINE” DE JOHN LENNON

                                                                         


Meio século rolou, interminável e avassalador, sobre a mensagem eterna do “Imagine” de John Lennon - desde 9 de Setembro de 1971 até hoje e até sempre -  um grito do outro mundo para este que é o nosso!

         Cinzas de John Lennon misturam-se hoje às cinzas das vítimas do bárbaro atentado do 11 de Setembro. Um fim de semana em que o espírito do Cantor da Liberdade e da Paz estará presente na martirizada e nobre cidade.

Daqui de longe, acompanho a multidão solidária presente em Nova York. E deixo o meu refrão de amarga desolação transformado em tom maior de uma valsa submersa no rio que nos transporta mais além.

                  

Cinzas encharcadas de lágrimas.

                Cinzas estalando de fogo e raiva

                Cinzas tintas de verde e esperança.

 

                Cinzas fatídicas da Inquisição.

         Cinzas sem corpo dos fornos de Auschwitz.

                        Cinzas redentoras de Joana d’Arc renascida.

                        Cinzas de alma esvoaçante de John Lennon

                        E cinzas outras mortas de ontem

Sementeira de um amanhã sem termo.

 

09.Set.21

Martins Júnior

terça-feira, 7 de setembro de 2021

REVÉRBEROS DE UM RETIRO EM LUTA ! INTERPELAÇÕES DE UMA VIDA !

 

                                                                                 

Terreiro da Luta, Funchal

07.Set.21

Martins Júnior

domingo, 5 de setembro de 2021

A “REVOLUÇÃO FRANCESA” COMEÇOU HÁ MAIS DE 2.000 ANOS EM JERUSALÉM…

                                                                       


Diante de uma semana que se abre, melhor chave não há que abrir o LIVRO e dele extrair inspiração e ânimo para descobrir algo de novo na monotonia do calendário quotidiano. Foi o que fiz neste Domingo e, retomando o convite popular, ‘quem quiser venha comigo’, nesta digressão sumária que me despertou para um achamento singular, o qual se pode sintetizar no enunciado do título, isto é: Afinal, a génese da genuína ‘Revolução Francesa de 1789” já vem de muito longe e terá, pelo menos, 2.000 anos de existência.

Liberté, Égalité, Fraternité – a bandeira tricolor que os revolucionários franceses ergueram apoteoticamente na Bastille de Paris – foi hasteada, primeiro,  em Jerusalém pelo mensageiro Tiago Apóstolo. Ele era o líder de uma comunidade nascente, ele era o Episcopus, originalmente o vigilante circular que segue atentamente o movimento cíclico da mesma comunidade e lhe presta auxílio oportuno. O termo foi traduzido em vernáculo como ’bispo’, mas Tiago nada tem a ver com o figurino segregacionista que actualmente se atribui a esse estatuto. Por defender, qual bandeirante lidador, o tríplice ideal da “Revolução”, em nome do seu Mestre, foi ‘agraciado’ com o apedrejamento: assassinaram-no publicamente.

Mas, perguntar-me-ão, onde está essa Declaração de Princípios de Tiago, o Reformador? Respondendo, proponho-vos abrir o LIVRO e aí encontrareis a CARTA que ele escreveu aos hierosolimitanos, os naturais e residentes em Jerusalém. É toda ela um tratado de psico-sociologia, revelador de quem conhece os meandros da sociedade do seu tempo, usos, costumes, tradições, enfim, a sua idiossincrasia. Hoje, circunscrevemo-nos ao capítulo II.

“Entra no templo um homem  vestido com vestes preciosas, elegante, com anéis de ouro nos dedos. Entra também um outro, pobremente vestido. Certamente, direis ao primeiro: ‘Amigo, sobe mais acima, vem sentar-te num lugar de honra, aqui ao meu lado’. Ao outro, coitado, talvez direis: ‘Tu ficas aí de pé, mais abaixo, ou então senta-te no chão, aos meus pés’… Agindo assim, estais a desonrar o pobre e a fazer distinções com falsos critérios… Esquecestes que são os ricos que vos arrastam aos tribunais e vos condenam e até blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado?!”.

 Tiago, atento ao ambiente prepotente e hipócrita de Jerusalém, verberava as desigualdades sem critérios, as injustiças, as extorsões e, com isso, erguia, primeiro que nenhum outro revolucionário, a bandeira tricolor da “Liberdade. Igualdade, Fraternidade”. E por ela deu a vida, em nome do seu Líder e Irmão, o Nazareno, como era conhecido.

Mais: Tiago falou clamorosamente para os séculos vindouros, para nós, viventes do Século XXI. Para o mundo das gritantes assimetrias financeiras, para os regimes totalitários, capitalistas e exclusivistas. Para as religiões e igrejas que ridiculamente chamam às primeiras filas e procissões os emproados do poder, muitos deles sem um pingo de fé cristã. Religiões que inventam galões e anéis e mitras preciosas para uns e atiram para a valeta do esquecimento os que deram o melhor da sua vida em prol da verdadeira crença. Tiago, falou também para as micro-sociedades, as nossas do real quotidiano profissional e familiar,  que, em miniatura, fabricam pirâmides anãs, mas tão perniciosas como as gigantes, sobreelevando uns, os privilegiados, e chutando os outros para o entulho da construção falsamente hegemónica.

   Igualdade de oportunidades, Igualdade de respeito para com todas as classes sociais, as das bases e as do topo! Eis as pedras sólidas que seguram o monumento da Alegria, dentro do qual todos têm o direito de viver. Termino citando Maomé no Alcorão:_

“Levar alegria nem que seja só a um coração vale mais do que construir mil altares”! Mil templos. Mil decretos. Mil tronos. Mil inaugurações. Mil cortejos processionais.

 

05.Set.21

Martins Júnior

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

A VOZ QUE CLAMA E O OLHAR QUE TRANSFIGURA!

                                                                   


Basta-me ficar com a Voz e o Olhar.

A sua Voz – fluente como um fio de mel – que untava e juntava numa simbiose perfeita os quatro timbres do magno Orfeão do Seminário do Funchal e ecoava melodioso pelas naves góticas da Sé Catedral!

O seu Olhar sereno e seguro onde podiam encontrar abrigo todos os sonhos, todas as inquietações e todas as angústias de quem o procurava!

Tudo o mais – o professor, o poliglota, o cidadão do mundo, o pedagogo e pastor, o colega amigo – tudo se condensa na sua Voz e no seu Olhar.

Sacerdote sem medo, jamais esquecerei – e jamais esquecerá o Povo da Ribeira Seca – a sua presença (sempre a Voz e o Olhar) na celebração comemorativa do aniversário do 27 de Fevereiro de  1985, data da  ocupação da igreja, a mando das autoridades governamentais. Um Gigante de coragem e fidelidade evangélica em tempos duros!

Irmão humilde que partilhou comigo revezes e injustas repisas hierárquicas, mas sempre firme, pleno do optimismo interior que enobrece as grandes almas!

Octogenário como eu – Sentido!!! – estamos diante de Alguém que deu uma vida inteira em prol de uma Causa Maior.

Nada mais lhe posso dar, nem ele precisa. Tão-só, dizer-lhe:

“Rafael-Irmão, enquanto me faltarem dias, meses ou anos para chegar à tua meta, ficarei sempre com a tua Voz e o teu Olhar!

 

03.Set.21

Martins Júnior  

terça-feira, 31 de agosto de 2021

“SALTOS ALTOS” NO AFEGANISTÃO E NO FUNCHAL – A LUTA É DELAS !

                                                                             


Quando digo “Afeganistão” digo todo o mundo feito e todo o mundo a haver. E quando digo “Funchal” plasmo toda a ilha e todos os arquipélagos. Porque o que vai passar-se amanhã no Teatro ‘Baltazar Dias’ rompe todos os mares e todas as fronteiras, sejam as geográficas, sejam as temporais. É um “caso cósmico”, com raízes inarrancáveis, com marcas incicratizáveis.

         O tema envolve o corpo inteiro da história humana, tal qual o peritoneu concentra todos os movimentos metabólicos do organismo fisio-biológico que nos mantém de pé. Obliterá-lo ou mesmo camuflá-lo com suaves crepes é adiar a solução. Trata-se da definição identitária da Mulher – desde a primeira à última – neste deambular dialéctico da história. Há quem lhe atribua outros rostos: emancipação feminina, igualdade de género, luta contra a violência doméstica, complementaridade homem-mulher, entronização da condição feminina…

         Seja qual o figurino, o mundo sempre se defrontou com este drama que, em estrito rigor valorativo, nunca deveria existir. Não vou desdobrar-me em teses, antíteses ou sínteses, já proficientemente elaboradas por abalizados investigadores. Apenas abrirei dois trilhos para chegar à nascente pantanosa que envenenou os rios ultra-milenares da condição humana e que não pára de contaminar os afluentes do mundo onde navegamos. Resumo-os assim:           

         Primeiro, a biologia empírica e, por isso, enviesada que dá razão à força braçal, à moldura dos membros, enfim, à conclusão tribal que faz do macho o emissor iniciático e da fêmea o receptáculo passivo ou, por outras palavras, dá supremacia absoluta ao semeador e obediência servil à terra em cujo seio a semente se faz flor e fruto. Esta visão injectada pelo mais rasteiro olhómetro e aceite pelos códigos dos senhorios possantes, relegando a Mulher à condição de frágil colono, é esta visão que, oriunda da selva, toma conta dos castelos urbanos. Quem porá fim ao empirismo cego, mas embalsamado e perfumado?...

         Segundo (aqui vêm o bálsamo e o perfume): É o Livro do “Génesis” e, a partir daí, outras cosmogonias das religiões abraâmicas, às quais se colam desenvolvimentos dedutivos, numa lógica inflexível e obsoleta, espalhadas ao longo dos textos bíblicos. Por todos, apraz-me sintetizá-los nesta ‘aberrante’ contradição: Assim como Moisés cedeu ao machismo primitivo da sua época,  Paulo Apóstolo, quando decreta solenemente que “o Homem é a cabeça da mulher” (Efésios, 5, 21) deveria completar a sua peregrina alegoria, citando Moisés quando este, afrontosamente, põe O Criador em cena (Génesis, 2, 21-22). Deveria Paulo de Tarso dizer, em rigoroso corolário,  que a “Mulher é a (uma só) costela do homem”.

Quem terá coragem de escrever direito sobre (e contra) estas linhas tortas, que alguém despudoradamente atribuíu  ao Autor Supremo da Justiça Igualitária ?...

O objectivo destes breves considerandos não consiste em doutrinar, muito menos arvorar moralismos conventuais, mas tão-só responder às perguntas com que fechei os dois parágrafos-retro: “Quem porá fim…? Quem terá coragem…?”.

Porque me cansa de tanto ouvir homens ilustres defenderem estoicamente os Direitos da Mulher e da Cidadã, de Olympe de George, desde já 1791, acudiu-me o discurso de Joe Biden, nesta noite: “De que serve perder vidas no Afeganistão se os afegãos pouco ou nada fazem em sua própria defesa?”.

Perdoem-me se exagero. Mas quando se vê a Mulher – são quase todas na Igreja – ufanando-se da sua condição de servas, passivas e subservientes, sem coragem de afirmar a sua verticalidade e o seu direito à palavra (as Mulheres Católicas alemãs já marcaram posição perante o Vaticano!) perante tal indiferentismo generalizado, tem pleno vigor a interpelação de Biden.

Já noutro registo, caí de bruços quando na RTP/M ouvi uma senhora pontassolense de muita idade, nas eleições de 2017, manifestar-se ao jornalista contra uma mulher candidata entre outros homens concorrentes: ”Enquanto houver cabeças, os pés não mandam”. Ridicule, mais charmant! Reflexos directos do “Génesis” e da Carta de Paulo de Tarso. Se fosse erudita, a pobre senhora teria dito que “as costelas não mandam”.

Não esperem as mulheres por advogados-homens (peço desculpa), sejam eles filósofos, teólogos, juristas, actores (actores somos todos!), jornalistas, futebolistas e quejandos. São elas que têm de defender o seu lugar ao sol da vida, na Igreja, na Política, na Ciência, no Trabalho. Apetece inovar a velha palavra de ordem: “Mulheres de todo o mundo, uni-vos”!

Não voltarei a este tema. As mulheres têm talento, energia e criatividade para abrir caminho. Como as Dez Mulheres, de muitas etnias e credos,  com que encimo esta saudação escrita de dentro para fora! Como as encenadoras, directoras e protagonistas dos “SALTOS ALTOS” no Teatro Municipal do Funchal! Bem Hajam!

 

31,Ago/01.Set.21

Martins Júnior

domingo, 29 de agosto de 2021

A QUEM INTERESSA O EXPLOSIVO CAPÍTULO SÉTIMO ?

                                                                                


Se há textos e narrativas que dispensam comentários marginais ou notas de roda-pé é, sem sombra de dúvida, o que nos traz hoje o LIVRO  (mantenho o meu GPS de princípio e fim de semana) no Capítulo Sétimo de Marcos, para o qual remeto os meus ‘companheiros de jornada’  dos dias ímpares.  Limitar-me-ei a respigar, no mare magnum dos viventes, alguns exemplares protótipos do pensamento claro, que trazem consigo os genes do Mestre da Galileia e não se perdem na noite escura dos preconceitos, dos opinadores ‘correctos’, enfim, do status quo que amarra e afoga quem nasceu para a Liberdade. Ei-los:

- Aos que identificam e distinguem o essencial do acessório.

- Aos que não confundem a árvore com a floresta.

- Aos que desmontam dogmas e ídolos caducos entronizados pelo fantasma da tradição  mais obsoleta do “sempre foi assim”.

- Aos que ousam derrubar os ‘monstros sagrados’ que o regime atávico abusivamente .perpetuou.

- Aos que não admitem que ‘se trate melhor o tapete do que quem o pisa’ ou se dê à luva um cuidado maior do que à mão que a utiliza.

- Aos que detestam e destroem toda a espécie de publicidade enganosa.

- Aos que viram as costas aos farsantes do poder e aos prestidigitadores das religiões.

- Aos que têm a coragem de abrir “os sepulcros caiados de  branco por fora, mas podres por dentro”.

- Aos que ousam resistir e dizer ‘não’, mesmo com a perda da reputação do sistema e com o risco da própria vida.

  Porque em cada um dos enunciados neste elenco sumário estarão, (se não no todo, ao menos em parte) os que me acompanham nesta caminhada,

E porque o Nazareno, Ele e só Ele, reúne todo o somatório supra-identificado e assumiu o compromisso inquebrável contra a lei vigente, contra o tradicionalismo obscurantista do Templo e contra a razão da força,

Vale a pena descobrir a Força da Razão e o Esplendor da Verdade, no vigoroso Capítulo Sétimo de Marcos.

É o nosso contributo para a verdadeira Liberdade e para a Saúde Pública do pequeno-grande mundo em que vivemos.

 

29.Ago.21

Martins Júnior