sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

UM PASSADO COM OLHOS DE FUTURO


Em algum tempo Campos Júnior deu à estampa um prestimoso romance a que deu o titulo: “Pedras Que Falam”. Do livro de Francisco Cantanhede deverá dizer-se que são páginas que falam (as páginas são corpos curvados sobre a terra, mas que resistem), a tinta negra é sangue de inocentes que sofrem (mas que gritam pelo seu lugar ao sol da liberdade) e todo o volume que nos cai nas mãos sabe à terra que o “Cavador”  desbrava. O volume traz-nos também a escura e cruel noite do fascismo salazarista e, sobretudo rasga os horizontes de uma nova madrugada através da leitura enquanto ciência,  informação e vida. Tanto basta para que a tarde de sábado, 18 de Janeiro, o povo libertado se sinta reproduzido e feliz na fruição do “Cavador Que Lia Livros No Tempo De Salazar”.
         Em nome do autor tomo a liberdade, o prazer e a responsabilidade de convidar todos quantos amam e constroem no seu habitat natural o Mundo Novo que está na palma das nossas mãos.

17.Jan.20
Martins Júnior

Hora - 17,30
 Local- Solar do Ribeirinho  


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

VENTOS SAUDAVEIS!


                                               
Privilégio – ocasional e gratuito, é certo mas é sempre um privilégio estar de perto dos promotores deste acontecimento notável. O jornal Le Fígaro e a editora La Fayard  descerraram ao mundo  o pano de cena que encobria aquilo que, para uns é um escândalo, para outros uma verdade libertadora, ou seja, a aparente polémica entre Papas, Cardeais, Secretários do Vaticano  acerca do celibato obrigatório, opcional ou excepcional dos eclesiásticos.
         Enquanto grande parte, talvez a maioria, dos comentadores se ocupa dos pormenores e adereços secundários desta “novela” limito-me a enaltecer o sumo precioso que se extrai deste episódio, volto a sublinhar, notável. Até que enfim, o debate aberto começa a ganhar o seu lugar ao sol numa  Igreja que se diz fraterna e democrata, mas na verdade não o é.
         Quando se vêem Papas, Cardeais, a “Ínclita Geração Vaticana” a divergir publicamente sobre questões consideradas intocáveis ao longo de séculos, aí está aberto o caminho custoso mas dignificante que todo o cristão tem direito a percorrer é em busca da Verdade. E para aqueles que vêem neste projecto galvanizador um motivo escandaloso de  guerras, então deverá citar-se o lapidar  veredicto  do Mestre: “penseis que  vim trazer a paz à terra; Não vim trazer paz, mas  espada.  Pois Eu vim para ser motivo de discórdia entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim os inimigos do homem serão os da sua própria familia (Lucas 10 34-36). Não admira, pois, que o mesmo cenário se repita entre Papas, Cardeais, Arcebispos e afins.
         O episódio presente já alguém o comparou aos preocupantes acontecimentos da Reforma e Contra-Reforma. Felizmente com uma diferença: hoje ninguém é Lutero para cair-lhe em cima a pena capital da excomunhão papal.
         Se “da discussão nasce a luz” a fortiori   da procura serena e corajosa da Verdade alcançar-se-ão as pistas seguras para chegar às fontes, isto é, o pensamento e à vivência do fundador do Cristianismo.

15.Jan.20
Martins Júnior





segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

REALIDADE OU FICÇÃO?


                                                  

Passados ‘Os Reis’ e queimados os últimos estalos da “Festa” e Ano Novo, é nesta semana que se entra definitivamente no curso do normal quotidiano: entra-se na sala de aulas, no estaleiro das obras, na ferrugem da oficina, no relvado dos estádios, enfim, a vida recomeça. E, no calendário litúrgico, entra-se (ou reentra-se) na nave dos templos, com a comemoração do Baptismo do Menino – que, afinal, já não era Menino, era um robusto exemplar de varão, aos 30 anos de idade. Em qualquer idade reentra-se na vida!... Por coincidência, neste início de 2020, têm-me ocorrido diversas “entradas”  no amplo convívio dos crentes: são os baptismos de crianças trazidas pelos pais e padrinhos à pia baptismal.
Pese embora não interessar – num primeiro olhar – a muita gente o assunto em causa, atrevo-me a dedicar esta semana a esse mesmo gesto iniciático, o Baptismo. Precisamente por ser inicial, direi, virgem, madrugador, esse primeiro passo está quase sempre rodeado (revestido, embrulhado) de uma atmosfera angelical, quase mítica, até mesmo romântica, em que o “maravilhoso cristão” (invocação de santos e arcanjos, óleos sacros, repetidos sinais-da-cruz) se mistura com o “maravilhoso pagão” ou profano (padrinhos, comadres e compadres, pulseirinhas, prendas muitas), movendo-se, pois, todo o acto sacramental num bulício de suave expectativa e regozijo sem nuvens.
Talvez por isso mesmo, no ambiente extasiante do templo fica diluído o tronco estruturante do acto, a razão e o escopo últimos do Baptismo, ou seja, a matrícula ou inscrição do neófito (criança ou adulto) na grande colectividade chamada Igreja Cristã e Católica. Aliás, outro significado não terá o ritual começado à porta do templo, com  o ingresso processional até à pia baptismal.
Tremendo passo este, o de tomar a decisão de optar por uma determinada (e não outra) ‘confissão religiosa”, credo, ideologia, código de vida!... Disse ‘tremendo passo’ para o titular do acto (o neófito), mas terei de corrigir para “temerário” este acto para os autores morais do mesmo. Por outras palavras: o titular do acto não foi consultado sobre tão decisiva opção. De todos os presentes, ele, o protagonista é o único que desconhece o que se está passando. É caso para perguntar: mais tarde, quando tiver discernimento, estará ele de acordo com a responsabilidade que pais e padrinhos estão a impor-lhe desde esse momento?...  Ninguém pode garanti-lo.
Responder-me-ão que, ao chegar a essa encruzilhada, a pessoa é livre de tomar a direcção que quiser, isto é, pode livremente mudar de opção, de religião. Direi, então, o que determina a Teologia Dogmática: o Sacramento do Baptismo imprime carácter em quem o recebe. Quer isto dizer, em termos práticos, a marca do Baptismo fica indelevelmente inalterada para toda a vida:  baptizada uma vez – baptizada para sempre!
São longas e nada ligeiras as virtualidades, os pesados corolários,  inclusos  nas teses expostas, o primeira dos quais seria a exigência da idade do discernimento ou livre arbítrio para receber-se o Baptismo. Não será motivo de escândalo para ninguém este eventual normativo se pensarmos que foi aos 30 anos que Jesus aderiu ao Baptismo de João Baptista no rio Jordão. Nas mesmas circunstâncias estão gradas figuras da hierarquia católica, como os canonizados doutores da Igreja: Basílio, Ambrósio, João Crisóstomo, Agostinho, que receberam o Baptismo na idade adulta. (R.Gerardi, in ‘Diccionario Teologico Enciclopédico’ Ed. Verbo Divino, Navarra, pag.103).
Por analogia com as procurações forenses, os pais – primeiros procuradores da criança – se, ao longo do seu crescimento, não a informarem e motivarem para os valores assumidos no Baptismo, deveria o Código da Consciência dizer-lhes que o dia da grande festa baptismal não passou de uma farsa, um embuste, talvez, um esfarrapado episódio de uma novela sem enredo nem conclusão.
O Baptismo é raiz e é tronco promissores de flores e frutos!

13.Jan.20
Martins Júnior

   

sábado, 11 de janeiro de 2020

PARA QUEM ATRAVESSOU A LINHA EQUATORIAL DO EXISTIR…


                          

Antes que abrissem os cravos de Abril
Nasceu em ti o Dia Novo, primeiro,
À luz terna do  Luar de Janeiro

Promessas mil o berço te embalara
Alados sonhos teceu teu enxoval
Um a um em tua pele de seda rara
Largaram asas em voo matinal
Ao ritmo cantante da agulha e do dedal

Foi um poema inteiro esse bordado
Rimas de Aquém e Além-mar encheram teu regaço
Entre Álvares Pequeno e Luís Vaz Sublimado
Inês de Castro, Vieira, Pessoa, o Presente e o Passado,
Todos uniste no mesmo canto e no mesmo abraço
Assim também cumpriste e cumpres Portugal
Sobre este solo, Machico,  da Epopeia Inicial

Feliz de  quem das tuas mãos
Recolhe estrelas de saber, oásis de conforto
Ao teu peito achando manso porto
No equatorial mar vasto que ora atravessas 
Coração-baía azul é o que tu és
Onda de luz dada ao mundo em Janeiro dia dez



Gostoso o terro que te produziu
Onde corre o sumo que os deuses seduziu
Inebriante como o ”50” não há nenhum
Saboroso e quente, porém,  só o “51”!

11.Jan.20
Martins Júnior

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

NA RESSACA…


                                                           

Escrevo em quinta-feira de Ano Novo. À minha volta, porém, tudo me diz que é quarta-feira, a das cinzas. Morreram as luzes da cidade, calou-se a sirene dos cruzeiros no porto, substituídos agora pelo engarrafamento automóvel com insultos e provocações à mistura, os transeuntes cabisbaixos, já não há “Boas Festas, um Santo Natal, um Feliz Ano”  para começar e acabar uma conversa ou um cumprimento, breve que seja. Parece que o fumo intenso que abafou a capital na noite primeira do ano tomou conta da gente, enegreceu o betão das estradas e o rosto dos passageiros. Enfim, Advento, Natal e Ano Novo – três dias de carnaval. Agora, cinzas e trabalho. Quarta-feira!?...
Enquanto não passa a “ressaca” e estamos ainda sonâmbulos diante do ano bissexto, apetece-me acordar toda a gente, pintando um outro arco-íris nas nuvens, escrevendo no alcatrão das estradas, nas tabuletas dos autocarros, em cada muro e na palma da mão de cada um de nós aquela palavra de ordem inspirada no famoso ponto forte do presidente John Kennedy aos americanos:

“NÃO ESPERES NEM PERGUNTES AO 2020 O QUE PODE FAZER POR TI. PERGUNTA, ANTES, O QUE É TU PODES FAZER PELO 2020 ?”.
09.Jan.2020
Martins Júnior    

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A GLÓRIA E O DRAMA DE CADA “NOVO ANO JUDICIAL”


                                                    

É sempre de uma sumptuosidade quase esmagadora a abertura de um “Novo Ano Judicial”. A de ontem, porém, revestiu-se de uma magnitude singular por haver-se realizado no histórico e majestoso Palácio da Ajuda, sede oficial da ‘entronização’ do Supremo Magistrado da Nação. O cenário, com ser belo e sublimado na cor do meio e na aura dos ‘convivas’, nem por isso deixa de ser pesado e taciturno, de ‘cortar à faca’ (em linguagem plebeia), tanto no passo grave dos titulares da Justiça ao subir a escadaria como na negritude das togas forenses que cobriam por inteiro o salão, apenas salpicadas pelas alvíssimas cãs dos venerandos desembargadores e conselheiros.
         Não menos enfáticos e grandíloquos foram os discursos proferidos, desde os representativos do poder judicial aos do poder político, todos em uníssono proclamando a dignidade da magistratura, a premente disponibilidade dos funcionários, a urgente necessidade de recursos materiais e humanos, enfim, o prestígio e a defesa dos maiores pilares da sociedade, a Justiça e a Paz, sendo que aquela precede sempre a segunda. Não obstante a imponência do ritual, ficou à vista a denúncia da vasta criminalidade que, ao mesmo tempo que enche os tribunais, esvazia os valores que sustentam os povos e, no limite, os destroem. Momentos de tremenda carga social e psicológica aqueles que ontem se viveram naquele “salão dourado, de ambiente nobre e sério”, não nos Paços da Rainha, mas no Palácio da Ajuda. O discurso do Presidente da República espelhou, solene e veemente, a grandeza daquela hora e, em contra-luz, o deprimente cortejo das misérias sociais, percebendo-se nas entrelinhas que é ali “naquele salão dourado, de ambiente nobre e sério” e na barra dos tribunais que desaguam os detritos das sociedades, dos bairros insalubres, dos paióis dos traficantes do papel sonante, da carne humana e da mais elementar consciência cívica. Nobilíssima a missão dos juízes e profissionais da Justiça, mas ao mesmo tempo tarefa tão chocante e arrepiante como a do médico legista no laboratório de autópsias.
         De repente, naquelas paredes acolchoadas vi resíduos de favelas onde se acoitam crianças e jovens, potenciais criminosos e candidatos ao banco dos réus; vi lares desavindos manchados de sangue pelos machados da violência doméstica; sob a escuridão daquelas capas negras subentendi a noite má conselheira onde se praticam crimes inomináveis que vão cair depois às mãos dos julgadores.
                                                          

E concluí que não é por ali que começa a transformação da sociedade. Fica mais longe, muito longe daquele salão a chave que abre o grande portão da Justiça e da Paz… Entrando numa das salas do Centro Cívico-Cultural e Social da Ribeira Seca, vejo a psicóloga perante um grupo de crianças, todas entusiasmadas a desenhar uma mão aberta. A psicóloga pergunta: “Meninos, para que servem as mãos? Para bater? Não, respondem os petizes. Então para que servem?... Para ajudar, abraçar, escrever pintar, comer, trabalhar e fazer coisas boas. Não são para bater em ninguém. E as crianças pacientemente transcrevem com a mãozinha trémula a lição do dia.
No grande rio da história, a solene abertura dos “Anos Judiciais” fica a jusante da corrente. Antes dele, do Poder Judicial, muito a montante fica o Poder da Vontade, o berço rural ou urbano, a escola do bairro, a oficina, a educação do amor e do sexo, o respeito pelo vizinho ou companheiro e pelos seus haveres, a motivação para a partilha. Antes do juiz ficam o pai e a mãe, o professor, o colega, o ambiente, o salário justo, a saudável apetência de viver.
Saudando e desejando bons augúrios para o cerimonial ontem realizado no Palácio da Ajuda, sempre se há-de concluir por este Acórdão Global: Um só dia do programa a montante poderia suspender muito ritual a jusante. Em outra redacção: Muitos dias ou toda a vida de Educação  evitariam muitos ou todos os Anos Judiciais. Guerra Junqueiro, já no século XIX, propunha e sancionava como Supremo o “Tribunal da Consciência”!                                                                                                                        
07.Jan.20
Martins Júnior

domingo, 5 de janeiro de 2020

UM OUTRO “CANTAR DOS REIS”


                                                      

Enquanto escrevo, ecoam pelos vales sombrios da noite as mais eufóricas loas aos Magos de outrora, repetindo em múltiplas variantes que  “Vós sabíeis e vós bem sabeis que é do dia cinco para o dia seis que se canta o Reis”. E consabido é também o perfume a incenso com que se venera a chegada sincronizada dos Três Magos do Oriente à gruta de Belém ou, com mais fidelidade histórica,  à “casa”  do Menino e sua Mãe, na cidade de Nazaré, tudo envolvido em crepes de misticismo profético, divinatório.
Ouso, porém, (e não serei o único, por certo) mergulhar em toda a literatura profética, sobretudo no grande taumaturgo das promessas futuras,  o eloquente Isaías, e aí lobrigar aquela vocação apoteótica, congénita a todos os povos marcados pelo nacionalismo patriótico exacerbado: a vocação expansionista, tendo por meta final a ascensão ao trono imperial, dominador de todas as outras nações e etnias.
Com efeito, o sonho imperialista atravessa os genes de todos os regimes tendencialmente hegemónicos, desde a mais remota antiguidade: Suméria, Caldeia, Atenas, a Roma Imperial, enfim, toda a Europa, com as alianças mais espúrias e oportunistas, o Sacro Império Romano-Germânico. Mais recentemente, o Império das URSS’s e o terror maquiavélico do hitlerianismo açambarcador do mundo civilizado, pela destruição da nomenclatura judaica. Actualmente, sob outras roupagens, a galopante ‘invasão’ da China, o poderio intercontinental de Moscovo e, acima de todos, o auto-proclamado Super-Império tump-americano, no sofreguidão paranóica de fazer tremer o Planeta sob as botas cardadas do “maior potencial militar do mundo” – em todos é o vírus da supremacia político-económica que os move.
E mais sintomático e paradoxal, ainda, é constatar que o vírus ataca de forma crua e cega os países pequenos quando lhes chega o cheiro catalisador dessa ambição. Portugal está na frente. Um país periférico, sem recursos, uma vez catapultado para a vanguarda dos Descobrimentos, assentou arraiais nos confins do Mundo e no topo geodésico da Terra arvorou trono e bandeira do Império Português. Luís Vaz de Camões bem pode figurar no galarim da aristocracia patriótica, ao lado de Isaías, mutatis mutandis, ao colocar no discurso de Vénus e Júpiter as façanhas futuras dos nautas lusos, com o Gama e seus heróis à proa da ‘rosa dos ventos’.
De volta aos “Reis do Dia Seis”, os termos em que os Anais do Povo Judaico se lhes referem em pouco ou nada se distanciam dos discursos proclamatórios  comuns à linguagem épica de outros povos e seus heróis. Abramos o seu maior intérprete, Isaías Profeta, cap.60-61:
Levanta-te, Jerusalém, resplandece. Chegou a tua luz. Olha em teu redor: a noite cobre a terra e a escuridão todos os outros povos, mas sobre ti brilha a luz. As nações caminharão no rasto da tua luz e os reis no esplendor da tua aurora. A ti afluirão as riquezas do mar longínquo  e a ti virão os tesouros das nações. Serás invadida por uma multidão de camelos e dromedários de Madiã e Efá. Os reis de Sabá virão trazer-te ouro e incenso…  Os reis da terra servir-te-ão. A nação ou o rei que recusar servir-te morrerá, o seu país será destruído…  Do menor nascerá uma tribo e do mais pequeno uma nação poderosa…
Extensas e numerosas são as citações bíblicas representativas de um povo montanhês, de gente nómada e quase sempre derrotada nas repetidas escaramuças em que se envolvia com os territórios fronteiriços. Um anseio profundo, veemente pulsava no sangue das sucessivas gerações, um apelo genético à libertação e, daí, ao domínio sobre os outros povos. As referências a um Messias libertador vinham sempre consubstanciadas com a aparição de um líder poderoso, capaz de arrancar da opressão um povo sofrido que, ao longo de séculos, fizera um percurso entre espinhos e abrolhos. Era aos profetas entregue pela população o nobre estatuto de semear luz na escuridão e alavancar no coração deprimido de cada geração a chama da esperança, mesmo que ilusória, num mundo melhor, num País Novo, “onde corressem o leite e o mel”.
Em conclusão: fazer assentar nos textos vetero-testamentários  acerca da visita dos (impropriamente) Reis, apenas e só, um misticismo potenciador do fenómeno divino-messiânico, poderá configurar uma interpretação duvidosamente extensiva do acontecimento, visto que o animus inspirador desses mesmos textos não se confina a uma exclusiva e pura espiritualidade, mas vem misturado com propósitos colhidos nas aras da emancipação social e do mais radical patriotismo.
À consideração superior – dos biblistas e dos investigadores sérios.

05-06.Jan.20
Martins Júnior