…
E PARA SEMPRE FICOU NO CORAÇÃO DO POVO DA RIBEIRA SECA!
Um encontro perpétuo que o conforta e nos liberta.
Para sempre!
11.Set.21
Martins
Júnior
…
E PARA SEMPRE FICOU NO CORAÇÃO DO POVO DA RIBEIRA SECA!
Um encontro perpétuo que o conforta e nos liberta.
Para sempre!
11.Set.21
Martins
Júnior
Meio
século rolou, interminável e avassalador, sobre a mensagem eterna do “Imagine” de John Lennon - desde 9 de
Setembro de 1971 até hoje e até sempre - um grito do outro mundo para este que é o
nosso!
Cinzas de John Lennon misturam-se hoje
às cinzas das vítimas do bárbaro atentado do 11 de Setembro. Um fim de semana
em que o espírito do Cantor da Liberdade e da Paz estará presente na
martirizada e nobre cidade.
Daqui
de longe, acompanho a multidão solidária presente em Nova York. E deixo o meu refrão
de amarga desolação transformado em tom maior de uma valsa submersa no rio que
nos transporta mais além.
Cinzas
encharcadas de lágrimas.
Cinzas
estalando de fogo e raiva
Cinzas
tintas de verde e esperança.
Cinzas
fatídicas da Inquisição.
Cinzas
sem corpo dos fornos de Auschwitz.
Cinzas
redentoras de Joana d’Arc renascida.
Cinzas de alma esvoaçante de
John Lennon
E
cinzas outras mortas de ontem
Sementeira
de um amanhã sem termo.
09.Set.21
Martins Júnior
Diante
de uma semana que se abre, melhor chave não há que abrir o LIVRO e dele extrair
inspiração e ânimo para descobrir algo de novo na monotonia do calendário
quotidiano. Foi o que fiz neste Domingo e, retomando o convite popular, ‘quem
quiser venha comigo’, nesta digressão sumária que me despertou para um
achamento singular, o qual se pode sintetizar no enunciado do título, isto é:
Afinal, a génese da genuína ‘Revolução Francesa de 1789” já vem de muito longe
e terá, pelo menos, 2.000 anos de existência.
Liberté, Égalité,
Fraternité – a bandeira tricolor que os
revolucionários franceses ergueram apoteoticamente na Bastille de Paris – foi hasteada, primeiro, em Jerusalém pelo mensageiro Tiago Apóstolo.
Ele era o líder de uma comunidade nascente, ele era o Episcopus, originalmente o vigilante circular que segue atentamente
o movimento cíclico da mesma comunidade e lhe presta auxílio oportuno. O termo
foi traduzido em vernáculo como ’bispo’, mas Tiago nada tem a ver com o
figurino segregacionista que actualmente se atribui a esse estatuto. Por
defender, qual bandeirante lidador, o tríplice ideal da “Revolução”, em nome do
seu Mestre, foi ‘agraciado’ com o apedrejamento: assassinaram-no publicamente.
Mas,
perguntar-me-ão, onde está essa Declaração de Princípios de Tiago, o Reformador?
Respondendo, proponho-vos abrir o LIVRO e aí encontrareis a CARTA que ele
escreveu aos hierosolimitanos, os naturais e residentes em Jerusalém. É toda
ela um tratado de psico-sociologia, revelador de quem conhece os meandros da
sociedade do seu tempo, usos, costumes, tradições, enfim, a sua idiossincrasia.
Hoje, circunscrevemo-nos ao capítulo II.
“Entra no templo um homem
vestido com vestes preciosas, elegante,
com anéis de ouro nos dedos. Entra também um outro, pobremente vestido.
Certamente, direis ao primeiro: ‘Amigo, sobe mais acima, vem sentar-te num
lugar de honra, aqui ao meu lado’. Ao outro, coitado, talvez direis: ‘Tu ficas
aí de pé, mais abaixo, ou então senta-te no chão, aos meus pés’… Agindo assim,
estais a desonrar o pobre e a fazer distinções com falsos critérios…
Esquecestes que são os ricos que vos arrastam aos tribunais e vos condenam e
até blasfemam o bom nome que sobre vós foi invocado?!”.
Tiago, atento ao ambiente
prepotente e hipócrita de Jerusalém, verberava as desigualdades sem critérios,
as injustiças, as extorsões e, com isso, erguia, primeiro que nenhum outro
revolucionário, a bandeira tricolor da “Liberdade. Igualdade, Fraternidade”. E
por ela deu a vida, em nome do seu Líder e Irmão, o Nazareno, como era
conhecido.
Mais:
Tiago falou clamorosamente para os séculos vindouros, para nós, viventes do
Século XXI. Para o mundo das gritantes assimetrias financeiras, para os regimes
totalitários, capitalistas e exclusivistas. Para as religiões e igrejas que ridiculamente
chamam às primeiras filas e procissões os emproados do poder, muitos deles sem
um pingo de fé cristã. Religiões que inventam galões e anéis e mitras preciosas
para uns e atiram para a valeta do esquecimento os que deram o melhor da sua
vida em prol da verdadeira crença. Tiago, falou também para as micro-sociedades,
as nossas do real quotidiano profissional e familiar, que, em miniatura, fabricam pirâmides anãs,
mas tão perniciosas como as gigantes, sobreelevando uns, os privilegiados, e
chutando os outros para o entulho da construção falsamente hegemónica.
Igualdade de oportunidades, Igualdade de
respeito para com todas as classes sociais, as das bases e as do topo! Eis as
pedras sólidas que seguram o monumento da Alegria, dentro do qual todos têm o
direito de viver. Termino citando Maomé no Alcorão:_
“Levar
alegria nem que seja só a um coração vale mais do que construir mil altares”!
Mil templos. Mil decretos. Mil tronos. Mil inaugurações. Mil cortejos
processionais.
05.Set.21
Martins Júnior
Basta-me ficar com a Voz e o Olhar.
A sua Voz – fluente como um fio de mel –
que untava e juntava numa simbiose perfeita os quatro timbres do magno Orfeão
do Seminário do Funchal e ecoava melodioso pelas naves góticas da Sé Catedral!
O seu Olhar sereno e seguro onde podiam
encontrar abrigo todos os sonhos, todas as inquietações e todas as angústias de
quem o procurava!
Tudo o mais – o professor, o poliglota,
o cidadão do mundo, o pedagogo e pastor, o colega amigo – tudo se condensa na
sua Voz e no seu Olhar.
Sacerdote sem medo, jamais esquecerei – e
jamais esquecerá o Povo da Ribeira Seca – a sua presença (sempre a Voz e o
Olhar) na celebração comemorativa do aniversário do 27 de Fevereiro de 1985, data da ocupação da igreja, a mando das autoridades governamentais. Um Gigante
de coragem e fidelidade evangélica em tempos duros!
Irmão humilde que partilhou comigo revezes
e injustas repisas hierárquicas, mas sempre firme, pleno do optimismo interior que
enobrece as grandes almas!
Octogenário como eu – Sentido!!! –
estamos diante de Alguém que deu uma vida inteira em prol de uma Causa Maior.
Nada mais lhe posso dar, nem ele
precisa. Tão-só, dizer-lhe:
“Rafael-Irmão, enquanto me faltarem
dias, meses ou anos para chegar à tua meta, ficarei sempre com a tua Voz e o
teu Olhar!
03.Set.21
Martins Júnior
Quando
digo “Afeganistão” digo todo o mundo feito e todo o mundo a haver. E quando
digo “Funchal” plasmo toda a ilha e todos os arquipélagos. Porque o que vai passar-se
amanhã no Teatro ‘Baltazar Dias’ rompe todos os mares e todas as fronteiras,
sejam as geográficas, sejam as temporais. É um “caso cósmico”, com raízes
inarrancáveis, com marcas incicratizáveis.
O tema envolve o corpo inteiro da
história humana, tal qual o peritoneu concentra todos os movimentos metabólicos
do organismo fisio-biológico que nos mantém de pé. Obliterá-lo ou mesmo
camuflá-lo com suaves crepes é adiar a solução. Trata-se da definição
identitária da Mulher – desde a primeira à última – neste deambular dialéctico
da história. Há quem lhe atribua outros rostos: emancipação feminina, igualdade
de género, luta contra a violência doméstica, complementaridade homem-mulher, entronização
da condição feminina…
Seja qual o figurino, o mundo sempre se
defrontou com este drama que, em estrito rigor valorativo, nunca deveria
existir. Não vou desdobrar-me em teses, antíteses ou sínteses, já proficientemente
elaboradas por abalizados investigadores. Apenas abrirei dois trilhos para
chegar à nascente pantanosa que envenenou os rios ultra-milenares da condição
humana e que não pára de contaminar os afluentes do mundo onde navegamos.
Resumo-os assim:
Primeiro, a biologia empírica e, por
isso, enviesada que dá razão à força braçal, à moldura dos membros, enfim, à
conclusão tribal que faz do macho o emissor iniciático e da fêmea o receptáculo
passivo ou, por outras palavras, dá supremacia absoluta ao semeador e
obediência servil à terra em cujo seio a semente se faz flor e fruto. Esta
visão injectada pelo mais rasteiro olhómetro e aceite pelos códigos dos
senhorios possantes, relegando a Mulher à condição de frágil colono, é esta
visão que, oriunda da selva, toma conta dos castelos urbanos. Quem porá fim ao
empirismo cego, mas embalsamado e perfumado?...
Segundo (aqui vêm o bálsamo e o perfume):
É o Livro do “Génesis” e, a partir daí, outras cosmogonias das religiões
abraâmicas, às quais se colam desenvolvimentos dedutivos, numa lógica
inflexível e obsoleta, espalhadas ao longo dos textos bíblicos. Por todos,
apraz-me sintetizá-los nesta ‘aberrante’ contradição: Assim como Moisés cedeu
ao machismo primitivo da sua época, Paulo Apóstolo, quando decreta solenemente que
“o Homem é a cabeça da mulher” (Efésios,
5, 21) deveria completar a sua peregrina alegoria, citando Moisés quando
este, afrontosamente, põe O Criador em cena (Génesis,
2, 21-22). Deveria Paulo de Tarso dizer, em rigoroso corolário, que a “Mulher é a (uma só) costela do homem”.
Quem
terá coragem de escrever direito sobre (e contra) estas linhas tortas, que
alguém despudoradamente atribuíu ao
Autor Supremo da Justiça Igualitária ?...
O
objectivo destes breves considerandos não consiste em doutrinar, muito menos
arvorar moralismos conventuais, mas tão-só responder às perguntas com que fechei
os dois parágrafos-retro: “Quem porá fim…? Quem terá coragem…?”.
Porque
me cansa de tanto ouvir homens ilustres defenderem estoicamente os Direitos da Mulher e da Cidadã, de
Olympe de George, desde já 1791, acudiu-me o discurso de Joe Biden, nesta
noite: “De que serve perder vidas no Afeganistão se os afegãos pouco ou nada
fazem em sua própria defesa?”.
Perdoem-me
se exagero. Mas quando se vê a Mulher – são quase todas na Igreja – ufanando-se
da sua condição de servas, passivas e subservientes, sem coragem de afirmar a
sua verticalidade e o seu direito à palavra (as Mulheres Católicas alemãs já
marcaram posição perante o Vaticano!) perante tal indiferentismo generalizado,
tem pleno vigor a interpelação de Biden.
Já
noutro registo, caí de bruços quando na RTP/M ouvi uma senhora pontassolense de
muita idade, nas eleições de 2017, manifestar-se ao jornalista contra uma
mulher candidata entre outros homens concorrentes: ”Enquanto houver cabeças, os
pés não mandam”. Ridicule, mais charmant!
Reflexos directos do “Génesis” e da Carta de Paulo de Tarso. Se fosse erudita,
a pobre senhora teria dito que “as costelas não mandam”.
Não
esperem as mulheres por advogados-homens (peço desculpa), sejam eles filósofos,
teólogos, juristas, actores (actores somos todos!), jornalistas, futebolistas e
quejandos. São elas que têm de defender o seu lugar ao sol da vida, na Igreja,
na Política, na Ciência, no Trabalho. Apetece inovar a velha palavra de ordem: “Mulheres
de todo o mundo, uni-vos”!
Não
voltarei a este tema. As mulheres têm talento, energia e criatividade para
abrir caminho. Como as Dez Mulheres, de muitas etnias e credos, com que encimo esta saudação escrita de dentro
para fora! Como as encenadoras, directoras e protagonistas dos “SALTOS ALTOS”
no Teatro Municipal do Funchal! Bem Hajam!
31,Ago/01.Set.21
Martins Júnior
Se
há textos e narrativas que dispensam comentários marginais ou notas de roda-pé
é, sem sombra de dúvida, o que nos traz hoje o LIVRO (mantenho o meu GPS de princípio e fim de
semana) no Capítulo Sétimo de Marcos, para o qual remeto os meus ‘companheiros
de jornada’ dos dias ímpares. Limitar-me-ei a respigar, no mare magnum dos viventes, alguns exemplares
protótipos do pensamento claro, que trazem consigo os genes do Mestre da
Galileia e não se perdem na noite escura dos preconceitos, dos opinadores ‘correctos’,
enfim, do status quo que amarra e
afoga quem nasceu para a Liberdade. Ei-los:
- Aos que identificam e distinguem o essencial do acessório.
- Aos que não confundem a árvore com a floresta.
- Aos que desmontam dogmas e ídolos caducos entronizados
pelo fantasma da tradição mais obsoleta
do “sempre foi assim”.
- Aos que ousam derrubar os ‘monstros sagrados’ que o regime
atávico abusivamente .perpetuou.
- Aos que não admitem que ‘se trate melhor o tapete do que
quem o pisa’ ou se dê à luva um cuidado maior do que à mão que a utiliza.
- Aos que detestam e destroem toda a espécie de publicidade
enganosa.
- Aos que viram as costas aos farsantes do poder e aos prestidigitadores
das religiões.
- Aos que têm a coragem de abrir “os sepulcros caiados
de branco por fora, mas podres por
dentro”.
- Aos que ousam resistir e dizer ‘não’, mesmo com a perda da
reputação do sistema e com o risco da própria vida.
Porque em cada um dos
enunciados neste elenco sumário estarão, (se não no todo, ao menos em parte) os
que me acompanham nesta caminhada,
E
porque o Nazareno, Ele e só Ele, reúne todo o somatório supra-identificado e
assumiu o compromisso inquebrável contra a lei vigente, contra o
tradicionalismo obscurantista do Templo e contra a razão da força,
Vale
a pena descobrir a Força da Razão e o Esplendor da Verdade, no vigoroso
Capítulo Sétimo de Marcos.
É
o nosso contributo para a verdadeira Liberdade e para a Saúde Pública do
pequeno-grande mundo em que vivemos.
29.Ago.21
Martins Júnior