sábado, 5 de outubro de 2019

OUTUBRO/68 – ANO/51! VIVA!!!


                                                                   

Enquanto os ares de Portugal e do mundo estão lavados de faustosas comemorações, palpitantes expectativas e clangorosas homenagens, recolho-me no horto marchetado de perfumadas violetas e vejo desfilar a multidão anónima de homens e mulheres curvados silenciosamente sobre o chão da vida, semeando o pão, abrindo clareiras, lutando pela justiça, sem que alguém lhes teça quaisquer tributos ou, mesmo que breves, saudações. Para todos, eles e elas, aqui deixo a minha homenagem, na pessoa do eminente sacerdote Padre José Luís Rodrigues – eminente, não de título, mas factualmente genuíno e justo  – por ocasião do seu 51º aniversário natalício, lembrado ontem, 4 de Outubro, dia dessoutro obreiro de um mundo novo, S. Francisco de Assis.  

Junto ao cruzeiro alto do jardim serrano
O Tempo Demiurgo deixou cair
Sementes bravas que deram em terro humano
Este rebento novo de um mundo a abrir


Lume de festa e luta é o que tu és
Um nome certo te deram, o de Luís
Inquebrável e firme, bem podias ser Moisés
Sereno e franco, serias Francisco de Assis


Retomas cada dia o teu bordão sem medos
Os teus anéis são calos dos teus dedos
Dardejando flechas no teclado
Rubra e plena é a tua púrpura
Igual ao sangue pisado dorido e belo
Guardado na aljava desse eterno duelo
Universal batalha do Povo que trabalha
Ergo feliz a minha taça, ergamos todos um a um
Saudando Outubro 68, cantando o ano 51

05.Out.19
Martins Júnior



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

VIOLÊNCIA, SÓ VIOLÊNCIA… DO PRINCÍPIO AO FIM !



    Não estava previsto no currículo da semana. Mas, nesta quinta-feira,  entendi antecipar-me aos ventos de domingo próximo. Assim ditou a circunstância do dia. Já não é preciso recorrer ao terrífico “Jornal do Incrível” ou à agoirenta estação televisiva  das desgraças de beco, para ficarmos estarrecidos, gelados de nojo perante as notícias de hoje: duas mulheres assassinadas pelos companheiros, uma de 93 anos, a outra abandonada na rua, dentro de uma mala. Aqui, em nosso bairro ilhéu, um banco assaltado de madrugada, já antes o sessentão que mata o irmão, diante da própria mãe, por causa de um computador. Mais além os muros da vergonha americana, as cobras e os lobos em cima dos refugiados que rastejam como toupeiras para ‘furar’ o arame farpado. O furor do dragão chinês, na febre asiática, solta as garras e escancara as fauces para engolir quem reclama a sua justa autonomia em Hong Kong. Depois, as guerras urbanas, as guerras comerciais, as traições! Quem poderá suportar tamanha violência?... É caso, motivo urgente para clamar: “Tirem-me deste filme”!
         Nada de novo, porém, debaixo do sol. Domingo próximo, em quase todo o mundo, ouvir-se-á o brado de há 2700 anos, um grito de dor e impotência de alguém no estertor de um desespero fatal:
         “Até quando, Senhor, clamarei por Vós, sem que me escuteis?... Até quando  clamarei ‘Violência, Violência’, sem que me atendais? Por que me mostrais diante dos meus olhos o espectáculo da iniquidade e contemplais Vós mesmo estas desgraças?... Diante de mim só vejo opressão e violência, outra coisa não há senão discórdias, guerras e contendas!... Por isso, a Lei perde a sua força e não se acha mais a Justiça!... O ímpio prevalece sobre o justo e o direito sai falseado”!
         O quanto aí vai de esmagador! O quanto aí vai de afrontamento aos poderes públicos, aos fornecedores de armamento, aos promotores da guerra. E a denúncia  do poder judicial, dos anarcas e corruptos intérpretes da Justiça!
         É seu autor um líder do povo, um oposicionista aos governantes da época, um vigilante social, enfim, um Profeta. Seu nome Habacuc, testemunha presencial dos conflitos bélicos do poderosíssimo Nabucodonosor contra os territórios limítrofes, incluindo Jerusalém, nos séculos VII-VI a.C..
         Não obstante o conforto de uma visão optimista do futuro, o que mais confrange e destrói o Profeta é a sensação de derrota total, a impotência do homem perante a prepotência da iniquidade, do sangue derramado nas ruas, da miséria de toda a nação. E a tal extremo vai esta deprimência que o Profeta chega a acusar a própria Divindade de estar a “divertir-se” com tão horrendo “espectáculo”!
         Nada de novo debaixo do sol! O amargo desabafo de Habacuc bem poderia ser escrito hoje mesmo, quinta-feira, 3 de Outubro, perante os deploráveis comportamentos do “bicho-homem” dos nossos dias. Parece inscrita no ADN de cada homem/mulher, de cada sociedade esta sina incurável de uma violência inata na espécie humana, desde que Caim, filho de Adão e Eva, matou o próprio irmão Abel. Não por causa do computador – passe a ironia – mas pelo ciúme de que os animais oferecidos por Abel eram aceites por Deus e os de Caim não. No relato do Génesis ressalvo a hermenêutica mais ampla do texto e não a simplista interpretação literal.
         Que fazer? Acreditar na visão futurista de Habacuc, sonhando com um mundo de paz e felicidade globais?... Talvez. Mas nem assim se apagará o pérfido talismã gravado na espécie humana.
         No mesmo Domingo, encontraremos uma solução parcial do problema: cada ser pensante realizar a tarefa de bem servir, preservar o meio, construir pedra-a-pedra o grande monumento de uma sociedade respirável. E após a realização deste “poder-dever” social, ganhar a consciência do dever cumprido e dizer baixinho: “Somos servos normais  (inúteis, exagera o texto). Apenas fizemos o que devíamos fazer”      
            Numa época de busca desenfreada de títulos, comendas e troféus, até em sociedades ditas humildes e ascéticas, onde o que mais importa é a pantalla publicitária – como é belo e reconfortante ouvir este “louvor” da boca  do Nazareno, sem vara nem trono!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

COMEÇA EM OUTUBRO A TRILOGIA DA VIDA – NO DIA MUNDIAL DA ÁGUA, DA MÚSICA E DA TERCEIRA IDADE


                                   

Não sei se é semente
Ou   brilho de criança que nasce
Não sei se é  fruta madura
Ou tufo de folhas caídas
Mas o que vejo em plena estatura
É o tronco maior de todas as vidas

No éden terreal
Ou na amazónia dos tempos
Ninguém pode lá entrar
Sem  olhar o próprio espelho
Sem  escutar a voz sem eco
do tronco velho:

“Eu sou aquilo que serás
Aqui plantado desde os confins do mundo
Dos meus olhos correram e dos teus correrão
Rios de água tinta de sangue e lilás
Rubros de chama e paixão
Roxos também de amarga ilusão

Nas rugas do meu rosto
E nas minhas magras mãos esguias
Não vejas só retalhos do desgosto
Elas são passadas partituras
De moças melodias
Canções escritas ao ritmo dos dias
Que guardo neste tronco que tu vês

Já fui aquilo que tu és
E tu serás a seiva do tronco universal
Onde eu estou

Não te chamo ainda nem te espero
Mas sei que seguirás o rasto austero
Até chegares ao meu reino
Onde o tronco sem idade
Jorrará rios de água fértil
E árias de Bach de uma futura saudade”.

01.Out.19
Martins Júnior
   


domingo, 29 de setembro de 2019

“OS VAMPIROS” NA BÍBLIA


                                                     
                     
É nas manhãs de domingo que descubro a luz que irradia para a semana inteira. Ela – a luz – surge de dentro das folhas jacentes do Livro que vem de longe, das areias do Oriente. Livro, umas vezes  enigmático como a esfinge do Egipto, outras vezes assertivo e cortante como a espada de Dâmocles sobre a cabeça da humanidade.
Já na semana passada compus o debate aberto entre nós e José Saramago tentando contraditar, em parte, a tese do “nosso” Prémio Novel da Literatura quando sugere que a Bíblia é um estendal da atrocidades, as mais cruéis, desumanas, injustas e  que quem a lê perde a fé.
Não está longe da verdade histórica a afirmação de Saramago, pois a narrativa do povo judeu, que o Livro condensa, está ensopada em sangue inocente, com o aplauso do justiceiro Deus Iahveh. Mas há excepções. E demonstrei-o através de um homem corajoso, paladino do direito e da justiça social – o Profeta Amós.
Hoje, a estrada de domingo trouxe revérberos ainda mais intensos sobre esta questão. Pudesse eu reencontrar Saramago (como o fiz na sua casa da “Rua da Madeira”, em Madrid, um ano antes de morrer, a propósito do seu aniversário natalício no mesmo dia que o meu) e talvez me não reproduzisse a observação crítica que ele próprio tinha feito a um ilustre clérigo, hoje laureado na hierarquia eclesiástica: “O senhor dita dogmas, mas não responde às minhas objecções, não apresenta argumentos para contrariá-las”.
Pois, mais uma vez abro o Livro, em Amós, cap.6, 1-5) e fico atordoado com a veemência furibunda (nem as mais agressivas catilinárias de Cícero se lhe aproximam)  contra os magnatas governantes de Jerusalém, esses que vivem na opulência, sem um pingo de justiça e mágoa pelo povo que vive na miséria, arruinado de dia para dia.
Eis o que diz o Senhor omnipotente:
«Ai daqueles que vivem comodamente em Sião
e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria.
Deitados em leitos de marfim,
estendidos nos seus divãs,
comem os melhores cordeiros do rebanho
e os vitelos mais gordos do estábulo.
Improvisam ao som da lira
e cantam como David as suas próprias melodias.
Bebem o vinho em grandes taças
e perfumam-se com finos unguentos,
mas não os aflige a ruína do povo.
Por isso, agora partirão para o exílio à frente dos deportados
e acabará esse bando de voluptuosos».

“Grandíloquo, alto e sublimado”, cito Camões. Arrebatador!
Milénios mais tarde, viria José Afonso e chamá-los-ia “Vampiros”
 “Que vêm em bando  pela noite calada
Comem tudo e não deixam nada…
Trazem no ventre despojos antigos
Bebem o sangue fresco da manada
Mas nada os prende às vidas acabadas…
Senhores à força, mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei…
Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada…

Quem não vê na vigorosa canção de Zeca Afonso o libelo condenatório inexoravelmente lançado pelo Profeta Amós? Mas vai mais além na sentença inapelável: “Serão deportados. É preciso acabar com esse bando de parasitas”! (Sic).
Cuidado! A Bíblia não é só um cemitério de vítimas ou um rosário de preces. É também este grito de denúncia, esta sentença arrasadora das injustiças e este combate sem tréguas às assimetrias sociais! O que faz falta é saber ler. E agir, em vez de nos ‘deleitarmos’ no charco das lamúrias pias, estéreis. A este propósito, importa reter o pensamento do Prof. Doutor Anselmo Borges, o maior intérprete em Portugal da mensagem do Papa Francisco:
“É verdade que a crise é também, e talvez sobretudo, de cultura moral e espiritual, mas não é possível avançar sem uma implicação séria e a fundo na social. Não se pode pretender fugir ao problema social invocando apenas o caminho da crise espiritual e de valores. Citando o Papa Francisco, “Nada mais alienante e falso do que a religião desencarnada”. (Francisco, Desafios à Igreja e ao Mundo, Gradiva, pág. 240).
Belo caminho, Estrada da Luz, para a semana e para a vida!

29.Set.19
Martins Júnior

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

100 ANOS DE SONORA LIBERDADE !


                                        

 Irresistível, porque encantatório e libertador!
Após ter evocado no texto anterior os 100 anos do fascismo, soprou do firmamento da história uma onda azul que a todos nos envolveu e como que nos purificou do secular breu fascista. Aconteceu ali mesmo à beira-mar da cidade e, como que para ironia dos tempos, num local de outrora, denominado “Cais do Carvão”. Ali, num toque de magia, descarbonizou-se simbolicamente a grande noite do fascismo.
Porquê?
Comemoravam-se 100 anos da mítica colectividade que firmou a sua chancela na historiografia musical da Madeira, sob a designação de ORFEÃO  MADEIRENSE. Por isso lhe chamo Irresistível, Encantatório, Libertador a este dia memorável!
 São frágeis as palavras – e, por isso, parcas também serão – para desentranhar as emoções deste momento que perpetua um século de ritmos, baladas, árias, barcarolas, alleluias, marchas triunfais e melancólicas elegias. Quantas centenas, milhares, talvez milhões de vozes brancas, sopranos angelicais, timbrados barítonos e cavos ‘baixos’ profundos encheram a cidade e a ilha, fruto do labor intenso, inquebrável de homens e mulheres cujos nomes a memória do tempo esqueceu mas que ficaram gravados em caracteres de ouro nas divas aras de Orfeu! A todos os ouvi e ‘adorei’ dentro daquele velho ‘coliseu’ a-céu-aberto. Desde o seu fundador, o eminente musicólogo e intérprete Dr. Passos Freitas, até aos vários maestros dos quais recordo mais de perto o meu professor Pe. Dr. Rufino Silva e o colega e amigo Victor Costa.
Sensibilizou-me a interpelação da mais antiga orfeonista, ainda no activo, quando me perguntou: “Então, vem matar saudades do seu tempo?”… Lembrava-me ela a época (já lá vão algumas décadas) em que prestei a minha modesta colaboração como director artístico do Orfeão Madeirense e daquele inolvidável espectáculo de Fim-de-Ano na lagoa dos jardins públicos da antiga Quinta Vigia.
   E o “Cais do Carvão”!... Como eu o conheci, há cerca de 70 anos, o nosso local de passeio semanal, os muros em ruínas, a maquinaria da velha fábrica - ainda lá estão alguns vestígios – o mesmo mar ao lado galgando as mesma pedras do ‘calhau’…
Belíssima iniciativa do Orfeão em convidar o Grupo Coral de Machico e o Grupo Coral da Ponta do Sol para “damas de honor” do seu centenário.
E de tudo quanto vimos e ouvimos – outras são as vozes e outros os reportórios – o que fica é a grande lição da história: Valeu a pena! Talvez atravessar o “Cabo Bojador”, vencer baixios e nortadas, aguardar enseadas estratégicas… mas nunca desistir! Cada um de nós e cada geração somos um episódio na grande novela do Tempo!
Parabéns ao ORFEÃO MADEIRENSE!
Os vossos 100 anos de sonora liberdade contribuíram também para apagar o rasto de 100 anos de desafinada e desatinada escuridão.

27.Set.19
Martins Júnior


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

100 ANOS DE FASCISMO NUM CEMITÉRIO QUE AINDA SOBREVIVE !


                                                               

    O fascismo faz 100 anos. Há quem o tenha enterrado definitivamente,  mas há também quem lhe acenda 100 velas e lhe cante “Parabéns”. São os extremos em presença! Mas há outros – a grande multidão – que, inconscientemente, alimenta dentro de si resquícios, sementes  inatas de um culto ao fascismo reincarnado nos tronos dos regimes políticos e nos meandros do quotidiano relacionamento dos diversos agregados sociais. Umberto Eco analisou este estranho fenómeno da condição do homem-em-sociedade, no seu livro a que deu o expressivo título “O Fascismo Eterno” (1995).
         Num tempo movediço como aquele que o mundo vive, onde as estruturas governativas e as tensões internacionais ameaçam fazer colapsar o equilíbrio sócio-político e ambiental do planeta, será útil revisitar a génese do fascismo, o seu crescimento, as metamorfoses camaleónicas com que se disfarçou e, retomando Umberto Eco, a sua revivescência até aos nossos dias, talvez até sempre. Sobretudo, para lhe descobrirmos o embuste e a peçonha que nele se escondem.
         Itália – a pontifícia e sacra Itália – foi  seu berço. Em 1919. O pai: Benito ( Bento,Bendito) Mussolini. A ‘bíblia’ programática do fascismo foi publicada nas páginas de Il Popolo d’Italia, Junho 1919. Qual a atracção fatal do fascismo? É Ian Kershaw quem nos explica, em À Beira do Abismo, que na tradução espanhola se define como Descenso a los infernos:
         “O lado emocional, romântico e idealista  do fascismo, bem como o seu activismo violento e aventureiro, exerceram uma atracção desmesurada sobre os homens jovens que tinham sido expostos aos mesmos valores nos movimentos juvenis da classe média – quando não pertenciam já às organizações da juventude esquerda ou católicas”.
         O mesmo historiador continua e traça as causas conjunturais que deram origem ao movimento:
         “A vitória do fascismo dependeu do descrédito total da autoridade do Estado, de élites políticas fracas que já não conseguiam garantir que o  sistema defendesse os seus interesses, da fragmentação da política partidária e da liberdade para a construção de um movimento que prometia uma alternativa radical”. Andrea Rizzi, colunista do El País, acrescenta “outros objectivos louváveis, como o sufrágio universal, (e a elegibilidade das mulheres), as jornadas laborais de 8 horas e o salário mínimo”.
         Porque não está no escopo destas linhas escalpelizar a anatomia do fascismo, só importa aqui e agora erguer na amplidão do planeta um grito de revolta à espera de uma resposta que nunca chega: Como foi possível que  o movimento italiano chegasse ao cúmulo da barbárie, aos paroxismos do nazismo alemão, do salazarismo português, do franquismo espanhol?... (A propósito, saudemos a decisão da Justiça madrilena em retirar do ‘Vale dos Caídos’ o corpo do generalíssimo Franco, pois o assassino não é digno de ocupar o chão sagrado onde estão as vítimas que ele mandou matar)…
          A resposta deveria sabê-la cada um de nós. “Os homens fizeram o mundo assim”! O povo assim quis! O egoísmo, o oportunismo, a inércia, os silêncios cúmplices… E em muitíssimas circunstâncias, a nossa desatenção, os panem et circenses (pão, patuscadas, jogos, arraiais) que oferecem ao povo. E enquanto o povo se diverte, os seus inimigos manipuladores preparam na noite minas e armadilhas para tramá-lo. No dia do voto!... Todos os ditadores do fascismo ganharam o pódio na urna do voto. Para, de seguida,  meterem os votantes na urna do fascismo.
         Os madeirenses, de tantas décadas passadas, já são “doutores” nesta ciência política. Apetece cantar, a plenos pulmões, a proclamação de Fernando Lopes Graça: “Homens, Acordai”!
Homens, Mulheres, Jovens de todas as idades, Acordai!
         Após, 100 anos, “o fascismo não passará”!
25.Set.19
         Martins Júnior

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

CONTRA O IMPÉRIO “MONO” – VIVA “SETEMBRO 22”


                                                              

         No princípio era a Ilha. – afogada pelo mar, o mesmo e único mar.
Eram os DDT, os ‘Donos Disto Tudo’, capitães Donatários.
Era e continuou a ser a Diocese. Aliada do Poder.
E domesticadora, castigadora, castradora do Povo.
Era a Monarquia de lá. Depois,  veio a República e veio a Democracia.
Mas continuou a Monarquia. A de cá.
Habituámo-nos e ‘gostámos’ do mar que aperta, do DDT (não de dois, mas de um, o Único) que nos garroteou e depois nos deixou órfãos. Gostámos das sotainas vermelhas que nos metiam debaixo delas para nos salvar.
Sitiados, anestesiados, domesticados até ao tutano, já não podíamos viver sem a grilheta que nos prendia à cela, sem a peneira que nos tapava o sol e sem o tapume de chumbo que não nos deixava respirar.
Quantos madeirenses puderam respirar o ar puro da liberdade ou sentir o cheiro álacre da sua verdadeira autonomia?... Quantas gerações?...
Até mesmo quando Abril rompeu as cadeias e soltou as rédeas do vento norte para enchermos de um novo sopro os pulmões da Ilha, deixámo-nos ficar acorrentados à sombra da bananeira, a mesma,  regados e untados com a mesma água-benta que lhe engrossava o troço… Durante 43 anos.
Mas alguém chegou e abalou as portas férreas da ditadura eclesiástica. E soltou um Povo!
Terá sido o prenúncio do novo ar que ontem, Domingo 22,  se evolou sobre os insulares? Oxalá! Seja a capicua da sorte o novo rumo desta Nau, chamada Madeira!
 Terminado o reino dos “Monos” – o monopoder absoluto, o monopartido, a monosotaina – abriram-se, enfim, as comportas, ainda incipientes, inseguras,  do diálogo, da cooperação, do respeito mútuo e da construção comunitária. Saibamos segurá-las, ampliá-las!
          
23.Set.19
         Martins Júnior