sábado, 13 de julho de 2019

QUANDO O ÍMPAR SE FAZ PAR


                                       

Acontece…
Quando a noite se faz dia. Quando o rio se faz mar. E quando as armas de  guerra se transmutam em oásis de amor e paz.
Hoje é assim neste “Consenso”.
Amanhã, logo verão que a porta ímpar de julho crescente transfigurar-se-á em portão largo,  aberto de par em par!
Até lá!
 13.Jul.19
Martins Júnior     

quinta-feira, 11 de julho de 2019

SOL DE ABRIL NESTE FIM DE SEMANA!


                                                         

Como o Amor, também o “25 de Abril” não tem tempo nem medida!
Há-os de vários tons e variegadas cores. Há-os de tronos e nações. Há-os até  de templos e religiões. Os pesos da balança falham e nem a métrica tridimensional consegue abarcar a amplitude do “25 de Abril”, seja ele  intimista ou colectivo.  Porque o sabor da libertação tem todos os perfumes e paladares que o mundo é capaz de conter.
O Povo de um modesto rincão suburbano da ilha verá uma réstia desse sol aprilino, a partir de 12 de Julho. Será Festa! Em homenagem à Terra-Mãe e que ela produz,.
o Pão e ao Vinho, matéria prima da Eucaristia. Homenagem em linha recta ao Prelado da Diocese, o Bispo Nuno  Brás, que estará presente no templo da Ribeira Seca. Há mais de 50 anos que um vigilante máximo da diocese e Pai da Cristandade madeirense abandonou o Povo Católico daquela localidade.
         Por isso, é Festa!. Primeiro, a Festa do Perdão na sexta-feira, dia 12, sem a qual não poderá haver nenhuma outra. No sábado 13, a partir das 20,30H, a vigília festiva e no domingo, a partir das 17H, a visita do Prelado Diocese, com Eucaristia e Cortejo Processional, seguida de animação lúdico-cultural, preenchida pelas canções originais do reportório do Grupo de Cantares da Ribeira Seca, Machico.
Será Abril renovado para quem o proclamou, o Bispo da diocese e, no mesmo plano, para quem o recebeu, o Povo da Ribeira Seca que aguentou firme e resoluto um ostracismo que durou mais que os quarenta anos que o cativeiro do Egipto.
“Seja bem-vindo quem vier por bem”!

11.Jul.19
Martins Júnior

terça-feira, 9 de julho de 2019

TERRA FÉRTIL!


                                                

Aqui, a terra antiga traz na barriga de jovem-mãe primaveras renovadas. As raízes de outrora, ensopadas em sangue e húmus, cantam as dores de um parto, quase impossível, mas que um dia havia de chegar!
Não são as loas de Tristão e Zargo. Nem de outro herói datado. É o trono do anti-herói que se levanta, silencioso, inexorável e belo.
Porque aqui e agora, herói anónimo é o Povo.
Por isso, desde o alto dos montes até à fundura dos vales, um só grito ressoa: 
“O POVO É QUEM MAIS ORDENA”!

09.Jul.19
Martins Júnior        

domingo, 7 de julho de 2019

UM DOMINGO PARA TODA A SEMANA, PARA TODA A VIDA

                                                                             

Do XIV Domingo comum:
“Alegrai-vos com toda a Jerusalém, vós que a amais. Alegrai-vos com ela, vós que participastes do seu luto”.
Isaías: 66, 10
“Para mim, nem a circuncisão nem a incircuncisão valem alguma coisa.
O que tem valor é a nova criatura”.
Paulo: Gálatas, 6, 4~5
                                          *****

Quem mandou a Isaías  que neste domingo falasse para a Ribeira Seca, para a Madeira, para o Mundo?... É que nós amamos a nossa Aldeia-Cidade e durante mais de42 anos  partilhámos  do seu luto. O nosso luto chamou-se luta, acção e canção. Por isso, cantamos com ela.
 E quem ordenou a Paulo de Tarso que viesse justificar a razão da nossa paz e da nossa resistência?... Porque o único valor que importa é manter a
nova criatura que há dentro de nós.
         07.Jul.19
         Martins Júnior

sexta-feira, 5 de julho de 2019

TODO O TEMPO E TODO O MUNDO EM MACHICO!


                                                            

Fosse onde fosse, o que ontem aconteceu em Machico mereceria sempre a subida honra do título: “Todo o Tempo e Todo o Mundo”. Porque é fora de suspeita a realidade factual ali dita e desdobrada perante a magna assembleia de educadores, professores e jovens estudantes ali presentes, envolvidos e abraçados sob o signo em epígrafe.
O brilho da educação e  as suas imensas derivadas apresentaram-se de braço dado com a intuição e a criatividade humanas focalizadas no amplo conceito do “Empreendedorismo”. E o mais impressivo, desconcertante e, ao mesmo tempo, ajustado de tudo foi a dedicatória presente em todo o acontecimento: as crianças em idade escolar. Aliás, foram elas as protagonistas e as destinatárias dos esforços de tantos professores que, ao longo de vários anos, assimilaram a essência da iniciativa e puseram em prática as linhas programáticas do programa. Que bela identidade lhes deram “Brincadoras de Sonhos”.
Ali, ao vivo e pela mão dos seus operacionais assistiu-se à anatomia do ensino, as suas consequências, as suas exigências. Viu-se a educação por dentro, os prós e contras do figurino actual, estático, direi, quase-escolástico, narcísico, talvez autista das escolas tradicionais. Em contraponto, surgiu uma nova face do ensino, de carácter pragmático, caminhando lado-a-lado com a vida, integrando-se nela e com ela fazendo a pareceria perfeita. Neste módulo, o alunos já não é um segregado, fechado numa sala ainda mais segregada, mas um companheiro do saber, contracenando com o conhecimento científico. discutindo com ele e com ele “ganhando competências”, ampliando o espírito crítico através da criatividade inata ou adquirida.
Para nós, adultos, formatados  no apertado escantilhão do ensino dogmático de outrora, custa a entender os dados da “escola nova”, gizada ao ritmo da vida e na ponta de um dedo. É por isso que se torna imperativo incondicional o aproveitamento de todos as componentes e valências da vida em sociedade, incluindo as redes sociais, os ‘tablet’s”, os telemóveis e a sua forma de usá-los. Enfim, um mundo novo, um tempo novo!
Brilhante - e mais que brilhante – substancial e rico foi o elenco de professores intervenientes neste seminário, com obra feita na docência de várias universidades portuguesas e estrangeiras e com trabalhos reproduzidos em livros e revistas da especialidade. Singular, motivadora a exposição do catedrático brasileiro Paulo Eirado Dias Filho. Nota máxima para todos! Não menos cativante foi a narrativa das actividades escolares, a cargo das professoras de estabelecimentos de ensino da Madeira e do Continente (apoiados pelos respectivos municípios ali representados) como num sugestivo filme em que aparecia o talento empreendedor dos alunos. Duas notas dominantes: os programas são direccionados para o futuro das crianças, tornando-as autónomas, auto-confiantes, capazes de superar os obstáculos supervenientes. Concomitante a este propósito,  os prelectores incutiram o verdadeiro conceito do empreendedor, não tanto como empresário de negócios, mas como programador do seu próprio futuro, o seu e o da sociedade envolvente.
Mais um dia pleno: a plenitude da grande família humana que juntou docentes e discentes, crianças e adultos num mesmo sentir, o de construir o futuro. E a plenitude de outros espaços geográficos onde já estão em marcha os  novos paradigmas pedagógicos. Ocorreu-me o pensamento crítico  de Galopim de Carvalho, em recente entrevista, relativamente aos códigos anquilosados da aprendizagem: “Não estamos a educar crianças. Infelizmente estamos apenas a amestrar crianças”.
Parabéns aos dois ilustres madeirenses, Prof. Jacinto Jardim e ao Prof. Eduardo Franco, pelo dinamismo verdadeiramente empreendedor de unir mestres e aprendizes de todo o país nesta inovadora estratégia didáctica. Parabéns à entidade promotora da presente iniciativa, o Município de Machico, na pessoa da Vereadora da Cultura, Mónica Vieira, pela inteligente metodologia com que liderou todo este movimento. Numa altura em que ‘virou’ moda e vício meter tudo ao ‘baralho’ dos “600 anos”, ainda bem que a autarca libertou Machico dessa rede viciada e até ridícula. No entanto, foi incisiva a sua evocação de Tristão e Zargo, para apelar aos “Brincadores de Sonhos”, os jovens e as crianças de hoje, a que se assumam como descobridores e empreendedores de um mundo novo. O seu, o nosso Mundo!

05.Jul.19
Martins Júnior


quarta-feira, 3 de julho de 2019

POVO QUE FAZ, FESTEJA E AGRADECE


                                                            

Como é saudável a transparência dos contrastes! E que  brilho de alma acender una vela no antro da nocturna escuridão. Tal como  ver recrutarem-se à luz do sol nascente os verdes plúmbeos da montanha ou o negrume basso do nosso basalto. Há mais verdade  e cor dentro e fora de nós!
Foi o que me foi dado ver e seguir, passo a passo, nas comemorações do Achamento da Ilha, entre 1 e 2 de Julho.  O dia primeiro apresentou-se opado com recheios de gente de fora – Bem-vindo quem vier por bem -  e adereços de fino artifício. A “glória de mandar, a vã cobiça a que chamamos fama”, diria Camões. O dia segundo, porém, modesto mas pleno, em aberta praça pública e democrática partilha da população de Machico. Sem desdourar o primeiro, manda a verdade dizer que o segundo ganhou-lhe a palma. Porquê?...
A evidência não deixa dúvidas. No 2 de Julho, as gentes de Machico sentiram o pulsar histórico do seu “Dia”. E fizeram a festa, Os poemas, as canções, as emoções. Tudo quanto foi servido à mesa de Tristão e Zargo, 600 anos depois, foi tudo manufacturado, vivido, assimilado pelo povo da terra. Na expressão plástica do baixo-relevo, da autoria de um homem de Machico, o escultor Luis Paixão, condensa de forma iniludível a fidelidade deste Povo fiel à verdade histórica do seu nascimento para os Anais do Tempo.
Insofismável, porém, foi a prova que, em jeito de pré-anúncio, apresentou  o Presidente da Junta de Freguesia ao revelar em primeira mão a decisão de reeditar a colectânea “AQUELE ESPESSO NEGRUME”, uma obra editada em 1982 pela Junta de Freguesia, então presidida por quem escreve estas linhas. Trata-se da recolha de textos dos autores iniciáticos que perpetuaram por escrito a evocação do Grande Feito de 1419. O mérito da obra reside na energia porfiada de um punhado de jovens estudantes que, há 37 anos(!), pesquizaram e reproduziram os primeiros testemunhos de cronistas coevos, desde Francisco Alcoforado, Gomes Eanes de Azurara, João de Barros, Gaspar Frutuoso, Luís Vaz de Camões, a que seguiram poetas e romancista que, nos séculos seguintes, versaram o mesmo tema. Jovens audazes do concelho, rapazes e raparigas que abraçaram entusiasticamente a minha sugestão e  deixaram para o futuro uma autêntica memória científica.
Será, talvez, a coroa que faltava nestas comemorações, a qual saúdo efusivamente na pessoa do Presidente da Junta de Freguesia de Machico, Alberto Olim, com votos de que seja o bandeirante dessa iniciativa, esta sim, feita em Machico, por Machico e para Machico. Um Bem Haja!

03.Jul.19
Martins Júnior

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O ZERO QUE DEVIA TER SIDO INFINITO!


                                                      

Tirem-lhe os zeros. Dêem ao seis uma vulgar cambalhota. Façam-lhe a prova dos noves-fora. E aí têm a soma: Zero, um rotundo Zero, por onde quer que se lhe pegue, de dentro ou de fora, da  esquerda  ou da direita,   do direito ou do avesso.
O bochechudo “600” foi a enorme sala do Forum Machico, onde outros tantos anafados troncos se assentaram, uns para dormir, outros para acordar ao batuque das palmas orquestradas em compasso lento. O Zero foi o chocalho de palavras batidas na parede. Parafraseando a velha canção, para fazer de Machico o que fizeram, melhor fora que ficassem no Funchal.
Aqueles que durante mais de quatro décadas massacraram e defraudaram Machico e o seu Povo apresentaram-se hoje de libré e luvas sujas, sem um pingo de pudor diante dos ofendidos e humilhados, sem que um único pedido de desculpa esboçassem pelas maldades, calúnias  e prejuízos perpetrados contra Machico. Os que manietaram as finanças autárquicas, os que atiraram contra Machico o vergonhoso labéu de “terceiro mundo” (e até de “quarto mundo!) eles, os mesmos estiveram hoje emproados na ‘casa dos seiscentos’, (2X300) tecendo louvores ao bombismo ‘flamista’ que teria destruído pessoas e bens se não fosse a atenta vigilância popular em 1975. Tamanha insolência não deveria ser permitida por quem de direito.
Na gloriosa comemoração do Achamento, Machico nunca deveria ser palco para descaradas campanhas eleitorais, lavagem partidária de roupa suja, despropositado e ridículo aproveitamento de casos do foro eclesiástico, propaganda charlatã de feira política. Neste dia e nesta magna circunstância (irrepetível em 100 anos) não tem lugar o figurino doméstico dos parlamentos regulares. Marcasse o Parlamento outra sessão de esgrima inter-partidos, onde cada qual pudesse livremente argumentar, contrapor ou concordar. Mas hoje não, sobretudo em Machico, terra primeira seiscentista!  Hoje,  “Dia D”  da Redescoberta e da Autonomia!
Outrossim, não é hora de fazer chicana política, de eiró rastejante de calhau em calhau, tentando opor Machico ao Funchal, com o  doentio infantilismo argumentativo de que Machico celebra a data em 2 de Julho e o Funchal (ou a Região) em 1 de Julho. Vem de há mais de  500 anos esta discrepância, desde Azurara, João de Barros, Damião de Gois e outros cronistas e abalizados historiadores. Aliás, Machico não esperou pelo decreto regional para comemorar o Achamento. Já antes do 25 de Abril, aqui foi sempre o “2 de Julho” festejado com o devido enquadramento histórico-cultural.
E se no cômputo global das comemorações a pintura deixada pelos programadores e  seus comparsas ficou manchada com o redondo borrão da propaganda arraialesca, quem como eu seguiu em diferido o evento tem o dever de prestigiar o “bom senso e o bom  gosto”  de duas intervenções que, no alinhamento introdutório, fizeram jus a Machico e às suas gentes, sobretudo na alvorada de Abril/74 na Madeira e na luta pela extinção da colonia em cuja vanguarda  o Povo de Machico  sempre esteve.  
     Manda a verdade histórica reconhecer que, assim como os marinheiros do Senhor Infante abriram a grande epopeia portuguesa a partir da baía de Machico, da mesma forma este Povo (a que tenho a honra e o brio de pertencer) foi o primeiro e mais decidido em implantar na ilha  os horizontes da Revolução dos Cravos e os sonhos  da Autonomia e da verdadeira Liberdade!

01.Jul.19
Martins Júnior